Vou escrever semanalmente sobre Centaur no Nayami! Esperava por essa? Aposto que não! Eu não sou exatamente um fã da moda garota monstro. Eu já cobri Monster Musume aqui no Anime21, mas foi em grande parte pra escrachar o anime. Faço dessas de vez em quando. Ouvi falar bem de Demi-chan wa Kataritai, que também teve cobertura aqui, dessa vez pelo Poketoty, mas ainda não assisti até hoje (está em minha lista, juro!). E de Centaur no Nayami eu não esperava nada. Nada bom, pelo menos.

Mas o anime começou e eu comecei a ler coisas curiosas sobre ele. Não os clichês de garotas monstro normais, mas um certo “comentário social”, se é que dá para chamar assim, sobre discriminação, enfim, coisa que Demi-chan já tinha feito. Mas nesse caso parecia estar chamando mais atenção (não necessariamente positiva). Quis saber por quê. Assisti e não me arrependi.

O encerramento é todo da Manami – até aqui, acho-a a personagem mais interessante

O mais interessante sobre o comentário social em Centaur no Nayami é que não é possível saber se o anime está falando sério ou não. Se está criticando ou defendendo – ou quando está criticando e quando está defendendo. E o anime alterna isso com esquetes de puro slice of life inconsequente – e às vezes acha por bem inserir esses comentários nesses esquetes também. No final das contas, é um mundo sem discriminação que Centaur defende?

O “paraíso da igualdade” precisa do exército controlando o acesso a área das sereias

Não dá para imaginar que seja diferente, mesmo vindo do Japão, um país que, no geral, se orgulha de sua “pureza étnica”. Japoneses yamato são maioria absoluta da população, mas há minorias razoavelmente grandes de ainu e okinauanos, além de coreanos e chineses étnicos (e não estou falando dos imigrantes, mas de descendentes de chineses e coreanos que vieram há muito tempo para o Japão, em grande parte trazidos à força na época do Japão imperial). E, claro, há cada vez mais imigrantes, e o país, envelhecendo rapidamente, precisa deles. O Japão passou do ponto em que seria possível repor a população apenas com crescimento vegetativo, qualquer política nesse sentido só trará resultados em algumas gerações, e a população atual precisará manter a economia funcionando – e mantendo o padrão de vida do crescente número de idosos. Sem imigrantes, no curto e médio prazo, a conta simplesmente não fecha. Sugiro uma visita ao Pocket Hobby, do parceiro e amigo Renato, brasileiro não nikkei vivendo no Japão, ele tem vários artigos interessantes sobre o assunto.

Enfim, discriminação não é um problema social sobre o qual ouvimos com frequência vindo do Japão, mas não é como se não existisse também. Estaria o anime falando disso? Considerando como logo no primeiro episódio é dito que o país é mais avançado que outras nações bárbaras ao redor do mundo, acho difícil que seja o caso. No segundo episódio tem um momento ainda mais constrangedor, quando o que parece ser um político fala na TV sobre como financiamentos subsidiados para caríssimos robôs para sereias (perdão, “oceânides”) andarem em terra firme é justo sim, mesmo que à despeito de haverem assuntos mais urgentes disputando esse mesmo dinheiro, porque entre outras coisas isso aumentaria a “felicidade mundial“. O tom que Centaur no Nayami adota em sua defesa intransigente da igualdade é tão exagerado que culmina em coisas como o desenho infantil Garota Mágica Pretty Horn, que luta com o “poder da ética” contra a “democracia distorcida”.

Centaur no Nayami defende sim a igualdade de oportunidades, defende minorias (étnicas e de gênero), defende os direitos das pessoas com necessidades especiais, e ao mesmo tempo ridiculariza a excessiva interferência governamental e alguns métodos vulgarmente associados a grupos de defesa de minorias. Com essa fórmula o anime consegue a façanha de agradar a gregos e troianos, e acho que é essa a razão pela qual tem gerado mais discussão do que Demi-chan, que já tratava de discriminação afinal e foi, no geral, um anime elogiado. O que eu penso sobre isso? Eu penso que isso torna Centaur no Nayami um anime divertidíssimo para escrever sobre ele, e aqui estou!

