Meus artigos de Kimetsu no Yaiba já devem estar ficando um tanto quanto repetitivos, porque elogio demais o anime, e isso em todo episódio. Mas que culpa tenho eu se ele merece? Fazia muito tempo, desde quando voltei a ver animes, que não via um battle shonen tão consistente e tão bem feito, seja em história ou produção. E junto ao público, Tanjiro e Nezuko continuam sua tortuosa e bela jornada!

Desde o fim do episódio anterior a derrota do oni das flechas estava selada, porém, a imaturidade de Tanjiro o custou uma costela e uma perna quebradas. Estranhamente isso não comprometeu os seus movimentos, o que só reforça bem o quanto ele ainda deve fortalecer tanto a mente quanto o corpo para vencer onis mais fortes, já que o faltou mais atenção para exterminar o oni logo.

A estrada ainda é longa, meu caro…

O que ele deve adquirir com mais experiência mesmo. Ele precisa entender que compaixão não é necessariamente o oposto da crueldade, que é possível ser objetivo e cauteloso sem ser desumano ao exterminar onis.

Algo ótimo de ver na trama é o quanto Tanjiro ainda tem espaço para desenvolvimento, e o quanto o garoto já está crescendo a cada novo desafio que se apresenta a sua frente. E o seu desenvolvimento depende não exatamente de uma mudança de personalidade, mas de como ele deverá amadurecer a fim de não deixar a sua personalidade se tornar uma desvantagem.

Isso denota tempo e por isso esse início toca tanto no tópico para construir um protagonista que vai se aprimorar naquilo em que falha – o melhor disso é como essas fraquezas têm sido exploradas com coerência, não é algo conveniente.

Depois de sofrer um pouco para criar culhões, Tanjiro presencia o talento de camisa 10 da irmã, e fica se perguntando por que ela não foi convocada para a Copa do Mundo que está rolando agora.

E nem poderia, pois ainda não tem a idade certa, mas quem sabe um dia? Brincadeiras à parte, quando este artigo tiver saído o primeiro jogo do Japão deverá ter acabado. Espero que elas ganhem, porque o adversário é a Argentina.

Voltando ao anime, Nezuko retorna mais forte e bate de frente com a oni, o que só reforça a força de vontade dela para ser forte mesmo sem se alimentar, e aumenta as minhas suspeitas de que seu sangue é uma das chaves para fazer onis voltarem a ser humanos. O caso dela é retratado como algo fora da curva, né? Então espero que haja explicação lógica convincente.

Que tipo de Super Campeões é esse?

Enfim, Tamayo intervém e usa a ingenuidade de Susamaru para derrotá-la, o que é um desenrolar de acordo com a personalidade da oni. A médica foi esperta, porque ao ver que os onis não eram fortes, ao menos não tanto quanto acreditavam, mas ainda assim acreditavam no que Muzan os disse, usou a natureza de Susamaru, em todos os aspectos, para dar cabo dela mesma.

O final dela foi triste? Foi. Mas o que mais poderia ser feito nessa situação? Menos mal que o Tanjiro se sensibiliza com o fato e sabe muito bem a quem direcionar sua cólera, a Muzan que usa suas crias como objetos descartáveis pelos quais não nutre qualquer empatia. Um inimigo que, enquanto não for vencido, ainda provocará sofrimento para muita gente – quer seja humano ou oni. Muzan é um crápula e Tanjiro o seu oposto!

Aproveitando a deixa, não disse que eles não faziam parte dos Doze Kizuki coisa nenhuma? Susamaru e Yahaba são apenas a base da pirâmide e no topo está Muzan Kibutsuji, um vilão a altura de Kimetsu no Yaiba, um anime que precisará de mais temporadas se quisermos ver Tanjiro derrotando esse vilão.

A sensibilidade comovente de Tanjiro.

Na segunda metade do episódio Nezuko é uma fofa como sempre e os caminhos de Tanjiro e da irmã se separam dos de Tamayo e Yushiro, mas não sem antes aprofundarem um pouco mais os dois, com uma cena que deixou claro o quanto é importante ser reconhecida como uma pessoa para Tamayo, e como isso também afeta Yushiro, que escolheu seguir esse caminho – ainda que escolher morrer não pareça muito com uma escolha.

Ambos têm seus motivos para continuarem vivos, seguem em frente de cabeça erguida e perseveram. É muito bacana ver uma dupla tão humana. Não à toa a Nezuko ser carinhosa com eles faz sentido. E o mais legal é que o aprofundamento deles não parece completo, é como se eles ainda fossem aparecer no futuro e o flashback do Yushiro fosse ser aproveitado, e já no caso da Tamayo o que ela pensou fosse ser posto em palavras.

Adoro isso, porque não só mostra um ponto de vista alternativo, seria o da Nezuko se ela tivesse total controle de si, ao contrário do Tanjiro, mas faz o público reconhecer os dois como personagens. Não somente ferramentas de roteiro para certo fim.

Onis também podem ser considerados família.

Isso é imprescindível para uma obra que mexe tanto com mudanças, sejam físicas, psicológicas ou de lugar e forma de ver o mundo. Para que essa trama seja cativante é preciso personagens que tenham algo a agregar ao plot principal, que enriqueçam a história, confiram a ela nuances necessárias para a compreensão da situação em um nível que a maioria das partes sejam contempladas.

Por isso batem tanto na tecla do Muzan ser um covarde, alguém que mesmo poderosíssimo teme alguma coisa, para mostrar também o lado dele, as suas razões, o seu sentido. Eu vislumbro um caminho para explorar o vilão também, o que no caso de Kimetsu seria muito bem-vindo pelo quanto suas ações impactam no mundo a sua volta.

Com a expansão desse universo será bacana entender mais o lado de cada um, né – como acho que o anime já está tentando fazendo isso, só me compete avaliar se está fazendo bem!

Por fim, ocorre a proposta de Tamayo de cuidar de Nezuko e Tanjiro até pensa no pró da ideia, mas o contra é bem maior, ao menos para eles que têm apenas um ao outro como família. Cuidar da irmã e protegê-la é o dever de Tanjiro, assim como cuidar do irmão e protegê-lo é o dever de Nezuko, então não vejo como os dois poderiam se separar.

A única maneira de garantirem que não irão perder mais ninguém é assumindo essa responsabilidade. Na verdade, nem isso garante, mas só nisso que devem apostar. E, claro, na força das relações que forem construindo pelo caminho. Isso já aconteceu com a Tamayo e o Yushiro, e como dá para ver o Zenitsu – o nome do loirinho chorão – é o próximo da lista.

Achei meio estranho o Tanjiro conseguir andar até bem, mesmo machucado daquele jeito, mas isso é um detalhe menor. No geral achei esse episódio melhor quanto ao uso da trilha sonora e a animação não carece de comentários, manteve a consistência rotineira. Foi menos exigida, é verdade, mas não foi um problema, pois o resto compensou.

E se até o Yushiro se convenceu dos encantos da beldade, a Nezuko, e reconheceu o valor do herói, Tanjiro, quem sou eu para não fazer o mesmo? E mais, quem sou eu para não reconhecer que Kimetsu é excelente e encantador?

Até a próxima!

O grupo está se formando…

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