Bom dia!

Esse é o primeiro artigo de uma nova prática em implantação no Anime21: resenhas após o final dos animes. Quero dizer, os artigos de episódio são legais e tudo mais, mas depois que o anime já encerrou é pedir um pouco demais para quem vai começar ou mesmo já assistiu tudo que leia mais de dez artigos, eventualmente cheios de especulações que dão em becos sem saída.

A partir de agora, uma semana após a conclusão do anime no blog, sairá uma resenha – com spoilers e tudo mais. Duas semanas depois, sai um artigo de introdução, sem spoilers, para orientar quem ainda não tiver assistido a decidir se vale ou não vale a pena assistir, o que se pode esperar do anime, seus pontos fortes e pontos fracos.

Você assistiu Washio Sumi? Se assistiu, espero que esse artigo lhe seja útil. Se não assistiu e não se importa com spoilers, espero que possa tirar algo de bom daqui também.

Desde que assisti Yuuki Yuuna wa Yuusha de Aru, o anime original e inaugural da franquia (na verdade, acho que cronologicamente algum mangá ou novel começou a ser publicado antes, mas não importa, o anime para TV foi o carro-chefe e o motivo de existência da franquia em primeiro lugar) eu estava curioso com a prequel que ele próprio havia sugerido existir. Então a Tougou já havia sido uma heroína antes, por isso ela não tinha o movimento das pernas e havia perdido parte das memórias? Mais ainda, aquela tal Sonoko, completamente paralisada e com o corpo inteiro enfaixado, a conhecia? Essa foi uma sacada muito boa do anime. Eu queria conhecer a história de Washio Sumi.

Demorei anos para ter essa oportunidade, contudo. Eu sabia que Washio Sumi wa Yuusha de Aru, a prequel, já existia em novel ou mangá, algo assim, mas nem cheguei a procurar. Já estava em minha fase anime-only, e francamente, depois da deslumbrante animação da primeira temporada eu queria ver mais Yuuki Yuuna sim, mas animado. A minha vez finalmente chegou e o spin-off foi animado sob o nome mais comercial Yuuki Yuuna wa Yuusha de Aru: Washio Sumi no Shou. Foram apenas seis episódios, mas entregaram tudo o que eu poderia esperar de um prequel.

No começo eu me perguntava se, sendo um prequel, poderia servir de porta de entrada para a franquia. Eu quero que mais pessoas assistam Yuuki Yuuna, eu gosto do anime! Inicialmente acreditei que sim, isso seria possível, mas não parecia desejável: a qualidade da animação era muito inferior, e mesmo o enredo estava sendo bastante básico, por assim dizer, de forma que a chance de uma primeira impressão medíocre não podia ser descartada. Recomendei então, e recomendo ainda, que quem for começar a assistir Yuuki Yuuna agora, comece pelo primeiro anime, o original. Depois veja essa prequel, porque pelo menos como prequel ele cumpre o que promete, e vai um pouco além.

Dê uma boa olhada na Gin. As três estão com os corpos inteiros assim. E isso foi antes da segunda luta.

Uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi a ausência dos espíritos. Onde eles estavam? Ainda iriam aparecer? Só depois do primeiro mankai, talvez? Já se vão alguns anos desde que assisti Yuuki Yuuna e não liguei lé com cré. O que realmente me chamou atenção foi como aqui, ao contrário do anime original, as garotas se machucam, e muito. Estão visivelmente sob risco de morte o tempo todo. Isso deveria ser óbvio: os espíritos as protegem, sem espíritos, sem proteção, mas eu não entendi isso até ser tarde demais. E fui arrebatado pelo ponto alto de Washio Sumi: a morte da Gin.

Isso já era algo que o anime vinha anunciando desde mais ou menos o segundo episódio, se bem me lembro, e se for para ser extremamente savvy era previsível desde o começo para alguém que assistiu Yuuki Yuuna pela simples e notável ausência de Gin no anime original. Sonoko está lá, feito múmia mas está, Tougou está lá, é uma das principais personagens, mas da Gin nem se ouve falar. Sim, Gin estava marcada para morrer e isso era previsível, por isso sua morte não foi tão chocante quanto poderia ser, mas ver o espírito partido das garotas compensou. E quando no funeral da Gin, depois de extensa construção, seu corpo foi finalmente revelado dentro do caixão, a ficha finalmente caiu. O choque tardou mas não falhou.

Descanse em paz, Gin Minowa

Fiel à desumanidade a que as heroínas são submetidas, contudo, Washio e Sonoko tiveram que lutar de novo, ainda ali, durante o velório, porque os vórtices não esperam, não se importam com nossas lágrimas ou nosso sofrimento. Nesse aspecto, e apenas nesse, Washio Sumi supera Yuuki Yuuna: é muito mais visceral, cruel. Os espíritos são uma excelente sacada de Yuuki Yuuna e a crise pela qual as heroínas passam conforme descobrem a verdade é o ponto alto do anime e é o que faz valer a pena assisti-lo em primeiro lugar, mas não é de forma alguma tão desesperador quanto ver meninas no primário lutando com o peso do destino do mundo sobre suas costas, vivendo uma vida separada das demais crianças de sua idade, forçadas a lutar sem tempo para superar a morte e a perda de uma amiga querida. Perto disso, toda a dor e sofrimento de Yuuki Yuuna – que são enormes! – parece brinquedo.

Washio Sumi não apresenta uma história conclusiva, nem é tecnicamente incrível, mas é um anime com bons momentos, com personagens bastante infantis, e é assim que elas têm de ser por causa de suas idades mesmo e porque a história funciona melhor assim, e sem dúvida funciona como um competente relato da história prévia de Tougou Mimori, quando ela ainda atendia por Washio Sumi e lutava ao lado de Nogi Sonoko e Minowa Gin uma luta que Yuuki Yuuna ainda nem sonhava lutar.

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