O outro aspecto de Centaur no Nayami, o slice of life, não deixa a desejar. A suposta protagonista, a centauro Hime, e suas colegas de classe, são todas personagens interessantes de uma forma ou de outra. O terceiro episódio focou na garota anjo Manami e em sua família grande e pobre. Seu pai é um homem-gato, sua mãe não se vê em parte alguma, sou levado a crer que morreu (mas pode ter só se divorciado também), e deveria ser um anjo. E ela possui quatro irmãs mais novas: trigêmeas gatinhas e uma quase bebê que parece ter herdado tanto do lado do pai (tem rabinho e orelhas) quanto da mãe (cabelo branco e asinhas), e me pergunto se é por isso que ela tem saúde fraca.

Não parece haver nenhum preconceito com relação a casais inter-raciais (e nem faria sentido, dado o conjunto da obra). A própria Hime, se entendi, tem uma mãe centauro e um pai homem-bicho (qualquer que seja aquele bicho) – e no entanto ela é apenas centauro. Na hora de procurar formar casais e nos namoricos adolescentes, ninguém parece se importar com isso também, como visto no segundo episódio, o das sereias, em que os garotos nada aquáticos da turma da Hime ficam loucos de paixão por elas – e elas por alguns deles também (e pela Nozomi, a garota demônio amiga da protagonista!). Em esquete posterior é mostrado ainda o caso de um garoto-bicho que carrega sua colega sereia por aí desde criança, e parece claramente nutrir sentimentos por ela. Por fim, o anime começa seu primeiro episódio com um beijo entre Hime e Nozomi que foi resultado do plano de outro garoto demônio da sala para beijar a centaura.

Tudo isso para reafirmar: casais inter-raciais são comuns em Centaur no Nayami. Porém! Exceto pela irmã mais nova de Manami, não vi um só personagem que apresente características de mais de uma raça, mesmo quando eles têm pais de raças diferentes. O que significa uma de duas coisas: ou é incomum mesmo, por algum motivo genético maluco, ou são crianças mais fracas, possivelmente com taxas altas de aborto espontâneo e mortalidade infantil. Mas no mundo da Pretty Horn, pelo poder da ética!, até mesmo pessoas naturalmente frágeis têm assegurada sua igualdade – ainda que, como a professora anunciou de forma sinistra no primeiro episódio, isso venha ao custo dos direitos individuais ou mesmo da vida de outras pessoas.

