O que resulta de uma sinopse interessante, mas uma execução mediana? Shichisei no Subaru. Isso quer dizer que a estreia foi ruim? Não, já que fizeram o básico razoavelmente bem feito e se ainda não deu para se envolver com os personagens ou com seus dramas, ao menos o cenário para isso foi construído. Se nem um game over é o final, então eu vou começar a criticar essa anime do começo!

Six Senses of the Union.

Shichisei no Subaru, ou Seven Senses of the Reunion, é adaptação de uma light novel que está sendo lançada desde 2015, e conta a história da lendária party Subaru em um MMORPG chamado Union. Contudo, em um dia fatídico, uma das integrantes do grupo recebe um game over – o qual apaga o login do jogador – no jogo e logo depois morre na vida real, causando o encerramento do jogo e a separação do grupo. Muito tempo após o acontecido, Haruto, um dos integrantes dessa party, loga em um jogo chamado Reunion e lá se encontra mais uma vez com sua amiga de infância, falecida há exatos seis anos.

Por via das dúvidas, nunca morra em um jogo com VR, fica a dica.

A sinopse é bem interessante e dá abertura para trabalhar o drama da amiga morta que por algum motivo apareceu no novo jogo. Ela vai atormentar seus amigos ou voltou à vida para ajudá-los a se livrarem de seus arrependimentos e culpa? O jeito gentil da simpática Asahi deixa claro que não há outra escolha senão a última, e é a partir daí que o drama da Asahi deve ir sendo melhor explorado, se ele será bom ou não só o tempo dirá, mas a forma como um dos garotos da party reagiu à morte dela, além da expressão atormentada de outros integrantes, indica que há muito a ser curado neles.

A interação entre os protagonistas foi bem normal – não fugiram muito de seus estereótipos – e não teve como conhecê-los melhor ou se apegar tanto – apesar de ter sido fácil entender suas personalidades –, o que para uma estreia é compreensível, mas tem que mudar no próximo episódio, afinal, há um mistério entre o Haruto e a Asahi que foi omitido, o que pode ter a ver com o renascer da garota. E não foi apenas isso, mas ela, o Haruto e a Satsuki entraram em uma espécie de triângulo amoroso antes da tragédia, e olha que legal, as duas são amigas de infância. Isso não é tão clichê, né?

Quero ver se esse drama vai ser bem trabalhado ou não.

Pelo menos isso não foi tão clichê, porque de resto a história não apresentou um grande diferencial, tirando um pouco o que cerca o MMORPG que eles jogavam, pois não era apenas diversão, era uma chance de conseguir uma boa oportunidade de estudo e/ou trabalho, o que até justificou um pouco crianças tão jovens já jogarem um jogo online buscando alcançar o topo. Além disso, o que seriam os tais senses? Por que só quem tem eles é que pode jogar? É uma habilidade especial que os distingue de outros humanos? Se for, como ela surgiu? Quem costuma ter um sense? Há lago mais além disso?

Não só o mistério que cerca a volta da Asahi, mas essas informações importantes para a construção de mundo também ficaram no ar e precisam ser respondidas eventualmente – e logo, de preferência. Também tem o que a Asahi pediu para o Haruto, o que não me pareceu uma declaração e nem ficou claro se era algo nesse sentido, pois ela tinha acabado de ver a Satsuki dar algo para o garoto. Seria muita falta de tato – a garota teria que ser muito tapada ou um pouco leviana – se ela tentasse algo com ele quando estava na cara que a amiga tinha um carinho especial por ele. Aliás, todos eles ali eram crianças, o próprio sentimento amoroso da Satsuki talvez ainda nem tivesse forma definida na mente dela, é possível – ainda que seja difícil – que tudo não tenha passado de um mal-entendido e que eles ainda não tivessem uma certa malícia para lidar com os pormenores dos relacionamentos.

A cara dela não ajuda a defender o meu ponto, mas vamos ver o que a história entrega, né…

Tudo isso ficou para ser explorado mais à frente no anime. Como apresentação dos personagens e da situação problema que norteará a obra esse episódio foi eficiente, mas não se destacou em nenhum ponto sensível – produção técnica, roteiro, personagens, mundo, etc –, no máximo teve um ou outro bom acerto em cada quesito. Aquele CG realmente foi bem fraco, mas a animação normal até que foi boazinha. O problema realmente foram os clichês que tornaram o acontecimento no final e/ou um possível interesse sobre o jogo – algo difícil de acontecer em uma época abarrotada de animes que possuem um MMORPG na história – os únicos pontos que podem provocar a volta do telespectador.

Seven Senses of the Reunion?

No próximo, o anime terá que se provar novamente, mostrar que não é apenas um clichê sem nada de interessante caso queira que seu público veja o terceiro e assim por diante. Claro que há pessoas que não têm problemas com histórias completamente clichês – eu não tenho se eu já conheço a obra de antemão, o que não é o caso, e vejo algo legal nela –, mas isso não é mais assim tão comum. Há muitos animes para assistir na temporada, então os mais fracos têm menos público – ao menos os mais fracos que não têm nada de atrativo para o telespectador. Uma estreia mediana, mas com potencial para o que pode ser um bom anime, o qual comentarei para vocês aqui no blog!

Melhor tesouro possível: encontrar a amiga de infância morta em um jogo.

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