Bom dia!

Para quem está chegando agora, o Café com Anime é um bate-papo sobre alguns animes da temporada entre mim, pelo Anime21,  Vinícius Marino (Finisgeekis), Gato de Ulthar (Dissidência Pop), e Diego (É Só Um Desenho). Cada blog irá hospedar as transcrições das conversas de um anime: ao Anime21 caberá publicar os artigos sobre Violet Evergarden; ao FinisgeekisCardcaptor Sakura Clear Card; ao É Só Um DesenhoKokkoku; e ao Dissidência PopMahou Tsukai no Yome e Junji Ito: Collection.

Sem mais atraso, leia a seguir a conversa que tivemos sobre o episódio 12 de Violet Evergarden.

Fábio "Mexicano":
Não estou particularmente ansioso por esse episódio, então vou começar isso de um jeito diferente: vou escrever minhas anotações enquanto assisto, aí no final envio tudo de uma vez:
Fábio "Mexicano":
– Ótimo, guerra, huh
– Pela primeira vez desde que o anime começou eu estou concordando com o Dietfried. Mal sinal. (aliás, embora eles claramente o chamem de Dietfried, na minha legenda está escrito Diethard; só comigo está errado?)
– Por que vão mandar uma ghostwriter? Por que tratados de paz precisam ser escritos por ghostwriters, ainda mais uma que, por tudo o que eu sei (e que o anime revelou), é especializada em cartas de amor? Pelo lado positivo, a Cattleya fica irritada e tenta defender o Hodgins e a Violet quando o Dietfried fala porcaria deles.
– Mas é um pouco enfadonho ver tanto ela quanto o Benedict falando sobre a Violet. Soa como se o anime estivesse narrando o que eu acabei de assistir a Violet aprender a fazer durante 11 episódios, e ei, eu vi isso, já entendi, me sinto sendo tratado feito um burro.
– Então tem uma cena no avião onde através do mesmo tipo de exposição enfadonha o piloto fala sobre guerra, sobre como o tratado que está para ser assinado é super importante e blá blá blá. Ele até diz que é através dessa ferrovia que seu país obtém comida! Ei, como vocês faziam antes do trem ser inventado? Comiam pedras? Aliás, como fizeram durante esses meses após o fim da guerra em que a ferrovia esteve em reconstrução?
– Agora um pouco de melodrama com o Hodgins.
– Olha só, eu gostei da forma indireta como o anime contou que ele enxerga a Violet como uma filha! Talvez nem tudo esteja perdido? Duvido.
– “A Ponte Grandezza” – Ao invés de entregas, esse piloto devia fazer um serviço de turismo. Ele parece se empolgar com isso. Mas falando sério, vai acontecer um ataque aqui, não vai?
– A Violet viu os lugares das explosões, viu o local de sua última batalha (“Intense”, adoro os nomes desse anime), e já sabemos que está indo para o mesmo lugar que Cattleya, Benedict e Dietfried. Estou cada vez mais empolgado para a reunião.
– ELA VAI PULAR NO TREM
– A Violet conseguiu enxergar a Cattleya dentro do trem, lá do alto, e agora vai descer!
– O Dietfried vê a Violet correndo na plataforma da estação e agora eu estou rindo, isso já ficou hilário
– Não dá, o episódio usa fotografia inclinada, música dramática e a Cattleya está com uma cara super preocupada, mas eu só quero rir
– “Houve explosões perto da ferrovia, devem ser os antipacifistas” – NÃO, DEVEM SER OS SMURFS
– Explodindo tudo por motivos pacíficos, devo acrescentar. Que raio de nome é esse, “antipacifistas”???
– Se todo mundo de todas as nações envolvidas sabe quem são os culpados, por que matar um emissário jogaria o continente inteiro em guerra de novo, mesmo?
– “Onde acha que eles vão atacar?” – Tem uma ponte logo a frente, eles explodiram tudo no caminho, dominam a região, mas acho que estou sendo pessimista demais quando penso que devem atacar na ponte
– “Eu não vou matar ninguém” – Ela virou o Batman!
– “A guerra acabou no mundo real” – Pena que isso é anime. Ok, vou parar de implicar com cada fala…
– Uma salva de tiros e teriam acabado com ela, só falando…
– Mas olha, se ela é realmente humana, insistir nessa história de “marionete” que não cumpre mais sua “função” está dando no saco
– A Violet segurou uma explosão nos braços, mostrando que tem próteses especialmente boas. E o episódio terminou sem nome. Vai ter continuação ☹️
Fábio "Mexicano":
Enfim, me desculpem pelo longo texto inicial, mas episódios drásticos exigem medidas drásticas. Não vou dar um ponto de partida, o episódio foi essa droga aí, o que acharam?
Diego:
É, o episódio foi bem ruim. Não me irritou ao nível do 4º, mas foi definitivamente muito abaixo do que eu espero de Violet Evergarden (e eu nem espero tanta coisa assim do anime!).