  1. Depois de ler seriamente este artigo, duas vezes seguidas, quem diria que alguma vez te veria a comentar um anime deste tipo. Não que eu tenha algo contra o anime ou mesmo o género dele, mas já faz um bom tempo que acompanho os teus artigos, já estava acostumado a que comentasses os animes mais sérios, como Princess Principal desta temporada de Verão, Joker Game do ano passado e por ai vai. Lerei os teus artigos de Centaur No Nayami com toda a certeza, mas nãos os comentarei (é impossível comentar todos os teus artigos).
    O episódio 1 de Centaur, não teve nada de especial, serviu perfeitamente para apresentar os personagens e pouco mais.
    Mas no episódio 2, Centaur já muda um pouco o tom do seu primeiro episódio, principalmente lá na parte das sereias. A parte das sereias foi a que mais gostei do episódio, é interessante a forma como aquela sociedade se organiza para tentar manter a igualdade entre todas a espécies presentes no anime. Até aqui tudo bem, é um anime por isso não se deve ligar muito para o que lá aparece, mas não à uma sociedade sequer, que conseguiria tentar quanto mais fazer, aquilo que Centaur no Nayami mostra. O mundo de Centaur para mim é uma utopia, no mundo real nada daquilo ia funcionar. O ser humano moderno e mesmo futuras espécies (quem sabe) não está apto para viver, numa sociedade sem discriminação de todo o tipo. No episódio 2 houve uma cena de beijo lésbico entre duas personagens, aquilo passou como se fosse nada, mas quem conhece o Japão sabe, muito bem como a homossexualidade é mal vista pela maioria da sociedade japonesa (mesmo que nos últimos anos, tal situação tenha sido amenizada). E quanto à discriminação étnica no Japão, esta já é mais velha que muitos países europeus. Eu já li muito sobre o povo Ainu e sobre o povo de Okinawa e é uma tristeza aquilo que os japoneses puros faziam com eles (principalmente ao povo Ainu).
    Já o episódio 3, gostei bastante dele, principalmente da segunda parte. A primeira parte que foram 12 minutos dedicados à temática beijo, não tem muito o que dizer, às vezes não à nada melhor que a ingenuidade das crianças (mas achei a cena do beijo entre a Mitsuyo e a Inukai, meio desnecessária). Achei interessante, aquela parte em que a Himeno coloca a prima dentro de um carro adaptado para centauros, aquela sociedade deve ser bem evoluída em tudo, pelos vistos.
    Mas como disse anteriormente, foi a segunda parte do episódio 3 que mais gostei do anime até agora. Passei a admirar a Manami, a garota com asas de anjo, ela mesmo sendo apenas uma estudante e já ter aquelas responsabilidades todas, foi bem marcante. Eu sempre achei a Manami meio apressada e desligada do mundo ao seu redor desde o episódio 1, mas nunca pensei que ela tivesse que tomar conta das suas irmãs. O facto da família dela não estar bem de finanças e a notória ausência da mãe (que provalmente morreu no parto da última filha) mais a ausência do pai por motivos de trabalho, deixa um fardo enorme nas costas da Minami. Achei bem bonita a parte, em que as três irmãs gémeas convidaram os amigos, enquanto a irmã mais velha teve que sair para ir resolver os problemas do conselho estudantil, afinal a essência de ser criança é brincar. Odiei aquela garota do conselho estudantil que embirrou com a Manami, o que ela tinha a ver com os assuntos pessoais da Manami, gente intrometida são do pior tipo.
    Gostei bastante das 4 irmãs da Manami, as irmãs com orelhas e rabo de gato eram muito simpáticas e engraçadas (e fizeram-me lembrar do Félix de Re:Zero infelizmente) mas foi a irmã mais nova que me despertou a atenção. Além da sua saúde frágil, ela parece ter sofrido uma mutação genética, já que apresenta sinais de ter herdado as características de ambos os progenitores (orelhas e rabo de gato, da parte do pai e asas e cabelo branco da parte da mãe). Acredito que a saúde frágil da Chi, se deva a complicações genéticas, como ela herdou a genética de ambos os progenitores, ela deve ter ficado com algum problema da espécie dos seus pais. Como bem referiste no artigo, os casais de Centaur na maioria são inter-raciais e quase não se vê a mescla de características dos filhos destes casais. Estes filhos até agora só herdaram as características de um dos progenitores, a Chi foi a primeira a mostrar as características de ambos os país, mas tem a saúde fraca. A saúde fraca da Chi, pode ser sinal que nem todas as espiches do anime se possam cruzar. algumas vezes por exemplo, pelo risco de haver o perigo de aborto, ou então nascer uma criatura violenta e por ai vai. No nosso mundo existem vários casos de cruzamentos entre várias espécies que deram mau resultado, como o famoso chupacabra que é uma mistura de coiote selvagem com cão, tens o zebralo que é uma mistura entre um cavalo e uma zebra, e o fruto deste cruzamento é extremamente violento e por ai vai.
    Como sempre, mais um excelente artigo Fábio.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Escrever sobre slice of life (e comédia) é difícil. Pelo menos para mim. Nem se trata de falta ou excesso de seriedade. Você já conhece bem os meus artigos e meu estilo de escrita. Se não tiver sobre o que falar, se for só uma sequência de acontecimentos não exatamente notáveis, eu não sei o que falar. Posso tentar filosofar sobre significados, sobre a psicologia dos personagens, fazer comparações com a vida real e outras obras de ficção, mas é bem difícil arranjar assunto para escrever sempre.

      Para nossa sorte, Centaur no Nayami tem algo a mais para eu me segurar, um ponto onde ancorar meus artigos. Gostei do que vi no anime até agora e estou animado para comentar sobre ele.

      Acho que o mundo desse anime está mais para uma distopia de hiper-felicidade do que para uma utopia, viu? Algo parecido com o mundo de Psycho-Pass. Todo mundo lá é feliz! Exceto quem não é, né? Mas aqui estamos vendo apenas pelo lado que dá certo, pelo lado de quem é feliz, pelo lado de quem, mesmo que com dificuldade, consegue viver nesse mundo que de outra forma seria bastante cruel. Um slice of life de raiz, afinal.

      E de longe a personagem mais interessante é a Manami e o melhor episódio foi o terceiro. A família dela é importante para mostrar que, felizes ou não, continuam existindo pessoas com os mesmos problemas que nós, aqui do mundo real. Pessoas bastante pobres, pessoas que precisam assumir responsabilidades muito cedo, pessoas que precisam ajudar no sustento da casa e “perdem” a juventude assim (acho a atitude dela bastante positiva, ela sem dúvida não sente que está perdendo nada, ela ama de verdade sua família, por isso as aspas). Problemas de saúde. Simplesmente genial, um personagem de fantasia mas que muita gente pode se sentir representado.

