Tanjiro se torna o caçador de onis que almejava ser, mas não para exterminar toda uma raça, como é comum vermos entre os protagonistas de battle shounen sedentos por vingança, e sim para fazer sua irmã voltar a ser humana.

Se o baú do tesouro se encontra no fim do arco-íris Tanjiro ainda precisa se esforçar muito em sua jornada para chegar até o destino, e até lá seguiremos firmes e fortes com ele.

O que é um oni? Uma criatura amaldiçoada que existe na natureza para matar a outras? Como nasce um oni? Se reproduzem entre si, são gerados por eventos espontâneos e/ou nascem artificialmente?

Yaiba ainda não deu respostas definitivas para essas perguntas, mas uma coisa já me parece clara, do que pôde ser visto do passado do oni mutante a sensação que fica é de que ele não é muito diferente da Nezuko, ou não era até matar o próprio irmão e se tornar o monstro que foi forçado a ser.

E quem fez isso com ele, o mesmo oni que transformou Nezuko e dizimou os Kamado? Não duvido que exista uma ligação aí e, honestamente, é algo que me sensibiliza, pois é fácil ter aversão por quem faz mal a alguém em uma história, difícil é compreender suas circunstâncias.

De uma coisa tenho certeza, não é toda semana que veremos um oni acuado desse jeito.

Quem escreve essa obra quer que pensemos justamente nisso, no outro lado da moeda, não à toa a Nezuko é uma jovem que virou oni.

Duvido que ela chegue a se tornar uma verdadeira ameaça aos humanos, mas é imprescindível que a sensibilidade do Tanjiro seja entendida pensando justamente na situação dele e da irmã.

Matar o oni e se compadecer com a dor dele, até por conta do cheiro de criança que o jovem sente, condiz com a personalidade que ele tem.

Rezar pela alma de uma criatura entregue ao desespero não acho que foi um ato de piedade que quer vender a imagem de que ele é bonzinho, mas de respeito a dor do outro por ser capaz de entender um pouco como ele se sente.

O que move o jovem caçador de onis não é o rancor, o ódio, e sim o amor que sente pela família e é capaz de replicar para aqueles a sua volta, não à toa ele tem pessoas que o guiaram até o teste – inclusive espíritos – e formará o seu próprio grupo.

Diferente da raiva, só consegui sentir a tristeza e compaixão dele nessa cena.

Mas, voltando ao oni morto, sua derrota permitiu que os treze espíritos pudessem descansar em paz.

Pela primeira vez no anime eu chorei. Como não se comover com uma cena em que as treze crianças mortas pelo oni mutante aparecerem antes de ir para o além? Suas almas atormentadas obtiveram a paz de espirito que precisavam.

Não só elas, o oni também se foi com lágrimas nos olhos, com um fio de esperança de que pudesse ter mais sorte em outra vida. Tanjiro expurgou os sentimentos ruins ao corte de sua lâmina e pôde ele mesmo seguir ciente da relevância e das nuances do ofício que a vida o proporcionou.

A essa altura, vendo que há coisas mais importante a serem adaptadas ou esticadas, o teste poderia ser resumido a cenas em que Tanjiro buscava dialogar com onis sem sucesso e, claro, a culminância de seus esforços até então, a cerimônia na qual se tornaria caçador de onis por direito.

Descansem em paz, crianças, sejam humanas ou onis!

Apenas quatro ou cinco sobreviveram? O personagem que trouxe essa confusão à tona deve ser um manda-chuva da organização que caça onis, ou quem sabe um oni ele mesmo, mas acredito mais no primeiro caso.

De todo jeito, quatro novos espadachins executores são orientados sobre os detalhes que cercam o trabalho e, claro, a maneira como reagiram a isso disse o bastante, ainda que de modo superficial, sobre suas personalidades.

Foi o suficiente para que outros os três virassem personagens, pois mesmo sem falar nada deu para perceber que a garota é centrada e misteriosa.

A abertura dá os spoilers de que o loirinho vai entrar para o grupo e que os outros dois terão papeis mais secundários, o grande enigma fica para quem foi esse quinto a passar. Pela minha leitura do mangá não lembro de nada relacionado a isso, então o quinto espadachim ficará como mistério, um bom, a ser respondido!

A linha de frente.

Sim, o corvo é uma espécie de mascote, mas não, ele, como mostram a frente, vai ser super útil para o Tanjiro.

Só queria saber qual foi a magia que fizeram para ele falar, deve haver uma boa explicação, mas isso é o de menos, o importante é que mais uma vez o protagonista usa seus dotes de olfato e a escolha do aço que dará vida a sua espada feita sob medida é feita.

Permitindo a ele voltar para o lar que a vida o deu o presente de poder chamar de seu, onde se recuperaria do desgaste acumulado e, de quebra, reencontraria a irmã, já não mais bela adormecida.

É extra conveniente que ela acorde já as portas do irmão voltar vitorioso e a explicação do sono para aplacar a fome nem é ruim, porém, o longo período em que ela dormiu e a hora que acordou ainda continuam sendo muito convenientes.

O timming é perfeito demais, mas, sinceramente, é o menor dos problemas a ser visto em um battle shounen e o único de Kimetsu que me vem à mente agora.

O resto está tão bom que até por isso eu me apego a esses detalhes, para não parecer um fanboy que passará por cima dos defeitos da série.

Toda obra, em qualquer mídia, tem suas falhas e, mesmo assim, muitas valem o dez de muita gente, como esse episódio fez por merecer o meu.

Não posso me esquecer de comentar como o trecho dos abraços foi belo, reconfortante. Tanjiro retorna para o lugar que agora pode chamar de casa a fim de se recuperar, ficar perto da irmã e esperar por sua espada e desígnios.

Tudo merecidamente, diga-se de passagem. Após um começo sério e um meio tenso, o final calhou bem com seu tom mais cômico e uma certa quebra de expectativa que foi criada acerca da cor da espada.

Por ele ser o protagonista o normal seria ele fazer o mais incomum, conseguir a arma mais poderosa ou especial, mas não, sua lâmina é preta, não um vermelho brilhante.

O que isso pode representar para a jornada dele? Que o caminho que ele vai trilhar andará de mãos dadas com o mau agouro?

Não sei, não explicaram quais os significados das cores exatamente – e com certeza têm –, então só nos resta guardar esse detalhe para o futuro e enquanto isso continuar acompanhando esse caprichado anime cuja trilha sonora se saiu mais uma vez muito bem em complementar as cenas, facilitando a imersão de quem assistia, já no que tece a animação eu nem preciso falar o óbvio.

Kimetsu no Yaiba é o battle shounen que você assiste com um lenço a tira colo para limpar a baba que escorre ao ver tamanha beleza a sua frente!

Enfim, Tanjiro recebe a missão de exterminar um oni que caça prioritariamente mulheres, o que será sua primeira missão e um ponto de virada para a trama, agora não mais a preparação para algo, mas a execução desse algo em si. Veremos como será a jornada do forte Tanjiro: o gentil caçador de onis.

Até o próximo episódio!

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    Até agora o melhor anime da temporada. A animação está perfeita e a história tá muito boa (fazia tanto tempo que não lançavam um shonen decente que até os clichês estão parecendo originais hahahahaha)

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