Pra começo de conversa, eu não consigo engolir o personagem do Dietfried. Já começa mal quando eu lembro que ele recebeu uma meninas de uns 10 anos treinada pra ser uma máquina de guerra e a primeira coisa que ele pensou foi “ei, acho que vou dar ela pro meu irmão, ele vai curtir”. Mas passado de lado, mesmo no presente ele não convence. É aquele personagem babaca que não realmente tem um motivo sensato pra ser um babaca. Ele não vê a Violet como humana por… motivos. E ele insiste que ela é uma terrível assassina e bla bla bla quando ele próprio é um fucking soldado também! Que deveria também ter matado gente durante a guerra. Sério, esse ranço dele com a Violet de “ain, ela tem sangue nas mãos” não me desce. Ele culpar ela pela morte do irmão ainda faz mais sentido – por idiota e clichê que seja -, mas nesse ponto é uma coisa ok em um personagem que bem poderia nunca ter sido criado em primeiro lugar.

E nisso temos a questão da guerra… Pra começo de conversa, eu juro que achava que a guerra já tinha acabado. Oficialmente, digo. É a primeira vez que o anime dá qualquer indício de que as coisas ainda não se acertaram 100%, e é meio tarde pra isso. E não posso deixar de repetir a crítica do Fábio: se todo mundo sabe os culpados pelos ataques, que há um grupo terrorista tentando trazer a guerra de volta, por que diabos atrapalhar a assinatura do tratado de paz de fato reiniciaria uma guerra?! Não faz o menor sentido!

Ah, e sim, a luta em cima do trem foi idiota. Ela só uns 3 ou 4 darem uma saraivada de balas e fim, a Violet taria no chão morta. Mas não, o anime precisa fazer cada um deles tentar atacar ela frontalmente um por um. Ah vá >.>

Vinícius Marino:
Tudo o que eu queria era um episódio com muito ghostwriting e nenhuma batalha. E tive um episódio só de batalha com nada de ghostwriting. Hurra!

Nem sei por onde começar, então vou tirar no dado. Ok… deu a ladainha-Batman de “não matar ninguém”.

Caros leitores. Acredito que muitos de vocês já sabem, mas não custa recordar. Essa lorota de “combate não-letal” só existe em videogame. Na guerra de verdade, todo combate por definição é letal. Não quer matar ninguém? Fácil, não entre na guerra! Aliás, na guerra não apenas só se mata, como se mata primeiro e pergunta depois. É por isso que soldados (e policiais em estados de emergência ou sítio) têm todo o tipo de protocolo para se identificarem. Viu um vulto no escuro? Esvazia o pente.

Sobretudo porque até técnicas não-letais são letais. Bala de borracha no olho a queima roupa? Morte. Golpe de judô para jogar o cara no chão? Acertou a cabeça na pedra, morte. Tiro na perna? Se pegou na femural, morte por hemorragia. Se não, morte por septicemia. Não é como se desinfetantes e antibióticos dessem em árvore.

