Com um belíssimo primeiro episódio, Hanebado trouxe uma história com personagens que possuem algum tipo de problema. Já o segundo foi especialmente focado em apresentar e solucionar o obstáculo que Aragaki enfrentava desde seu encontro com Hanesaki. No mais, gostaria de expressar a minha extrema satisfação com a animação desse anime, afinal, são 20 minutos que me deixam muito mal acostumado.

Desde o início, a obra nos apresentou dois extremos: Aragaki, que representa as pessoas sem talento e Hanesaki, que representa as pessoas com talento. A primeira sempre teve todo o seu esforço subestimado por conta de suas qualidades físicas. Para compensar isso e mostrar às pessoas que havia muito esforço depositado em seus resultados, Aragaki sempre se dedicou ao máximo. E tudo estava correndo aparentemente bem até seu encontro com Hanesaki e sua humilhante derrota. O episódio deixou bem claro em seu decorrer que seu problema era mais antigo que o revés sofrido, e que poderia ser desencadeado a qualquer momento. Com o passar do tempo, o estrago do choque que a derrota desencadeou se intensificou até receber mais um: Hanesaki está em sua escola, e pior, não tem vontade de jogar badminton. Podemos facilmente concluir que o mundo da Aragaki simplesmente ruiu, pois ela que sempre amou o esporte e se esforçou para ser reconhecida, havia sido surrada por alguém que, apesar do talento, não possuía a mesma paixão pelo esporte (aparentemente, é claro).

Sua negatividade em relação a realidade aumentou. Como se não bastasse, ela estava cada vez mais “cega” sobre si e seu arredor, atrapalhando seu desempenho, o clube e até mesmo sua relação com as pessoas. Como vimos no episódio passado, alguns integrantes já haviam abandonado o clube por conta de suas atitudes ditatoriais, novos alunos tinham perdido o interesse e no final de contas, o clube estava com seu futuro incerto pois caso continuasse daquela forma mais integrantes poderiam sair. Mas nem tudo estava perdido, afinal, a entrada de um técnico que possuía experiência poderia mudar a situação por completo. Foi o que aconteceu. Tachibana Kentarou, o técnico, diferente da impressão inicial, era muito mais que um alívio cômico perante a situação e o clima instalados no clube. Ele entende a frustração de Aragaki, tem uma ótima visão para descobrir as deficiências de cada um e ajudá-los a evoluir, detalhes que foram mostrados por meio de suas ações em relação a Aragaki. Ele teve problemas similares à ela mas conseguiu superar e fazê-la entender qual era seu erro. No fim, ela nunca teve reais problemas por conta da sua falta de talento e sim tinha um grande inimigo que a impedia de avançar. Esse inimigo era ninguém mais ninguém menos que ela mesma com seu complexo de inferioridade desenvolvido com o passar do tempo. Enfim ela teve seu problema resolvido e esboçando uma nova fase em sua vida, ela não só aperfeiçoou seu desempenho como também melhorou a relação com seus colegas de clube.

Agora, depois do desenvolvimento de Aragaki, eu realmente gostaria de saber quais são os motivos de Hanesaki. Infelizmente tivemos apenas alguns flashbacks que não mostraram absolutamente nada relevante, e suas atitudes vêm sendo de certa forma irritantes. Até o momento ela simplesmente parece uma pessoa absolutamente sem graça que não possui vontade própria e apenas segue sua amiga Elena. Inclusive, essa amiga vem sendo muito mais interessante e importante por insistir que Hanesaki jogue badminton e vença seus traumas ou seja lá o que for. De qualquer forma penso que a obra vem numa crescente muito boa e coerente, sem apelar para detalhes forçados como em Haikyuu, onde temos um protagonista baixo (principalmente para a função que exerce no esporte) realizando feitos que muitas vezes carecem de coerência. O realismo dos dramas vividos pelas personagens e a forma como eles são tratados me parece ser bem trabalhado para que não pareça forçado ou facilitador para que a história ande. Por outro lado, é visível que há uma “pressa” em terminar esse desenvolvimento da Aragaki para iniciar o desenvolvimento da personagem principal, a Hanesaki.

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