O que esperar de um anime original do autor de Hoshi no Samidare, ou Lúcifer e o Martelo, que é o nome com o qual o mangá saiu no Brasil pela JBC? Algo que beba muito dessa fonte ou que em nada lembre a obra mais popular de Mizukami? Por (ainda) não ter lido esse mangá não sei o que teria a comentar disso, o que é até bom porque não me prenderei ao passado do criador por trás de Planet With e sim ao presente e o que ele está tentando fazer de legal ou não com esse anime original que mescla sci-fi, mecha e uma pitada de mistério. Vamos acompanhar Kuroi em sua estranha jornada?

Dá pra supor fácil o que é esse flashback dele, mas prefiro deixar o anime responder mesmo.

Fico me perguntando por que não adaptar logo o mangá mais bem criticado desse autor, mas colocar ele para escrever um anime original. Será que é porque não tinham verba para fazer dois cours? Não duvido, mas a verdade é que Planet With se aproveita de dois gêneros que nunca saem de moda – ao menos não completamente – que são o mecha e sci-fi. Quem não gosta de ver robôs se batendo? Só é uma pena que seja em CG, e em um CG que nem é ruim, mas não se misturou tão bem ao fundo 2D.

Gostei da abordagem dos mechas, já do CG nem tanto, mas não tá horrível também, né…

Deixando isso de lado, a história começa com um garoto que sofre de amnésia e vive com uma maid super estranha e um gato de pelúcia(?), que eu imagino que ele tenha achado que era um esquisitão vestido assim por diversão e por isso não encucou com o assunto. Uma família tradicional japonesa e um primeiro dia de aula na escola nova. Tinha como algo dar errado? Um OVNI trouxe essa resposta!

Não, não estou sendo sarcástico porque não gostei do anime. Diria até que é o contrário, o problema é que essa estreia não me passou tanta segurança assim de que esse vai ser um bom anime. A minha impressão pode mudar de acordo com as revelações que forem feitas, é verdade, mas considerei a forma como o anime começou perigosa. Aliás, o pequeno plot twist do protagonista não lutar contra o OVNI e sim contra aqueles que combatiam o objeto foi bom e menos preguiçoso do que seguir só o básico, mas essa cadeia de intrigas tem que ser bem desenvolvida para valer esse risco que correram.

Garotas sérias de óculos e de personalidade interessante têm 110% de chances de roubar meu ❤!

O que é a tal Nebula? Quem exatamente são os Changemen que combatem a ameaça alienígena? Quem é o Changemen do flashback do protagonista? É seu pai? Então, por que o garoto que acabar com eles? O que é o pó que estava no frasco? Acredito que já no próximo episódio algumas dessas perguntas devem ir sendo respondidas e aí ficará mais fácil qualificar as tomadas de decisão do Mizukami-sensei quanto ao roteiro. Por ora, posso dizer que praticamente todo o resto me agradou.

A animação estava boa, a trilha sonora também, os designs são bonitos e tentaram desenvolver um pouco três dos personagens que devem ser os principais – Kuroi, Ta-ka-ma-ga-ha-ra-san e o tal do Hideo – de forma natural e dinâmica. Toda a situação do OVNI serviu para sacar os Changemen da cartola e fazer a conexão entre o passado do protagonista adorador de carne e seu presente. Kuroi precisa agir, deve roubar o poder dos heróis e ao lembrar de alguma coisa essa luta passa, ou volta, a ser dele. Quem Kuroi era antes de perder a memória? Por que ele quer encher os heróis de porrada?

Achei interessantes as ilusões do OVNI e a história desse personagem. Quero saber mais sobre ambos!

Espero que a resposta seja boa, que o criador de Planet With não entregue explicações fáceis – nem acho que sejam possíveis se for para a história ter o mínimo de consistência e ser boa como pode ser. Temo porque gostei da obra, mas acho que no geral a estreia foi promissora. Não se aprofundou em personagens nem em construção de mundo, mas soube encontrar certo equilíbrio entre ambos a fim de aguçar o interesse do telespectador por respostas, por saber quem está errado e quem está certo.

Essa é a Samidare, protagonista de Lúcifer e o Martelo. A mão da referência chega a tremer, hein?!

Mas se a história realmente não tiver intenção de ser plana, não duvido que ambos os lados tenham bastante razão quanto a algumas coisas e muito pouco quanto a outras. Resta saber se isso será bem trabalhado e renderá um bom anime, não é mesmo? Será que o Kuroi ser doidinho por carne não é apenas uma característica – um dos clichês mais comuns em diversas histórias – qualquer destacada, mas sim um traço de personalidade que deriva de alguma experiência passada? Será que Planet With não deixará a peteca cair, mas usará bem seus elementos para entregar algo com personalidade? Só o tempo dirá, mas espero que tenham se interessado por acompanhar Kuroi em sua peculiar jornada.

Os heróis fizeram m*rda pra virarem heróis, então? Essa treta eu quero ver!

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