Gato de Ulthar:
Aposto um rim que a maioria das pessoas que estão criticando Violet Evergarden desde o primeiro episódio devem ter adorado este aqui, afinal de contas tivemos muita ação e quebra pau em um trem. Infelizmente a cena de luta em cima do vagão me lembrou um anime muito ruim de se lembrar, Kujira, pois aqueles soldados dos “antipacifistas” não foram muito melhores que os minions do malfadado anime supracitado, atacando um por vez. Que bosta, eu estava gostando de Violet, porque diabos não podíamos apenas focar no slice-of-life?
Fábio "Mexicano":
Aposto o outro rim (do gato) que a maioria das pessoas que criticou o anime lá nos primeiros episódios não está mais acompanhando, ou não liga mais ainda que continue assistindo, então é tarde demais para tentar agradá-los de todo modo. Acho que tem uma expressão em inglês para isso? Jump the shark? Quando uma obra em andamento tenta fazer algo totalmente diferente e acaba ficando tosco. Bom, foi um episódio tão ruim que vejo que temos até dificuldade em dizer o que foi o pior dele 😃
Fábio "Mexicano":
Vou tentar aqui então: a ação foi ruim, a ambientação é horrível, e o próprio fato de terem tentado virar outra coisa no final foi horrorosa também. Mas acho que o absoluto pior foram os diálogos do episódio. Eu até destaquei alguns. Foi um episódio absurdamente expositivo. E isso, para um anime cujo tema central tem a ver com palavras e com a capacidade de expressar-se da melhor forma possível, deveria ser um crime punível com a pena capital. Alguns dos melhores episódios de Violet Evergarden contaram muito de sua história através do que não foi falado, enquanto esse episódio parece tentar recontar o anime inteiro. A Cattleya e o Benedict em particular, junto com o Dietfried, pareceram que estavam contando a história inteira do anime até agora, do ponto de vista deles. E é tudo coisa que a gente já sabia e que o anime tinha contado de formas melhores, com palavras e ações.
Vinícius Marino:
Eu quero acreditar que o bisonho “antipacifistas” foi um erro de tradução. Algo como “forças anti-tratado” me parece mais adequado. Mas sim, foi um de muitos facepalms em diálogos que transcendem as fronteiras do ridículo. E preciso desabafar agora: que raios! Ok, eu entendo que animes de porrada sempre farão mais sucesso. É a sina que Dragon Ball e todo o sangue gratuito da mídia japonesa legou para o mundo. Mas em todas as histórias? Por que transformar um melodrama intimista como Violet em um aventura de ação? Ele nunca vai conseguir se destacar no gênero. É que nem entrar numa pizzaria e pedir um sushi de ouriço do mar. Não, amigo. Vai no japonês, pelo bem do seu estômago!
Fábio "Mexicano":
Bom, na pizzaria provavelmente é mais barato. E sem dúvida pareceu bem barato de Violet Evergarden apelar dessa forma.
Diego:
Se assumirmos que esse episódio foi o equivalente em anime da pizza de sushi, acho que podemos concordar que tem coisas que deveriam ser mantidas em separado. O problema é que já fomos na pizzaria e comemos o sushi de ouriço do mar e passamos muito mal. Violet entrou numa linha narrativa que não permite mais voltar atrás e terminar como um anime decente. O pessoal da produção de Violet Evergarden devem sofrer de dupla personalidade, ou deve haver duas facções brigando continuamente, a facção anti-pacifista, opa, quero dizer anti-slice-of-life e a facção anti-ação.
Fábio "Mexicano":
O terrível é que Violet Evergarden se enfiou em um buraco ao terminar esse episódio aberto no qual a melhor saída é mesmo o absurdo: a Violet escreve o tratado de paz e “encerra a guerra com uma carta”.
Diego:
É o que dá terminar a história no episódio 9, tinham de enfiar algum outro clímax nos episódios finais.
Fábio "Mexicano":
Eu não teria ficado feliz se tivesse terminado naquilo também, então sei lá 😃 Mas entre ter os dois arcos e só um deles, obviamente prefiro ser torturado apenas uma vez.
Gato de Ulthar:
Se já fizeram a cagada de forçar um encerramento no episódio 9, deveriam manter no slice-of-life com a Violet escrevendo suas cartas sentimentais, terminando a série sem um clímax, pois neste tipo de narrativa ele pode ser dispensado. Eu pensei que eles fariam isso, principalmente depois do episódio da menina que perde a mãe, que foi um ótimo episódio por sinal, mas não, eles tinham que fazer o que fizeram…
Fábio "Mexicano":
Inclusive lembro que elogiei o fato do melhor episódio do anime, o 10, ser depois do “final”, porque ali fez muito sentido que a Violet tenha agido como agiu. Foi um dos raros momentos em que testemunhamos o desenvolvimento dela, já que na maior parte do tempo ele ocorre entre episódios (o que não é um grande problema, mas é sim uma limitação do anime).

Só por desencargo de consciência, é pra fechar essa edição, acham que o episódio teve algo positivo? Se não, o que foi o menos negativo?

Diego:
Olha, ta difícil. Eu realmente não consigo pensar em nada de positivo nesse episódio. Não que ele tenha sido horrível, exatamente, é mais que ele foi consistentemente ruim em todos os seus aspectos. A melhor coisa dele foi o visual, e é isso.
Gato de Ulthar:
Positivo? Assim fica difícil, vou com o Diego e digo que foi o visual!
Vinícius Marino:
É, terei de fazer coro aos meus colegas. Violet é um pastel de vento. Lindo por fora, oco por dentro
Fábio "Mexicano":
Falar na animação é chover no molhado, né? Quero dizer, só faltava até a animação ficar ruim! Eu reitero o que já havia dito: achei bonitinha a cena do Hodgins, que insinua que ele talvez veja a Violet como uma filha. Mas isso não tem conexão com nada do resto do episódio e o episódio seguinte ignora completamente a possível conotação – pior, meio que a desmente. Então, acho que não teve mesmo nada de bom. Queria dizer “tomara que o próximo melhore”, mas não acho que melhorou, então semana que vem me verão reclamando de novo sobre esse anime que fez tudo certo, inclusive se sabotou da melhor forma possível. Até lá!

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