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Sétimo artigo que eu escrevo nessa série de primeiras impressões. Leia todos para ajudar a decidir o que assistir e o que não assistir nessa temporada! Os artigos anteriores foram esses:

  1. Gangsta, Game of Laplace e Okusama ga Seito Kaichou!
  2. Gate, Classroom Crisis e Symphogear GX
  3. Charlotte, Rokka no Yuusha e Shimoneta lorem ipsum dolor
  4. Ushio to Tora, Jitsu wa Watashi wa e Non Non Biyori Repeat
  5. Monster Musume e Chaos Dragon
  6. Overlord, Joukamachi no Dandelion e Bikini Warriors

Além desses meus artigos, as outras editoras do site também escreveram seus artigos de primeiras impressões:

Nesse artigo ofereço minhas primeiras impressões sobre mais três animes: Himouto! Umaru-chan, Akagami no Shirayuki-hime e Sore ga Seiyuu!. Nenhum deles deve se tornar um hit da temporada, mas todos são agradáveis e podem te interessar se você for sensível a seus temas e execuções. Para mais detalhes sobre eles, continue lendo!

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Himouto! Umaru-chan, episódio 1 – Irmãzinha mimada

Esse anime é sobre Umaru, uma colegial com notas perfeitas, muito boa em atividades físicas, muito bonita, realmente muito boa em qualquer coisa. E que em casa quer ver o mundo acabar em barranco pra ela morrer encostada. Ok, essa é uma daquelas comédias feitas para não ter sentido nenhum, o episódio é até mesmo dividido em esquetes visíveis que representam capítulos inteiros da história. Então não espere nenhum tipo de crítica, drama, desenvolvimento de personagem, nada mesmo. Tudo gira em torno das piadas sobre o contraste entre a personalidade dela na rua (garota educada, bem comportada, preocupada com os estudos e com as outras pessoas) e em casa (preguiçosa, egoísta, passa o dia comendo porcarias, jogando, navegando pelo que há de mais estúpido na internet, etc).

Ela nem sempre foi assim, contudo. Ela se mudou para a casa de seu irmão há não muito tempo, e foi ficando mais e mais relaxada com o passar dos meses. Ou seja: a culpa é toda do irmão. Ele que nunca cortou o mal pela raíz e deixou a irmã controlá-lo (sério, ela é muito boa nisso). Na escola há duas outras garotas dignas de nota: uma delas é muito ruim nos estudos, nos esportes, em tudo, ou seja, é o contraste perfeito para a Umaru. Outra é uma garota muito boa em tudo mas com uma personalidade competitiva que tenta superar a Umaru – sem sucesso. A mais promissora é a burrinha, porque além de servir de contraste, ela mora no mesmo cortiço que a Umaru. No apartamento de baixo. Se ela vai descobrir isso e a Umaru passará a ter problemas (de chantagem ou de ter que eventualmente disfarçar mesmo em casa) ou se ela vai continuar servindo de contraste ou de alguma outra forma de piada eu não sei, mas parece bom de qualquer jeito.

Quero dizer, “bom” talvez seja um exagero. Eu sorri durante o episódio inteiro, mas apesar da metralhadora de piadas, não cheguei a rir em momento algum. Pode melhorar. Pode ser que outros tenham rido onde eu não ri. Pode ser legitimamente considerado divertido, mesmo que não chegue a ser tão engraçado ainda. De todo modo, fica o aviso: não é tão engraçado quanto eu gosto em comédias desse tipo. Pelo menos não nesse primeiro episódio, claro.

Akagami no Shirayuki-hime, episódio 1 – O príncipe bom e o príncipe mau

Uma coisa me incomodava desde a sinopse: para fugir de um príncipe que quer se amancebar com ela à força, Shirayuki foge, recebe a ajuda de outro príncipe e … vai morar com ele. Bom, não vou negar que esse episódio cumpriu bem o papel de retratar o primeiro príncipe como um bruto, covarde e sem consideração pelo sentimento dos outros, enquanto o último é inspirador, bonitão e amante da liberdade. Ainda assim é uma realidade bem ruim, não é? Ela só conseguiu fugir do príncipe mau porque deu a sorte de encontrar um príncipe bom (e de ela própria ser bonita e teimosa, porque a primeira reação dele foi apenas dizer para ela que seguisse seu próprio rumo). Isso pode ser chatice minha, mas é algo que me incomoda em contos de fadas e no clichê do herói em um cavalo branco em geral. Mas acho que não sou só eu, quero dizer, a própria Disney escondeu a maioria de seus príncipes em suas adaptações animadas, fazendo-os aparecer apenas quando estritamente necessários, a ponto de muita gente que assistiu e gosta da maioria dos contos de fadas Disney não lembrar do nome dos príncipes. E eu tenho a forte impressão que os nomes de alguns jamais foram citados mesmo.

