Garo: Vanishing Line é a terceira tentativa do estúdio MAPPA em empacar com um anime da franquia de sucesso Garo, que originalmente é um tokusatsu. O estúdio obteve êxito na sua primeira tentativa e fracassou totalmente na segunda, e esta terceira investida vem para tentar alcançar ou mesmo superar Garo: Honoo no Kokuin. Já adianto que por mais que Vanishing Line seja um bom anime e tenha seus pontos altos, ele também fracassou em algumas coisas, mas não totalmente.

A história é interessante, no entanto, ela é extremamente mal estruturada. Seus episódios iniciais são lentos e trazem aquele clássico formato de “monstro da semana”, que chega a incomodar em algumas partes, mas no geral, o que mais incomoda é a promessa da chegada em El Dorado, e quando realmente chega… Bom, quando chega você pode até pensar “era isso?”, claro, não é ruim, mas por passar vários e vários episódios resolvendo casos e dando pistas e falsas promessas de que seria algo extremamente empolgante, ele te trai. Ainda assim, tem seus episódios finais extremamente empolgantes, que com exceção do último, eu adorei.

Rolêzinho de nave

Os personagens com exceção da Sophie, são inicialmente apenas cascas vazias, onde o Sword é apenas um brucutu que come igual um cavalo e parece derrotar qualquer horror em alguns golpes; a Gina serve apenas para resolver algumas coisinhas com a simples desculpa de que ela é uma mulher muito bonita e extremamente atraente; o Luke não passa de um personagem genérico que fica com a expressão séria e faz seu trabalho seriamente e vive sério e respira sério e é sério, uffa… Mas na medida em que vão passando os episódios, os personagens vão se desenvolvendo e cada qual tendo sua motivação e você passa a vê-los como pessoas que têm sentimentos, e não apenas como cascas. O Sword passa a ter a semelhança com a Sophie em questão à irmã; a Gina demonstra interesse no Sword e mostra que ela quer exterminar os horrors; e o Luke que é o melhor personagem (com exceção da Sophie), acaba tendo a motivação de derrotar seu pai e resolver assuntos pessoais antigos.

A animação é muito boa na maioria dos episódios, claro, há episódios em que ele acaba apresentando algumas “rachaduras”, mas no geral, a animação é muito bem executada. A trilha sonora é sensacional, ela se faz presente em momentos que precisa estar lá para dar ênfase na cena em questão e acerta muito nesse quesito. A design de personagens que para mim, era a deficiência da primeira série de Garo é algo extremamente bonito em Vanishing Line, desde personagens secundários até os protagonistas, cada um é bem feito e bonito, pelo menos, da sua maneira.

Eu gostava bastante dos wallpapers que apareciam no meio do episódio

Vanishing Line a partir do meio do primeiro cour conduz muito bem seus personagens, sim, eu disse os personagens, pois tem uma deficiência no enredo. Então, como produção em si, Vanishing Line acerta em cheio, mas peca no enredo, por mais que acabe se acertando nos últimos episódios, ele ainda assim tem uma clara inconsistência de ritmo em comparação com seus primeiros episódios.

No final, ele é mais sobre pessoas do bem lutando contra o mal, e as vezes o mal pode estar na própria humanidade! Por mais que seja um anime com mitologia sobrenatural, ele trabalha muito bem o lado humano das pessoas, e no momento que a obra se propõe a contar uma história sobre humanidade, o mínimo que você espera é que tenha bons personagens e seja trabalhado neles o lado bom e mau do ser humano.

Este foi o primeiro anime que tive a oportunidade de acompanhar com artigos semanais aqui no blog, gostaria de dizer que por mais que ele não seja perfeito, foi um prazer escrever sobre ele aqui – tem sim seus ótimos momentos e vale a pena ser visto, claro, talvez demande um pouco mais de paciência em seus primeiros episódios, mas é uma mitologia muito interessante e que te pega e te prende, então, você não quer parar enquanto não souber mais deste universo interessantíssimo.

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