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Mais uma vez, prazer. Eu me chamo Alyson Silva e, como eu havia dito no meu texto de estreia no Anime21 (as primeiras impressões de ACCA), eu ficarei encarregado de escrever para o site primeiras impressões de animes das temporadas e resenhas geralmente sem spoilers de animes fechados mais antigos.

Para estrear esse novo bloco de resenhas no site, eu começarei com Joker Game, da temporada de Abril/Primavera 2016. A intenção é que eu vos traga, PELO MENOS, uma resenha quinzenalmente às 17h de sexta-feira, podendo também surgir uma ou outra resenha aleatoriamente entre duas resenhas já programadas.

Agora vamos ao que interessa!

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Eu não pretendia assistir a esse anime quando foi lançado, mas, depois de vê-lo em vários Guias de Temporada em diferentes sites e ainda mais depois que eu vi a notícia de que o Crunchyroll licenciou a série para ser transmitida no Brasil, eu não perdi tempo para conferir esse anime, que, inicialmente, foi uma ótima surpresa pra mim.

Para começar, vamos falar sobre a premissa da obra: mostrar uma organização secreta de espionagem estabelecida dentro do exército imperial japonês, a fim de obter informações estratégicas de outros países em pleno ano de 1937, pré-Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Assim como o anime Shouwa Genroku da temporada de Janeiro/Inverno 2016, esse é um “anime de época” e, por esse e outros aspectos, não é um anime para muitas pessoas, ao meu ver, mas, diferentemente de Shouwa Genroku (que foi um anime bastante de nicho), Joker Game teve o suficiente para alcançar um público um pouco maior do que Shouwa Genroku (que, aliás, foi um ÓTIMO anime). Joker Game mostrou um pouco de drama político e histórico, mas focado em sua maior parte na representação da espionagem, juntamente de algumas poucas cenas de ação.

Tristemente, o enredo do anime seguiu uma estrutura episódica. Praticamente todo mundo esperava que seguissem um enredo contínuo do início ao fim, introduzindo os personagens nos dois primeiros episódios e terminando a obra mostrando os efeitos das espionagens para a nação nipônica de forma que se pudesse tomar decisões estratégicas mais apuradas ao longo do pré-guerra e até na guerra. Honestamente, vacilaram. Deveriam ter feito da forma que eu acabei de descrever, mas, em vez disso, investiram em uma estrutura episódica, isto é, o anime seguiu uma linha lógica de histórias curtas que coubessem dentro de um único episódio ou dois. Em cada episódio ou dois era feita a abordagem do trabalho de espionagem de algum espião específico dentro do território de alguma outra nação. Isso foi o que destruiu a obra para muitas pessoas. Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, o anime mostrou um saldo positivo. Houve mais méritos do que deméritos, na minha visão. Estruturalmente esse esquema atrapalhou na experiência de assistir Joker Game, mas eu particularmente consegui obter proveito de alguns episódios separadamente, pois, embora a produção tenha se abstido da responsabilidade de representar fatos reais da história, ela mostrou certos lugares com certos conflitos políticos que me entretiveram e instigaram a minha curiosidade de pesquisar um pouco sobre a história de certas regiões.

Um ponto bastante positivo do anime foi o roteiro, que conseguiram fazer bem escrito, fluido e de fácil apreensão. As falas nos diálogos fazem sentido e ficaram coerentes umas com as outras. É um dos pontos mais fortes do anime, eu diria.

Sobre os personagens, a apresentação deles foi muito interessante, mostrando como eles chegaram onde estão e no que eles se tornaram. Além disso, o design de cada um ficou simplesmente muito bonito e bem diferenciado (pelo menos a maioria deles). São vários personagens, mas você consegue os discernir nitidamente e ainda perceber alguns levíssimos traços da personalidade de cada um somente por olhá-los. Só foi uma pena que eles não tiveram um desenvolvimento apropriado, haja vista que a estrutura episódica não permitia maleabilidade no enredo para construir backgrounds consistentes para cada um deles, resultando, assim, em personagens totalmente esquecíveis (com exceção de um ou outro).

A fluidez das cenas, os contrastes de um personagem em relação aos outros, os “lances de câmera”, a ambientação dos cenários, as vestimentas, o design de personagens, enfim, tudo ficou extremamente profissional. A staff do anime passou bastante confiança desde o início quanto à qualidade na animação.