      O quarto episódio falou um pouco sobre cruzamentos inter-raciais, preciso ainda terminar de elaborar o meu pensamento sobre isso, mas não acho que seja algo tão anti-natural quando cruzamentos inter-espécies no nosso mundo.

      Obrigado pela visita e pelo comentário =D

      • Estou curioso para ler o teu artigo do quarto episódio de Centaur (para ser sincero tive um mau dejá-vu quando o anime adaptou o capitulo 0 do mangá de Centaur no Nayami).
        Agora pensando bem, tens razão, mas o mundo de Psyco Pass era muito doentio (em vários sentidos e formas).
        Esqueci de referir no meu comentário anterior, mas a mahou shoujo Pretty Horn que apareceu no episódio 3 foi muito engraçada e a frase de efeito dela ainda foi mais engraçada (ela que tenha sorte, com o poder da ética, porque é muito difícil combater a democracia distorcida).

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        Será que esse mundo é muito pior que o de Psycho-Pass? Quero dizer, já disseram lá no primeiro episódio que existem clínicas de reabilitação – COMO EM PSYCHO-PASS. E você pode ir parar lá por bobeira – COMO EM PSYCHO-PASS. Acho que a diferença é mais de tom e de foco do que qualquer coisa.

        A Pretty Horn é genial, espero ver mais dela. Podia ter um anime só da Pretty Horn, eu assistiria! HAHAHA!!!

      • Sinceramente não sei, em Centaur no Nayami, a forma de organização da sociedade parece ser um ditadura controlada e tal, mas a presença de repressão militar e clínicas de reabilitação, dá o que pensar (se bem que acho que o foco do anime, não é esse). Já em Psyco Pass, a coisa era bem mais hardcore, aquilo não era uma ditadura, aquilo era um experimento em larga escala, comandada por supostos psicopatas, coisa que o sistema Sybil era responsável de eliminar (só para gerar uma controvérsia leve).
        A mahou shoujo Pretty Horn merecia dois animes, um em que com o poder da ética devia combater a democracia distorcida e um segundo onde ela com o poder da razão combaterias os malefícios do comunismo. Veria os dois com certeza.

      • A Manami também achei interessante, no primeiro episódio, achava que ela fosse rica, acho que fiquei com essa impressão por ter visto aquela ilustração do anjo montado no centauro escravo enquanto aquela professora dava aquela aula discurso.
        Mas aí no terceiro, vejo que a família é tão pobre que o televisor dela nem tem controle remoto! Ainda é de seletor!
        E ela se preocupa em comprar produtos em promoção até enquanto está no Conselho Estudantil.
        Por falar nisso, mas que porre! Sair domingo de manhã e ficar até às 15h na escola!
        E mais estranhezas, achei muito grande o número de pessoas ali, será por obrigação de representar todos igualmente? E que papo foi aquele da menina de que debates fazem parte da juventude?! Adolescentes que gostam de perder um domingo debatendo na escola!
        Certa foi a atitude da Manami em dar um fim logo naquilo e ir para casa cuidar da família.
        Gostei do cala boca que ela deu na colega com a história da morte de seu avô.
        E mesmo assim apareceu outra pentelha pra resmungar, depois que ela foi embora, que na vida real adultos têm de dar mais atenção ao trabalho que à família.
        Mais uma crítica indireta do anime, imagino.
        Aliás, não vemos a mãe dela, será mesmo que abandonou a família? Ou ela morreu antes do avô? Mas eu não vi aquele móvel onde os japoneses costumam por uma foto, incenso e oferendas para os mortos que costumamos ver nos animes.

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        É verdade, bem notado! Animes costumam mostrar ostensivamente os santuários quando as famílias tem um ente querido morto. Bom, acho que não temos como saber, especular, e se for para ser selvagem, eu diria que ela está presa em uma instituição de reeducação do governo! E talvez tenha ido parar lá por expressar desconforto (talvez raiva e angústia mesmo) por ter tido um bebê mestiço =D

        E sim, esse mundo é fodido. Todo mundo tem mentalidade de DCE desde o colegial. Nem ligo pro tamanho – quero dizer, adolescentes nesse mundo GOSTAM de passar tardes debatendo bobagens na escola (porque Conselhos Estudantis não discutem nada de importante de todo modo, deviam estar discutindo alocação de recursos para os clubes ou algo assim). É apenas natural que vários tenham comparecido, não é? Ou podem ser representantes dos clubes, ou das classes, enfim.

