Em seu oitavo episódio, Gunjou no Magmel continua fazendo o que tem feito na maior parte do tempo, mostrando o continente através da exploração de personagens secundários e que aparentemente não tem grande significado para a história – já que a importância de muitos se restringe ao episódio onde surgem e somem por ali mesmo.

O que ocorre é que apesar dessa mecânica não ser necessariamente boa para o plot central, as histórias em si tem algo chamativo e que quando bem executado torna esses “fillers” uma boa pedida. Inyou e Zero precisaram lidar com um caso de dor, perda, solidão e vingança, mas o que se tira de fato dessa aventura? O título do artigo dá uma pista, me acompanhem.

Não sei se dar sequência a isso se tornou intencional, mas Inyou e Zero continuam enfrentando uma crise financeira feroz e essa circunstância se tornou mais do que adequada para fazer com que eles fossem a Magmel por conta própria, atrás de comida e suprimentos.

Esse acontecimento apesar de irrelevante num contexto geral, esconde um questionamento no mínimo pertinente, se avaliarmos a construção de Inyou e seus argumentos até aqui. Notem que não citei Zero porque até então isso não aplica a ela, justamente pela pouca interferência que ela tem tido nas aventuras até agora, sendo apenas uma observadora – o que talvez mude mais adiante.

Quando o protagonista parte para essa busca, me veio a mente que ele contesta com frequência os exploradores que vão a Magmel para tirar algo de lá, independente do que for e por qualquer motivo que seja, sendo que neste exato momento é o que ele acaba fazendo. Com isso eu me pergunto o porque da incoerência na ação dele, já que seu valor está exatamente na sua consciência e ética em relação ao continente – o que mais me pareceu um furo no roteiro, mas ok, relevarei.

Prosseguindo com sua caçada ele chega em um tipo de vilarejo que estava devastado e deserto, sendo capturado não sei como pela única alma vivente do lugar. Essa é outra coisa que tem sido bem frequente no anime, a existência de cidades e vilarejos nas várias zonas de Magmel mesmo que o local tenha suas restrições – o que já foi comentado e não muito bem explicado.

O velhote sniper – que ficou sem nome no episódio – é um homem que guarda um forte rancor e acima de tudo um desejo de que ninguém se aproxime do seu santuário particular, ainda que esse não represente algo agradável para si. Sua escolha inicial de deixar Inyou intacto era apenas uma cortesia de seu eu humano que valorizava a vida – como as que perdeu -, mas isso não queria dizer que o rapaz era bem vindo ou seria deixado de lado caso ficasse por ali.

Na sua caçada por comida o Angler acaba parando no cemitério que o atirador protegia e mais uma vez é enxotado por ele e sua arma. Essa cena é curiosa porque o protagonista comenta que sua ação ali foi proposital, nisso fica claro que ele rapidamente associou o armamento do velho, o cemitério e os danos do vilarejo ao monstro que o atacou – decidindo se meter no meio dessa busca por justiça.

Durante o embate derradeiro entre o homem e a criatura toupeira, o flashback se encarrega de demonstrar o passado desastroso e óbvio dos dois e as cicatrizes que ambos deixaram um no outro. Ainda que eu não ser adepto de caçar muito realismo em animes, o que chama atenção nesse trecho é a forma como isso se finaliza, pois quando mostra a primeira batalha entre eles, o animal leva um “headshot” e sai apenas cego de um olho, já na segunda – recebendo uma pequena ajuda externa – ele sai vitorioso com apenas um tiro?

É bem verdade que o tiro posterior parece ter atravessado a garganta, mas considerando a proporção das coisas – incluindo as balas – e que nas duas oportunidades o monstro foi atingido na região da cabeça, como ele não morreu logo antes? Imaginei que mesmo com um tiro preciso, talvez ele ainda oferecesse alguma resistência, precisando levar ao menos mais uma bala para ser eliminado e não foi o que aconteceu.

Enfim, Inyou fez sua parte e ajudou um justiceiro a alcançar a paz de espírito, fugindo da frase “Chaviana”: “a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena”, porque nesse caso ele aliviou uma dor e ainda deu a chance de um recomeço para um cara que estava destruído – sendo também retribuído por isso.

Trazendo mais um episódio sem acontecimentos de fato importantes, eu confesso que já não sei bem a intenção da série com sua direção, mas acredito que realmente seja uma aposta em tentar desenvolver os personagens e ensinar algumas coisas sobre psicologia humana, enquanto exibem as diferentes facetas de Magmel.

Mais uma vez digo que não achei o que vi ruim, porém não acrescenta e isso torna o que poderia ser bom em algo medianamente ok. Na próxima semana teremos um episódio que pode ser bacana pro conjunto, mas talvez seja mais cômico, explorando os talentos da Zero como aventureira e o que ela pode fazer saindo da sua posição de observadora do continente. Obrigado a quem leu e até a próxima!

