Domestic na Kanojo teve sua adaptação para anime finalizada recentemente e esse artigo tem como objetivo ser uma espécie de guia sobre o mangá. Claro que eu irei “falar” um pouco sobre as diferenças das mídias e algumas outras coisas, mas no geral, a meta é informar. Caso você tenha interesse, temos outros artigos nesse estilo sobre outras obras e logo mais teremos de Gotoubun no Hanayome, outro anime que foi finalizado recentemente.

Domestic é um mangá publicado desde 2014 na revista Shuukan Shounen Magazine. Conta com 215 capítulos (em inglês) e pouco mais de 160 em português, tudo isso compilado em mais de 20 volumes e em andamento. É escrito pela autora Sasuga Kei (Sasaki Keiko é o nome real), que também escreveu o ótimo mangá Good Ending (2009-2013), sua obra anterior, e o one-shot Medicine (2013). Já a adaptação para anime ficou em cargo do estúdio Diomedea que fez um trabalho ok e vamos tratar disso agora.

Como um fã da obra que acompanha ambas as mídias, recomendo que leia tudo do começo. O mangá tem capítulos especiais bem legais (e alguns bem explícitos) que provavelmente não vão ter uma versão animada e a experiência de ler tudo e ter uma compreensão mais cheia e completa da obra é muito recomendável. O traço pode não ser do agrado de alguns, mas evolui com o tempo se tornando muito bonito.

Quem conhece o mangá ficou decepcionado com a adaptação. O desenvolvimento é corrido e não agrada tanto, além de alguns cortes ou mudanças que não ajudaram a obra. Porém devemos considerar que se o anime fosse seguir o mangá fielmente, não iria atingir um bom ponto para finalizar. Para se ter ideia, o capítulo 6 corresponde ao episódio 3, o capítulo 11 está no episódio 5, o capítulo 15, no episódio 7 e por aí vai. Logicamente, a obra possui alguns cortes que inclusive contêm partes interessantes e que até poderiam agregar à obra de alguma forma.

Inclusive as capas dos volumes são muito bonitas e será que seria pedir demais o mangá por aqui?

Temos por exemplo uma ida do Natsuo para a casa da presidente do clube de literatura que não iria agregar em quase nada (apesar de ser divertido), porém, logo em seguida, temos uma viagem para as montanhas em que temos o pessoal do clube de literatura e a Hina (tem a irmã mais nova da presidente do clube), tudo isso lá pelo capítulo 25. E esse arco tem momentos importantes pois nele há uma boa construção da questão da Rui descobrir que gosta do Natsuo, resultando em uma confissão dela. Por outro lado, a Hina descobre da relação entre o Kiriya-sensei com o Shuu e com isso, fica sabendo de seu divórcio.

Inclusive o Kiriya-sensei acaba sendo o grande pivô de um arco que envolveria um escândalo dele. Logicamente, foi apenas uma mentira, mas que causou certos problemas para ele e nos fez conhecer melhor o personagem. Inclusive, temos o festival cultural que é ignorado por completo e creio que muito por conta do arco do Kiriya. Ao menos o final do anime é similar ao mangá mesmo que tenha diferenças importantes, como por exemplo um pedido da Rui para que o Alex beijasse ela (algo que não acontece) ou mesmo alguns acontecimentos da viagem para Okinawa, que infelizmente foram reduzidos ao ataque do Alex bêbado e do encontro da Hina com o Natsuo.

Por fim, temos o descobrimento da relação deles pela mãe da Hina e da Rui. No anime, ambos, pai e mãe, ficaram sabendo após o escândalo no colégio, porém, no mangá, apenas a mãe sabe por conta de sua intuição. E o colégio descobre lá no capítulo 62 e aí começam os eventos que antecedem o término do namoro e a ida da Hina para longe. Enfim, dá para “dizer” que o anime adaptou de certa forma em torno de 70 capítulos, deixando muita coisa importante de fora e sendo uma obra bem mais rasa que seu original.

Inclusive, essa é a grande diferença entre as duas mídias, a profundidade. No anime, temos uma relação superficial que acontece do nada entre Natsuo e Hina, ficando difícil de acreditar nos sentimentos dela. No mangá, há uma construção até que demorada dessa relação e de vários outros acontecimentos importantes que não poderiam ter sido tirados. A versão da Hina do anime é bem diferente da Hina do mangá (assim como outros personagens) e essa diferença é uma perda enorme.

E no que toca aos acontecimentos pós anime, eu não irei revelar muita coisa, pois vale mais a pena você, caro leitor, ler por si só. Mas para fazer um breve resumo, Natsuo e Rui vão eventualmente namorar e claro, terão seus altos e baixos. Atualmente, o Natsuo está na faculdade e no clube de teatro, enquanto Rui inicia seus primeiros passos na gastronomia, profissão escolhida por ela. Outro ponto interessante é que a Hina acaba voltando para casa um tempo depois e consegue dar uma incendiada no lugar, ainda que seja de certa forma uma carta fora do baralho.

