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Bem, depois de três ótimas OVAs (já analisadas por aqui) e muito hype (e você melhor do que eu sabe que foi um baita hype mesmo), estou trazendo para vocês a trajetória de uma jovenzita de cabelos ruivos tendo seu caminho entrecortado por um bruxo/mago com grande poder de fogo e muito estiloso (afinal, se um terno combinando em uma caveira de bode (ou cavalo?!) – ou quadrúpedes afins – não for estilo, eu não sei mais o que é) e tudo isso dentro de um character design meio shoujo (os olhinhos não negam). Nesse artigo de primeiras impressões espero que para os que assistiram: continuem assistindo; para os que ainda não assistiram: termine de ler isso e assista – ou não, ainda não tenho poder sobre você kkkkk, bem mágica essa reflexão… No melhor estilo Magus…?


Anime21 Diário

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Após uma opening particularmente bem depressiva e regada a uma melodia mediterrânea temos tudo o que precisamos como substrato para analisar os temas veiculados pelos poucos personagens envolvidos nesse início de episódio. A ideologia central está baseada na posse, na detenção dos direitos sobre outra pessoa, sobre sua vida, sua carne e em toda a submissão atrelada a esse contexto após uma assinatura. A outra que logo toma vez na obra é o encontro dos dois e como a natureza do mestre cabeça de bode (com chifres de outro quadrúpede) reverbera sua natureza espontânea e verdadeira, elencada explicitamente por um dos figurantes no leilão.

Em momentos oportunos o desfecho atual é intercalado por flash backs que dialogam não apenas com momentos vivenciados para quem assistiu às OVAs como também para guiar os expectadores de primeira viagem (sendo efetivos em ambas as situações). A palavra sorte entra em jogo e prepara a cena para a aproximação inicial da nossa dupla (casal!?) dinâmica.

A chegada ao novo cenário compartilhado foi sustentada por um alívio cômico bem empregado (mais uma vez: maturidade da direção, muito bom). Seguida, obviamente, de mais construção de personagem: reflexões sobre a condição psicológica (autoaceitação, convivência, desistência…) – quem viu minhas análises de G.A.T.E. sabe como banheiras são locais comuns para isso.

Em alguns momentos desse episódio de estreia eu me perguntava em que maldito momento eles iriam me dizer o significado dos sleigh beggies, até que: algo como abelhas rainhas, capazes de atrair e moldar todos os tipos de coisas – leia-se fadas e mistérios. Nossa protagonista, enquadrada nessa rara categoria, nos dá um importante direcionamento de análise: a magia transcende o usuário e parece ser definida independentemente de vontades, contextos ou crenças.

Essa qualidade dá a Chise uma faca de dois gumes: sorte e azar (para os que viram as OVAs sabe de qual lado a moeda tem teimado em cair). Outro tema vital para a moldagem da personagem, e não poderia estar de fora de pelo menos algum tipo de “provocação” do autor, era a família. Para uma menina tão perturbada e introspectiva, que passou a vida inteira mudando de lares e mudando de laços, essa palavra tem uma relevância que deve ser o auge (ou perto disso) da futura evolução de seu arco e já começou bem: um lugar onde ela é querida – creio que gradativamente mais – e pode compartilhar com outra pessoa, que assim como ela, pode ver todas aquelas criaturas, sem precisar temer, esconder, internalizar ou sofrer. O aprofundamento posterior desse tema sugere o caráter psicológico que esse (em parte) slice of life tem a nos oferecer.

De uma maneira surpreendente o foco da cena é desviado e a pitada de tensão que eu estava esperando por 19 minutos finalmente me atinge. Contudo, rapidamente o clima é desfeito (poderiam prolongar o aprofundamento mais um pouquinho naquela parte) e Elias coloca as fadinhas da mansão Foster para correr. Finalmente, as frases finais, ela em seus braços… Kkk. É difícil se surpreender se você já tinha lido alguma sinopse minimamente esclarecedora, mas o relacionamento entre eles é vital para o andar dessa carruagem.

A tentação

Sob uma perspectiva geral, o episódio preferiu focar seus minutos no aprofundamento psicológico e até cronológico (concatenando, inclusive, com alguns momentos das OVAs) da protagonista, explorando seu interior por meio de monólogos e intenções bem construídas e nem um pouco cansativas. O desfecho do episódio não deixa nada a desejar e apesar de curto, o “conflito” final foi construído como suporte para explicitar o embate interior da jovem com relação a seu lugar no mundo e nas pessoas que a acompanham em sua trajetória, gerando nela uma mudança de perspectiva interessante.  Uma obra que não quer se mostrar simplória demais nem culta demais e, nesse sentido, tem um grande espectro de aceitação, mas ao conseguir manter sua personalidade, atrai meus olhos com muito mais força que a maioria esmagadora dos animes dessa temporada. Diante disso, e somado a um arcabouço técnico competente e uma direção madura, minhas sinceras 4,0 estrelas.

Surpresa!

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