Akagami no Shirayuki-hime é um conto de fadas, ou pelo menos seu começo é um. Tenho a impressão que a história pode ganhar vida própria depois disso, pois o conflito entre os dois príncipes parece muito bem resolvido ao final do episódio. Não que seja impossível que o príncipe mau volte a perseguir a Shirayuki de algum modo, mas ele pareceu covarde demais para tentar isso. Tanto melhor se for o caso. Mais especificamente, esse anime é uma história com clima de conto de fadas (pelo menos até agora) que usou livremente elementos de Branca de Neve nesse episódio inicial (e pode usar outros ainda, veremos; adoraria ver os sete anões, hahaha). Começando pelo nome da protagonista, que é literalmente Branca de Neve em japonês (a adaptação oficial do nome, na verdade). Tem um momento em que o príncipe mau vai perguntar a um informante sobre garotas bonitas na cidade, e se dirige a ele dizendo “Espelho, espelho meu, qual a garota mais bonita da cidade?”. E ele tenta envenenar a Shirayuki com uma maçã. A Shirayuki foge, se perde em uma floresta e acaba encontrando uma casa vazia. Mas é isso, apenas elementos, a história em si não tem nada a ver. Esse episódio não foi especialmente divertido mas cumpriu bem sua tarefa de apresentar os personagens e seus sentimentos, e a história em si parece estar em um ponto onde pode se tornar qualquer coisa – desde que isso envolva um romance da Shirayuki com o príncipe Zen, o príncipe bom.

Sore ga Seiyuu!, episódio 1 – Homenagens para todos os lados

Um anime sobre uma dubladora novata. Em uma época onde a indústria produz cada vez mais animes feitos por otakus, para otakus, isso não é revolucionário. Inclusive houve recentemente um anime de sucesso sobre não apenas a dublagem, mas toda a rotina de um estúdio de animação. O principal ponto vendedor de Sore ga Seiyuu é ele ter sido escrito (na forma de doujinshi) por uma dubladora de verdade: Masumi Asano. Ela tem uma carreira longa já, embora até onde eu tenha pesquisado não tenha nenhum papel marcante. Fez vários protagonistas ou personagens importantes em animes de nicho (é a Sonsaku de Ikkitousen, por exemplo), e participou de alguns animes grandes, mas nesses nunca em papel relevante. Como uma dubladora média, ela consegue falar com propriedade sobre uma carreira onde, como em qualquer arte, chegar ao topo é difícil, mas com trabalho duro qualquer um pode vencer as dificuldades e deslumbramentos iniciais e encontrar seu lugar.

Por isso que eu quis assistir esse anime. E não me arrependo, tem uma boa dose de humor e uma execução que transmite com sucesso todo o nervosismo que a própria protagonista está sentindo. Ele faz um estúdio de dublagem parecer uma coisa muito complicada, ainda que seja visível que não, não é, é um local de trabalho como qualquer outro. É que para Futaba, a protagonista de Sore ga Seiyuu!, o estúdio é um lugar realmente assustador onde ela precisa estar atenta até ao mínimo detalhe, e isso é difícil pra caramba. Outra coisa que achei divertida foi as referências. Futaba foi gravar um anime produzido pelo estúdio Zongo, o que é um anagrama para Gonzo, o estúdio que está produzindo Sore ga Seiyuu. Lá ela encontrou Masako Nozawa, a famosa dubladora do Goku (e dublada pela própria Nozawa nesse episódio), e falou sobre como ela iria soltar energia pelas mãos e tal. Enquanto ela tentava imaginar o personagem que ela dublaria para encarná-lo, tenho quase certeza que uma das cenas é uma referência à Galaxy Express 999. O logotipo do anime que eles estão dublando me lembra Evangelion, e no encerramento há um trecho em que a música alterna para Cruel Angel’s Thesis, a abertura do próprio Evangelion. E aposto que há muitas outras referências que eu simplesmente não peguei (tenho certeza que aqueles personagens da produção do anime são todos caricaturas de diretores e produtores reais). Um anime divertido, com um humor leve, cuja história original foi escrita por alguém que meio romanceia e meio zomba de sua própria carreira.

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