  2. Que legal, Mexicano!
    Eu estava chateado que o review do Kakeru tinha ficado só nas primeiras impressões, justamente esse anime que me “animou” a voltar a comentar aqui.
    Já aproveito para copiá-lo e colá-lo aqui, pois já adianta parte dos meus comentários:
    “Esse anime não será mais comentado?
    Do primeiro até o terceiro episódio, não está parecendo apenas um slice of life inocente.
    Desde que começou, tenho estranhado tantas menções a democracia, discriminação e direitos de minorias.
    Me chamaram a atenção aquela aula de biologia misturada com discurso e o risco de ser acusado discriminação por montar em um centauro no ep. 01; o questionamento sobre haver demanda para certas espécies trabalhar como modelos e a aquela reclamação sobre discriminação reversa por criar próteses para seres marinhos andarem na terra no ep. 02; e agora no ep 03 vemos a Hime contando um conto de fadas para a priminha onde este acaba com os personagens vivendo uma vida democrática e felizes para sempre e mais adiante, na casa da menina anjo, vemos um televisor mostrando um anime onde o vilão quer democracia e o voto da maioria seja respeitado e a garota mágica luta por ética e lei!
    Por falar na menina anjo, vemos que ela é filha de um casal inter-espécies e tem 3 irmãs gatinhas trigêmeas que puxaram ao pai e uma irmãzinha caçula mestiça.
    É curioso notar que as filhas dessa família que nasceram puxadas para cada um dos lados da família são saudáveis enquanto a filha mestiça tem a saúde frágil.
    Parece haver uma crítica sutil aos excessos do politicamente correto.”

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      E eu não pretendia sequer assistir =D Bom, já contei o caso no artigo né, não vou me repetir…

      Sem dúvida não é um anime inocente, mas não tenho certeza de que ele tenha, de fato, uma mensagem. Pode ser apenas um arrazoado de comentários sociais, sem necessariamente nexo lógico entre todos eles, sem que o conjunto componha uma narrativa coerente. Não é como se todo crítico fosse obrigado a apontar soluções – acho essa exigência uma das grandes distorções do debate contemporâneo, aliás. Quem tem obrigação de apontar soluções são os responsáveis, não os comentaristas. Um político criticar sem apontar solução factível está sendo um demagogo, talvez populista, mas um simples analista não tem essa obrigação. Exigir isso só coloca pressão no crítico, o que no mais das vezes contribui para calar ou desacreditar vozes dissonantes. Essa é uma das graças de Centaur no Nayami: ele aponta o dedo pra todo mundo, mas não aponta o caminho pra ninguém. É o suficiente para quem estiver realmente interessado iniciar um debate, e contribuir para haver debate é sempre algo positivo.

      Obrigado pela visita e pelo comentário! Agradecerei se acompanhar meus artigos desse anime =)

  3. Comentando também algumas imagens que você destacou:
    Imagem 1: também achei estranho e esqueci de comentar no comentário anterior por que a necessidade de soldados naquele lugar. O mundo da centaura não parece tão democrático, acho até que ali é uma espécie de ditadura do bem;

    Imagem 2: o casal inter espécies me fez questionar por que montar na Hime, mesmo com o consentimento dela, seria discriminação, mas carregar uma sereia nos braços não seria considerado exploração do menino-gato?

    Imagem 4: seria cômico se não fosse trágico pelo fato de a jornalista dizer àquele senhor que havia pessoas reclamando de discriminação reversa querer fazer os oceanides andarem na terra. Aliás, por que a forma de centauro? E também isso me faz questionar por que somente os centauros têm 4 pernas nesse mundo. Lembra daquela aula-discurso no primeiro episódio? Se todos descendem de uma espécie com 6 membros, por que, com exceção dos centauros, não apareceu mais nenhum quadrúpede? Fora os oceanides, não apareceu mais ninguém com um corpo bizarro, uma harpia, por exemplo. O restante tem corpos praticamente humanos, anda em duas pernas e tem dois braços. Os únicos com realmente 6 membros são os centauros e os anjos ou nesse mundo orelhas são consideradas membros?

    penúltima imagem: a irmãzinha da Manami também tem orelhinhas de gato, mas do tipo caída que lembra a raça Scottish Fold;