  1. Avatar

    Antes de começar traduzir o anime, eu nem sabia a existência do mesmo. Ele é um tipo de enredo que não me cativa muito. Mas, depois de começar mexer nele, eu acabei gostando. Certo que nem mesma eu sei onde e quando isso vai chegar, já que cada episódio é apenas uma coisa aqui e ali sem tanta importância, mas isso pode ser apenas na primeira temporada(sim, talvez uma segunda venha), onde apenas mostram mais aqui e ali do continente Magmel e talvez, como você disse, umas lições de “vida”.
    O anime talvez não tenha vindo para focar em shounen que costumamos assistir e essa temporada tá bem fraca, mas acredito eu que se tiver uma próxima, eles talvez deem uma acelerada já que o ‘mangá’ já está em seu fim e deve ter tido bos histórias que façam algum sentido para a história.

    Também vale dizer que é uma obra original chinesa, não estou dizendo que é ruim, mas como novatos nesse ramo eles vão chegando lá aos poucos. Trazendo mais coisas que vão melhorando com o tempo.

    • JG

      Oi Letty, tudo bom?
      Menina eu também nem sabia que existia e confesso que fiquei surpreso por ser mais uma das obras chinesas que os japoneses acabam aproveitando. Olha eu gosto do que vejo no anime, essas coisas de exploração, novos ambientes, isso sempre chama minha atenção e o fato dele ser mais episódico e sem muitas conexões não me incomoda, mas é aquela história, eu também percebo que a adaptação tem seus problemas em encontrar um eixo central.
      Sinceramente acho que muitos esperavam um estilo mais Naruto, One Piece e afins, com mais porradaria contra os monstros e tal, acabando por se decepcionar com o que estão vendo, mas particularmente eu estou achando a série legal e se eles derem esse foco em boas histórias que se interliguem, como você apontou, vai ficar melhor ainda.
      Assim como você também deve pensar, vejo que isso tudo é uma questão de ir com a expectativa e a mentalidade correta sobre o que a obra está oferecendo.

      Quero lhe deixar dois obrigados, o primeiro pela visita e comentário, já o segundo fica pelo empenho seu e do grupo Isekai Subs em continuar traduzindo esse anime, para que outras pessoas como nós continuem curtindo ele.

      P.S.: Espero ansioso pelo lançamento do próximo episódio (principalmente por causa da Zero kkkkkk).

  2. Avatar

    Olá JG. Estou sempre bem, e com você?
    Eu devo dizer que tô adorando essa onde de chineses quererem fazer algo como os donghuas e adorando ainda mais quando os japoneses se interessam por tal obra, e acabam adaptando(estou tentando ainda me acostumar a língua chinesa). E sim, eles ainda estão um pouco perdidos mas creio eu que o autor deva ter finalizado com mais enredo, apesar de que para mim tanto faz, pois com enredo ou não, estou adorando.

    Animes descontraídos com comédia, aventuras e umas histórias boas de se assistir, devo dizer que assim como você, eu também adoro isso. As histórias caso se interliguem seria uma boa também, acho que faria cresce mais um pouco a popularidade já que muitos estão reclamando que não tem um “enredo” coerente. Mas isso para mim não me faz rebaixar a obra. Pancadaria é só o que tem de anime por ai, tipo Shingeki que voltou nessa temporada. Acho que ele consegue saciar essa sede de certos otakus por lutas e mortes.
    E sim, a expectativa e mentalidade de cada sobre a obra em geral ajudaria muito a entendê-la, já que é mais focado em uma comédia, exploração e com um pouco de ação aqui e ali do que em lutas. Mas não deixando de ser um belo conteúdo para quem entende um pouco do lado.

    Obrigada ksksksksks estou bem ansiosa para vê o desfecho dessa obra que como não vai está na próxima temporada, creio que vai ter uns 12 eps. Eu também quero assistir o demais episódio 😛 a Zero é tão cute.
    Me sinto culpada por não soltar o episódio nos domingos, mas meu japonês não é tão bom para arriscar legendar diretamente dele então acaba atrasando por conta da sub inglesa. Mas vai na fé que dá certo. u.u

    P.S.: Estou só esperando sair a legenda em inglês da sub que acompanhamos nesse projeto. Creio que até quinta o episódio já tenha saído tanto por lá como por aqui.

    Estarei por aqui lendo mais e mais resenhas suas e dos demais, mesmo que eu não apareça sempre pelos comentários. ~

  3. Avatar

    Bom, não sei se pode links de outros sites aqui. Então só pesquisar Isekai Sub que é a fansub que eu faço parte em que está mexendo em Gunjou. Porém se você quiser conhecer as demais fansubs que mexem nos animes, dá uma pesquisa no site Info Anime da aba de fansubs. ~

Comentários