Shigure, como eu o descrevi alguns episódios atrás, tem “olhos de cigano oblíquo e dissimulado”, e neste episódio mostrou como ele realmente é. Apenas Hatori sabe de sua verdadeira essência, porém só faz questão de dizer ao cão o que poderá vir das atitudes cruéis dele.

Não é à toa que Shigure está sempre sorrindo. Aquele que sabe esconder o jeito de ser age sempre com destreza, e o sorriso faz com que tudo o que tem dentro dele venha para fora como uma pontada no coração, de tão doloroso que chega a ser.

Shigure é uma criatura vil e completamente ciente do que suas atitudes podem vir a causar, porém já não consegue se desvencilhar dos seus sentimentos cruéis. Acredito que ele tenha um ponto fraco com pessoas de bom coração, assim como a Tohru, e por isso que tenta usá-la da melhor forma que consegue.

Um gesto inocente que o tocou de certa forma.

No caso, ele é o mediador entre os integrantes da família Souma que não vive na casa principal e Akito, que está sempre doente. Por conta da saúde debilitada do mancebo, Shigure se vê na obrigação de cuidar de uma forma que o faça parecer apaziguador de tudo o que aconteceu desde que a Tohru chegou em suas vidas.

Além disso, Shigure também se vê na obrigação de afastar Yuki e Kyou de Akito, e tudo está seguindo conforme a sua música. Claro que Tohru é quem os está aproximando, porém o papel do cão é ainda mais complexo que se imagina. Ele gosta de tratar as pessoas que considera inocentes e fracas de uma maneira completamente enganosa.

Shigure é totalmente escorregadio em situações que exijam a sua presença, que é o caso de quando a sua editora apareceu desesperada na porta da casa dele, porém é bem malvado quando quer ser, e foi com o cutucão que deu no Kyou que se percebe que o cão pode ser tão traiçoeiro quanto qualquer um dos doze signos.

O momento em que Shigure pergunta o porquê Kyou odeia Yuki, como se fosse sua obrigação.

No entanto, tirando essas cenas em que Shigure se lembra do quão vil são esses sentimentos que moram dentro dele e que não quer se livrar deles para conseguir tudo o que deseja, acabou tendo um encontro duplo entre Tohru, Yuki, Kyou e Kagura.

O fato de ter mostrado mais sobre como o cão pensa da sua vida do que o encontro duplo foi mais importante que se imagina, porque aí se pode perceber o verdadeiro caráter de alguém que, na verdade, não está nem aí para os outros. Shigure é a pessoa mais importante para si mesmo, e não se importa de dizer isso.

Ao final, o homem que tenho tanto falado acabou cuidando de Akito no lugar de Hatori. Isso era para mostrar que, mesmo longe do “deus dos doze signos”, ele ainda sente a necessidade de mostrar que não está tão distante assim, que ainda depende daquele ser tão indefeso, tão presente e tão desprotegido.

Shigure também mostra que Akito depende dele ainda mais que qualquer pessoa, e o objetivo é manter para si pessoas que pareçam depender dele, mas na verdade ele que as manipula para pensar que seja alguém bondoso.

Como manipular alguém mais fraco que você.

Infelizmente, ele é um dos personagens que menos gosto em Fruits Basket por conta de sua falsidade e o que o levou a ser assim, principalmente por ser mediador entre as duas casas e Akito, porém em toda história de aceitação sempre precisa ter alguém para sair da caixinha dessa forma.

Muito obrigada por ler este artigo até o final, nos vemos no próximo! o/

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    O que eu acho mais irônico é que o cão, no caso o Shigure, símbolo de amizade, bondade e honestidade no horóscopo chinês; possa ser uma pessoa tão dissimulada, falsa e manipuladora, não medindo os meios para conseguir o que quer. Entretanto, por alguma razão , nunca consegui sentir raiva do Shigure até mesmo quando li o mangá. Eu só consigo pensar que logicamente ele não presta, mas não existe o sentimento de desgostar na verdade . Vai saber ¯\_(ツ)_/¯

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