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É, Atom: The Beginning acabou, definitivamente acabou. Qual a mensagem que tivemos no final de tudo? Eu não sei (?). Pode ser burrice minha, falta de interpretação ou uma simples falta de atenção da minha parte, mas não posso afirmar algo que não tenho certeza. Certo, eu entendi tudo o que Atom: The Beginning tentou apresentar, e de certo modo, os conceitos foram bacanas — isso não posso negar — mas também é óbvio que não foram muito bem desenvolvidos ou sequer concluídos. Então, no final, o que foi Atom: The Beginning?

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Você conhece, ou melhor, você sabe o que exatamente é uma “Crise Existencial”? Para início de conversa, de onde surgiu essa tal crise? Por que ela existe? O QUE É UMA CRISE EXISTENCIAL? Bem, dentro do campo filosófico conhecido como “Existencialismo” existe um tema conhecido como “Crise Existencial”, e é daí que esse tema ascendeu.

Provavelmente, todos os seres humanos em algum momento tiveram — ou terão — uma crise existencial. No caso, uma crise existencial — assim como o próprio nome já diz — é uma crise com relação a existência. Existência de quem? A sua existência. Qual o sentido da vida? Qual o propósito de continuar vivendo? Quem sou eu? O que eu represento para o mundo? A resposta pra isso tudo? Sei lá! Mas… qualquer um pode ter uma crise existencial? Não…? Na lógica, apenas seres humanos são capazes para sofrerem com a própria existência. Porém, Six — um robô — é atormentado pela sua própria existência. E então? É um robô sofrendo ou um ser humano florescendo? O que exatamente o Six se tornou?


Nos últimos episódios, mais especificamente neste arco do Torneio, foi possível notar que o A106 estava evoluindo. Mesmo que ele seja um robô — e seja obrigado a seguir ordens — ele demonstrou uma certa “independência”, e seguindo seu propósito de criação — bewusstsein — Six permaneceu um verdadeiro pacifista e venceu todas as suas lutas sem ao menos “matar” seus adversários. Entretanto, nessa última luta do battle royale, algo de diferente aconteceu. O robô começou a “falar”, não no sentido literal, mas sim no sentido figurado. Six começou a pensar, e junto disso, começou a questionar tudo o que estava fazendo naquele momento. Por que estamos lutando? Por quem estamos lutando? Junto dos questionamentos de Six, seu adversário também “acordou” para realidade e de certo modo — bem deprimente, ao meu ver — desistiu da batalha após basicamente derrotar Six.

Um pouco antes dessa desistência, vimos algo bastante marcante. Naquele momento onde Six está prestes a ser destroçado, o robô basicamente se “desespera”, com medo de “morrer”. Mais especificamente, “morrer sozinho”. Naquele exato momento, já é possível notar que Six não é mais um simples robô com ego-consciência, na verdade, ele já havia se tornado um humano por completo.


O episódio final foi bastante interessante, mas de certo modo também foi bastante frustrante. Uma crise existencial. Desde o início do episódio até perto do fim, Six ficou preso em uma crise existencial. Com seus criadores ocupados em um novo projeto, Six foi deixado de lado, e o robô começou a se preocupar com relação a isso. No fim, a única que realmente se importou com Six foi Ran — algo já esperado. Entretanto, apesar de já conhecermos a relação dos dois, o desenvolvimento desses dois personagens juntos não foi muito boa. Nesse final, um desenvolvimento foi iniciado, mas sabemos que nunca será finalizado.

A parte frustrante do episódio está relacionada a justamente ser um linha sem fim. Atom: The Beginning apresentou muitos conceitos e até mesmo tentou desenvolver alguns deles, mas no fim, nada foi realmente completado. Os personagens também pouco foram desenvolvidos. Parece que no final bateu uma correria e começaram a desenvolvê-los, mas de certo modo, não funcionou. O único personagem que verdadeiramente teve um desenvolvimento e evoluiu foi o próprio Six. No caso, acho que isso realmente possa ter sido uma escolha por parte dos roteiristas, já que o foco do anime é o próprio Six. Moriya; Dr. Lolo; Armas robóticas; Tantas coisas sem um fim, tantas coisas sem um começo. Tudo ficou incompleto. Tudo ficou. Apenas ficou.

Só pra concluir, Atom tinha MUITO potencial, e eu aposto que uma parcela das pessoas que assistiram gostaram muito, mas eu definitivamente não consegui seguir esse mesmo caminho. Para mim, Atom teve muitos problemas, desde a animação até o roteiro. A direção em si foi a coisa que mais me incomodou. O anime teve vários episódios jogados — totalmente avulsos — para no final ter uma correria com relação ao desenvolvimento dos personagens e do roteiro em si. Aliás, muitas das coisas apresentadas antes ficaram jogadas no ar. Lembra daquela detetive apresentada no episódio que eles foram vender Udon? Quem era ela? Para quê ela estava ali? Quem eram aqueles ladrões? Essa falta de “algo” me irritou. No final, vemos que a Dr. Lolo estava naquele torneio para promover a arma robótica dela (Mars). Entretanto, ele já participou dos outros torneios, não é? Só foram perceber que é uma arma robótica agora? Sério, toda minha implicância com esse anime teve um motivo, não sou tão injusto assim. Os episódios finais foram esperançosos quanto a melhora na qualidade do anime, mas ao mesmo tempo foram frustrantes. A essência de Atom: The Beginning é algo simplesmente excelente, mas no geral, não é nada demais. Nada mesmo.


  1. Antes de poder dar minhas considerações, agradecimentos por ter mantido firme e forte nestas análises: senti as frustrações, os bons e maus momentos, até pena pela sua pessoa quanto a série em si. De toda forma, valeu pela insistência.

    “Atom: the Beginning” tinha mesmo potencial, afinal, estamos falando de uma história que é realizada antes do “Astro Boy”, uma das obras mais famosas do Tezuka; tinha ingredientes que poderiam ser parecidos com “Young Black Jack”, apresentar um personagem, no caso, o robô que antecedeu ao Astro e como foi a convivência entre amigos entre Tenma e Ochinomizu. Possibilidades tinha,mas, como foi dito, tudo deixado de lado e mal desenvolvido. No fim, o personagem que mais evoluiu foi o próprio Six e também considero a Ran, irmãzinha do Ochinomizu; de resto, tudo foi muito artificial demais e genérico. De todos os animes que acompanhei nesta temporada de abril, Atom foi decepcionante, porque o potencial foi desperdiçado e o andamento da obra só veio na parte do torneio. Vejo isso como culpa dos roteiristas, porque mesmo tendo tão poucos episódios, tinham como botar alma na trama e em seus personagens,mas, não deu: pena…
    Faz muito tempo assistindo animes semanais desde 2010 que senti uma bela decepção; o último que acabei desistindo de assistir, porque achei os rumos sem sal foi “Ore Monogatari” e anteriormente, os já conhecidos “Parasyte” e “Shigatsu wa Kimi no Uso”, que no caso destes dois, assisti até o final. E “Atom” vai entrar nesta lista, pelos motivos que comentei. Só espero que não manche a reputação do “Astro Boy”. Até a próxima!!!

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