No mais, temos alguns acontecimentos interessantes, uma nova garota que gosta do Natsuo e os problemas da vida adulta, além da sombra da Hina, que consegue perturbar a Rui por um tempo, afinal, ele é muito insegura. Enfim, aparentemente a obra está em sua reta final (“dizem” por aí que a obra vai ter em torno de 250 capítulos) e nem muito mais o que inventar além de dar um final apropriado, algo que a autora é uma especialista no assunto (ao menos ela fez um ótimo final em Good Ending).

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    Excelente análise Kirath! Concordo com a direção em ter cortado a ida do Natsuo na casa da Mio, mas no restante dos casos ficou muito ruim os cortes, principalmente na viagem do clube de literatura onde há um desenvolvimento bem interesse entre os personagens e a crise de choro da Rui, outro coisa que me deixou incomodado foi o festival cultural ter ficado em flashbacks e personagens importantes na primeira parte aparecerem o pouco como a Momo (foi bom a um ponto pq a voz dela era irritante kk).

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    Dentre todas as decepções, a da voz da Momo foi uma das grandes kakaka. Mas sim, é uma pena que tenham tirado partes realmente importantes da obra.

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    Eu fico imaginando como deve ter ficado a autora sabe porque ela criticou a animação do ep 11, o anime quis focar no drama entre os irmãos então nada de desenvolvimento em personagens secundários como: Mio (no mangá vc ficava será que ela gosta do Natsuo antes de focar em quem ela gosta mesmo), Momo, Kyria e o Al (podiam ter focado no pq ele beijou o Kyria e o Natsuo e aprofundado isso). Obrigado por me responder sempre é ótimo conversar contigo :), viste a entrevista do autor de Gotoubun? Ele rejeitou a ideia de final harém e a Itsuki ser a heroína principal.

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    Digo o mesmo, é sempre bom saber dos pensamentos dos leitores XD.
    Sinceramente eu acho que ela deve ter ficado insatisfeita por um lado e por outro, talvez isso tenha ajudado o mangá pois todos estão dizendo para ler ele e ignorar o anime.
    E sim, eu vi a entrevista e confesso que fiquei um pouco decepcionado com alguns comentários dele. O final harém está longe de ser o ideal mas trabalhar com a dispensa de 4 das 5 irmãs é uma tarefa difícil que eu nunca vi algum autor conseguir (e nem boto fé nesse). Sobre a Itsuki, como eu já expressei anteriormente eu nem gosto tanto assim dela então isso me parece bom (só falta dispensar ela logo).

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    Grande K. excelente resenha….Bem que eu estava meio “incomodado” com DK, não é que estava chato o anime. Mas digamos tava bem “novelão” (aquela coisinha meio formulaica e até previsivel), até o momento que vc lê o mangá…Caramba!!! Como é que perderam tanta coisa boa!!! E no manga a coisa deixa de ser “agua com açucar” para virar drama na veia!!! Não beira, mas costeia aquele filme KIDS de 1995…Um abraço!!!
    E esperando ansiosamente por Carole & Tuesday dia 10/4!!! Ahhhhhhhh….Esse quem vai ser o resenhista? Conta conta vai…

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    Sim, Domestic de fato é bem mais dramático e bem construído no mangá, não atoa a obra anterior da autora é simplesmente ótima.
    Já sobre Carole & Tuesday, eu sinceramente não sei quem vai resenhar (estou no páreo mas esse provavelmente será concorrido).

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    Não assisti todos os ep do anime, na verdade parei no 2, mas se você diz que eles abordam o romance dele com Hina superficial acho que fizeram bem! Nunca consegui ler o mangá e aprovar ou interagir com o romance deles dois, achei o típico romance adolescente com paixonite e desejo pela professora e professora imatura! Não consigo simpatizar com a personalidade de Hina que mais parece um fetiche masculino…. A interação dele com Rui sempre move o mangá, direções certas ou erradas acredito que ela seja a verdadeira protagonista da história, o que resta esperar para ver o final. Uma coisa é certa a Rui é a melhor garota do mangá ficando ou não com o lesado do Natsu. Claro que torço pelos dois afinal ele é o protagonista masculino mas definitivamente é mais porque a Rui merece “MELHOR final”!

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    Confesso que eu até gostava da Hina quando tive o primeiro contato com a obra. Depois já comecei a perceber que o buraco era mais fundo e a personagem foi perdendo a “graça”. Fato é que a Rui é sim bem melhor que ela e como você escreveu, é a melhor personagem feminina. Já a Hina é um combo de fetiches ambulante, sendo irmã+irmã mais velha+professora e mais alguns que daria para incluir.

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