Bom dia!

No final do episódio anterior o Enta beijou o Kazuki enquanto ele estava adormecido de cansaço em um banco na rua. Acredito que antes disso já estivesse suficientemente claro quais eram seus sentimentos, mas um beijo é um beijo.

Nesse episódio, ele não foi mais longe do que isso ainda – exceto em suas ilusões. E revelou-se também um pouco sobre a história deles.

 

A pose que era marca registrada de Enta e Kazuki, quando jogavam juntos

 

O “item” do episódio foi “namorado”. Na verdade, na verdade, foi “beijo”, com a pronúncia ajaponesada da palavra em inglês “kiss”. Aparentemente isso é parecido com o nome de algum peixe em japonês, razão pela qual foi traduzido para o português como “namorado”, nome de um peixe sulamericano. Funcionou no geral, mas ficou meio estranho quase o tempo todo. Bom, traduzir trocadilhos nunca é fácil.

Em todo caso, a “namorada” em apuros não poderia ser outra senão Otone, a irmã do Enta. Esses irmãos têm sérios problemas para escolher parceiros. O dela, no caso, era um playboy que ficava com várias garotas sem amar nenhuma, e talvez fosse também um criminoso que as matasse, dada sua passagem pela polícia. Só melhora!

 

A Otone é fofa, com boca em forma de coração e tudo, mas aquela baba ali no canto indica que amor não é uma coisa limpinha

 

Quanto ao Enta, ele ainda tem a mente mais pura … ou tenta, pelo menos. Quero dizer, enquanto Otone estava pensando se deveria beijar seu namorado, Enta já tinha ido lá e beijado o Kazuki, mas foi no impulso e ele tenta se convencer que não precisa de nada carnal com seu amigo.

Na verdade parece que é só um mecanismo de defesa dele. É um relacionamento “estranho”, não é? Garoto com garoto e coisa e tal. E ele está na idade de começar a descobrir sua sexualidade. Via de regra, nunca é fácil para um adolescente homossexual aceitar sua condição e admiti-la publicamente, principalmente se a descobre percebendo-se atraído por um amigo. Eu já vi isso acontecer, é bem mais dramático do que o Enta faz parecer.

Assim sendo é mais fácil nunca se revelar e apenas aceitar a relação deles como ela é. Enta estava determinado a isso, o problema foi que o Kazuki o “abandonou” saindo do time de futebol.

 

Enta se debate após ter beijado Kazuki. Por que ele fez aquilo?

 

É muito interessante ver, através do Enta, o que o amor é capaz de fazer a uma pessoa. Por um lado ele diz que não há ninguém que saiba mais sobre o Kazuki do que ele, mas por outro há coisas que ele mesmo não sabe, admite isso e não faz questão de saber mais – o Kazuki já está ótimo do jeito que ele o conhece. Isso não é inofensivo.

Ele usa o argumento de que ninguém conhece o Kazuki melhor do que ele para justificar suas ações, afinal. Não estou duvidando da atração ou mesmo da boa-fé do sentimento do Enta, mas ele é muito novo, até há pouco ainda era uma criança, não entende nada, provavelmente está mais apaixonado pela ideia de estar apaixonado do que pelo Kazuki em si. Enta não pretende mal nenhum, mas é extremamente egoísta e ciumento.

E ele não é sincero consigo mesmo quando diz que só quer ser parceiro do Kazuki no futebol. Como já escrevi, isso é só um mecanismo de defesa ativado pelo medo da rejeição. Ele roubou um beijo do Kazuki, ora!

O Enta está tão enfeitiçado pelo Kazuki que tem delírios à luz do dia. E quando efetivamente estava tão próximo do Kazuki quanto diz pretender estar agora, ou seja, quando os dois estavam juntos no futebol, ele não estava de verdade satisfeito só com aquilo, não.

Ou senão, por que ele precisou cheirar a camisa usada do Kazuki? Ou senão, por quê, na metáfora visual mais hilária do anime até agora, bem melhor do que todas as piadas de bunda, por que Enta tocou a flauta do Kazuki? Quem sabe o que isso significa, entendeu, quem não sabe, esse artigo resguarda sua inocência, não vou contar não.

A graça toda é que o Kazuki passou o episódio inteiro entendendo errado as óbvias demonstrações de amor romântico do Enta. Sarazanmai trata de assuntos sérios, mas não quer deixar ninguém melancólico. A galhofa entretém e o tema pesado fica mais leve, mas ainda importante.

 

 

De resto, duas coisas importantes sobre esse episódio. Primeiro, os policiais parecem estar perdendo a paciência com as intervenções dos garotos – e, mais do que eles, parece que quem quer que esteja por trás deles (aliens??) está realmente perdendo a paciência. Não dá para especular nada sobre isso ainda e eu não vou nem tentar.

A segunda coisa é quê, falando em especulações, mando um agradecimento aqui ao Daniel, que comentou essa dica no artigo do episódio anterior: o Haruka nunca apareceu andando e na casa deles há barras de apoio. Mesmo quando saíram ele não andou ou sequer mexeu as pernas sentado que fosse (crianças com as pernas penduradas não costumam parar quietas). E pediu para o Kazuki esperá-lo para saírem juntos. Seria ele paralítico?

Sim, ele é paralítico, o final desse episódio confirma que ele anda em uma cadeira de rodas super-colorida. É interessante como o Kazuki parou de jogar futebol por causa do Haruka, mas o Haruka preferiria que ele continuasse jogando. Esse tipo de situação costuma surgir quando falta comunicação.

 

Enta empurra a cadeira de rodas de Haruka

 

E falta mesmo, sabemos bem disso, não é? O Kazuki está enganando o irmão fingindo ser outra pessoa para agradá-lo. E funciona, mas em parte quanto disso não é auto-satisfação ou auto-expiação também? Suponho que o anime irá se aprofundar na história dos dois em breve.

Será o Kazuki responsável pela paralisia do Haruka? Provável. Quem sabe o item do próximo episódio não é cadeira de rodas ou irmãozinho ou algo assim, não é? Seria uma boa oportunidade para esclarecer isso de uma vez.

Até lá!

 

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