    última imagem: o pai da Hime também é um centauro, por curiosidade, vi algumas páginas do mangá relativas aos episódios e ele aparece de corpo inteiro. Ou seja, Hime é de raça pura.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      1: Aqueles soldados ali me dão calafrios, LOL! Será que existem grupos que tentam invadir o local? E apenas policiamento normal não é suficiente para coibir isso? Aliás, porque não oceânides (“povos da montanha”) não podem visitar o local regularmente? Claro, seria inconveniente para eles, mas tanto quanto é para uma sereia em terra firme (como visto no mesmo episódio), então qual o problema, de verdade? Não consigo pensar em explicações tranquilas e justas. Se é de fato uma ditadura, eu não sei, mas me parece que é menos democrático do que estamos acostumados, de fato; e parece haver mesmo toda uma cultura (como visto no desenho da Pretty Horn e na reação dos alunos na reunião do Conselho Estudantil ao encerramento do debate) contra a democracia tradicional. Sem me aprofundar no tema, é claro que é preciso antes de tudo que uma democracia proteja as minorias, senão o que se tem é ditadura da maioria, é fascismo, mas o Japão de Centaur no Nayami talvez use essas justificativas não tanto para proteger minorias quanto para proteger o próprio poder do Estado.

      2: A discriminação no caso da Hime não é porque uns não podem carregar outros, mas especificamente porque centauros já foram escravizados como montaria em outros lugares do mundo no passado. O que se quer proteger é o sentimento (“não faça isso porque irá nos lembrar da memória de quando isso era outra coisa”), não o ato em si ou as pessoas que existem hoje. Certamente pessoas gato nunca devem ter sido escravizadas para carregar sereias por aí, então não há problema algum.

      3: Você pulou um número =D

      4: A forma de centauro deve ser mais conveniente. Sereias têm seus corpos projetados para manter a cauda na posição horizontal, afinal de contas. Por fim, quatro patas é mais estável do que apenas duas. A questão biológica está mal explicada mesmo – as sereias pelo menos têm pequenas barbatanas próximas à bacia, completando os seis membros, mas as pessoas-animais (que parecem ser a maioria) possuem apenas quatro membros. Talvez tenham perdido um par durante a evolução, mas isso torna a questão 4 vs 6 membros muito menos rígida do ponto de vista evolucionário e pode indicar que eles estão redondamente enganados. Enfim. Se orelhas fossem membros então centauros teriam oito membros, certamente não é o caso =D

      Penúltima: Sim, como eu escrevi. Aliás, bom exemplo de raça selecionada artificialmente para destacar uma _anomalia_ genética. Acho que tem muito a ver com o anime, no final das contas.

      Última: Ok, ele é um centauro, isso diminui a quantidade de casais inter-raciais casados e com filhos conhecidos no anime para apenas um. Talvez no final das contas casamentos assim sejam incomuns, ainda que os namoricos adolescentes não pareçam ter qualquer tipo de restrição?

      • Acho que esse anime é como Shimoneta, vai apenas mencionar o problema sem se aprofundar, fica para nós pensarmos sobre ele.

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        ShimoSeka é muito mais óbvio em sua mensagem, ele tem um lado, embora não aponte soluções. A não ser que você considere distribuir pornografia para adolescentes uma solução, LOL!

      • Sobre Shimoneta estava me referindo a algo que não foi explorado no anime e acho que nem na light novel: direitos de escolha, expressão e à privacidade.
        Eu assisti e lamentei que isso não foi explorado naquele anime, o autor preferia sempre seguir pelo caminho do fanservice e da comédia.
        Poderiam ter questionado o fato de todos naquela história terem sido convencidos a usar coleiras e algemas em troca de acesso rápido e fácil a internet e quando a mídia foi monopolizada nisso, vem alguém impor o que pode ser visto.
        Pensando bem, acho que me enganei, até que Centaur expõe mais a critica social do que Shimoneta.

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        Eu vejo ainda outra diferença importante: em Centaur não sabemos se todas essas mudanças distópicas são recentes ou se já são mais antigas do que qualquer vivo pode se lembrar. Em todo caso, elas parecem ser tratadas como algo natural, que o Japão conquistou há muito tempo e já não resta mais ninguém para contar história de como era antes (o único detalhe que pode indicar o contrário até agora foi a aula de história no primeiro episódio, assistida por agentes do governo e com a professora aparentemente perturbada por isso em alguns momentos).

        ShimoSeka não: é uma sociedade em que as mudanças distópicas já são antigas o suficiente para que a juventude não tenha vivido uma realidade diferente, mas recentes o bastante para ainda estarem em curso e para muitos adultos se lembrarem vivamente de como era antes. Nesse sentido, acho que ShimoSeka será mais parecido com Koi to Uso, embora o anime romântico esteja evitando até agora o tema complexo que ele mesmo lançou.

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