Logo no começo do episódio somos apresentados a Seiji e Okou, dois irmãos de criação que gerem uma loja que aluga objetos no período Edo – não explicam no episódio, mas devido a incêndios e inundações, além de ser época de guerra, as pessoas tinham o costume de alugar materiais de uso cotidiano. Contudo, alguns desses artefatos não são mais simples objetos, mas sim tsukumogamis, youkais que ganham vida devido ao cuidado afetuoso de seus donos em um longo período de tempo. O anime acompanhará o dia a dia dos irmãos, e dos tsukumogamis, resolvendo “casos” na Izumoya.

Todo esse primeiro episódio tratou justamente de um caso com certo teor investigativo que acabou na mão dos irmãos devido ao trabalho deles na loja. Esse deve ser o tom do anime? Provavelmente, já que a prévia do segundo episódio dá a entender que outra pessoa pedirá ajuda a eles para resolver algum caso envolvendo um objeto que ganhou vida. Um anime de natureza episódica que já no início apresentou aquele que deve ser seu principal núcleo, os irmãos e o grupo de cinco tsukumogamis, o que, junto a um caso que usou bem de todos esses personagens, foi uma boa amostra da proposta sem esquecer de dar a entender que quanto aos irmãos algo “a mais” pode ser trabalhado não só em seus relacionamentos, mas também quanto a um objetivo sem relação direta com todos esses casos.

Só eu acho que eles formariam um casal fofo? Dane-se esse lance de serem irmãos de criação.

Acredito que aos poucos, caso a caso, os protagonistas serão desenvolvidos e poderemos entender melhor o que querem, mas se isso terá relevância ou não dentro do anime só podemos esperar para ver. De certo, só posso afirmar que se mantiver a qualidade da estreia será um bom entretenimento semanal, pois os personagens são bastante agradáveis e apresentaram personalidades bem distintas – principalmente os cinco tsukumogamis –; a parte técnica não saltou aos olhos, mas foi consistente; o caso apresentado teve um desfecho apropriado – ainda que nada surpreendente –; e a sutileza com a que a relação dos irmãos, assim como o objetivo em comum deles, foi abordada, me faz crer que um possível drama envolvendo os dois possa vir a ser explorado de forma proveitosa a história.

Ficou claro que o Seiji nutre sentimentos amorosos pela irmã, mas que, devido ao vínculo familiar, ele não tem coragem de contar para ela. Quanto a ela, não senti um interesse amoroso tão óbvio, mas fiquei com a impressão de que ela também gosta dele. Acho que eu não ter entendido tão bem a personagem, como entendi o Seiji, se deveu a ela ter tido menos destaque do que ele, o que não me agradou muito e talvez seja a única coisa que me incomodou nesse episódio. Todos os insights investigativos ficaram por conta do irmão – ele foi praticamente o cérebro da dupla –, mas o que sobrou para ela? Ser um rostinho bonito? Fazer as tarefas domésticas e ajudar a cuidar da loja? Acho que seria mais interessante se ambos dividissem essa função de ter um raciocínio acima da média.

Acho cedo para problematizar essa situação como sendo uma subvalorizarão da personagem, afinal, esse foi apenas o primeiro episódio e a Okou ainda pode mostrar ter talentos tão úteis quanto os do irmão – apesar de eu duvidar disso. Eu poderia justificar esse “desequilíbrio” quanto a utilidade dos personagens por meio do contexto social da época na qual se passa a história, mas ainda que seja o homem aquele a tomar as rédeas das situações, isso não implica que o papel da mulher precise ser pouco ou nada relevante para a resolução do problema vigente. A cena final em que o Seiji relata ao contratante tudo o que ele descobriu não me incomodaria tanto se eu tivesse tido a sensação de que a Okou foi mais útil para que ele tivesse chegado a tais conclusões – mas infelizmente não foi assim.

De resto, só posso indagar com curiosidade, quem ou o quê é esse tal Suou? Um tsukumogami? Uma pessoa? Creio ser a primeira opção e é óbvio que esse Suou é importante para eles. Talvez ele lembre aos dois de seus falecidos – suponho – pais? Ou seria ele um amigo de infância com o qual perderam contato? Enfim, quer sejam as circunstâncias, esse tsukumogami é a chave, além da possibilidade de romance entre os dois, para aprofundar os protagonistas além das limitações da estrutura episódica.

Okay, ela foi útil aqui e acolá, mas eu achei pouco em comparação ao irmão.

Antes de me despedir, não poderia deixar de comentar que gostei bastante dos cinco tsukumogamis, da interação entre eles, de seus receios e de suas curiosidades. A forma de agir deles lembra muito a de um humano, então era importante que a empatia com eles fosse facilitada. O bom destaque que recebem na abertura deixa claro que eles terão quase tanta importância quanto tem os dois irmãos.

Até a fofoca deles foi útil para resolver o caso, e quer coisa mais humana que falar da vida alheia? Se você gosta de animes com youkais esse com certeza é uma boa pedida – outro anime de youkais que tem recebido críticas bem positivas é o Gegege no Kitarou, o qual inclusive tenho que arranjar tempo para assistir. Se você não gosta de animes dessa temática indico que dê uma chance a Tsukumogami Kashimasu, pois deve ser cativado por esses seres tão fascinantes que enriquecem o folclore japonês.

As verdadeiras estrelas dessa história!

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