Outra coisa que eu devo dizer é que a trilha sonora me agradou pra caramba. A trilha sonora de ambientação ficou extremamente bem composta. Quem conhece bem o jogo Transistor sabe que ele tem uma trilha sonora harmonicamente FE-NO-ME-NAL! E eu finalizei o jogo pouco antes de começar a assistir Joker Game, então eu pude perceber que em muitas cenas tinha trechos nos moldes de Transistor. Se isso foi intencional ou não, ou se um conceito inicial no qual se basearam foi o mesmo, eu não sei, mas eu sei que a trilha sonora funcionou perfeitamente bem e o diretor de som de Joker Game fez um ótimo trabalho. Aqueles efeitos sonoros de piano e aqueles diálogos nas previews de próximo episódio de Joker Game… nooossa, Joker Game tem das melhores previews que eu já vi em anime, pois funcionam muitíssimo bem como cliffhanger. Além disso, a abertura e o encerramento são músicas muito boas.

Por fim, eu digo que eu recomendo que assistam Joker Game. Mas com a ressalva de que você deve observar se a estrutura do anime parece lhe agradar ou ser promissora, pois, além dessa estrutura, há episódios muito bons e episódios praticamente medianos, ou seja, é um anime que oscila de qualidade no enredo.

Se desejarem, qualquer dica ou opiniões podem deixar nos comentários!

Até uma próxima!

Links úteis:

  1. Eu gostei bastante deste anime, mesmo tendo seguido o mau rumo de ser episódico,nada lhe tira o mérito de ter sido uns dos melhores animes da sua temporada. Animação bonita, principalmente os backgrounds, boa representação de época do Japão antes da Segunda Guerra Mundial, personagens com um design muito bonito e a trilha sonora foi nota 10. Eu gosto muito de história e quando o anime acabou, ficou o gostinho de quero mais, o estúdio fez um excelente trabalho no figurino dos personagens, a roupa dos outros países, principalmente o episódio que se passou na França ocupada pelos nazis, a fidelidade deste episódio aos acontecimentos reais foi muito boa, principalmente pela representação da resistência francesa.
    O facto do anime ter seguido o formato episódico, eu apreciei todos os episódios sem excepção. Em relação aos personagens, a maioria deles foi mal aproveitada e os mesmos tornaram-se personagens fáceis de esquecer. O meu personagem favorito era o Yuki, o responsável pelos serviços de espionagem, ele sim era a definição de um espião perfeito, ainda me lembro, quando ele enganou os oficiais nazistas, para ir buscar a mensagem codificada de um dos seus espiões que tinha morrido em um acidente de trem. De todos os personagens o Yuki foi aquele que teve mais atenção ao longo do anime, a trama do anime, gira quase toda em volta dele, tanto no presente como no passado. O Yuki já tinha sido espião na Primeira Guerra Mundial, ver o seu flashback quando ele perdeu a mão e ficou coxo foi muito bom, afinal não eram todos os espiões que teriam a coragem que explodir as algemas com uma granada de mão.
    Excelente artigo Alyson Silva.

    • Alyson Silva

      Sim, pontualmente Joker Game é um anime excelente. E ainda há a possibilidade de se obter experiências ótimas, dependendo da abstração que cada um fez ou fará do anime.

      Prazer, Kondou-san. E obrigado pelo comentário.

  2. É um excelente anime, eu também recomendo, mas só uma coisa: isto não é um documentário…
    Se bem que tem várias referencias históricas como por exemplo: o Japão foi o ultimo pais a participar da 1ª guerra a ter um serviço de inteligência militar (antes quem fazia este serviço de inteligência eram os serviços diplomáticos). E só para constar não foi devido a ameaças externas, mas devidos a várias rebeliões militares no entreguerras nos anos 20. Mas para quem gosta de história tem vários aperitivos para depois ir com fome ao Wikipedia. Como o Exercito de Kwantung para onde um dos personagens (o Odagiri) conseguiu ser transferido, agora para saber o pq tem de ver o anime…E até o final!
    E por favor, para apreciar esta obra não pule capítulos!

    • Alyson Silva

      Certamente não é um documentário. Quanto ao anime representar pontualmente situações históricas, foi-se feito um excelente trabalho, dando de fato vida a circunstâncias da história da humanidade em um nível simbólico, por assim dizer, ou seja, representando certas circunstâncias principalmente políticas, mas sem querer ter a ousadia de fazer uma representação fiel da realidade. Vale a pena conferir cada episódio, se a pessoa demonstrar real interesse aos fatos históricos.

      Prazer, James Mays. E obrigado pelo comentário.

Comentários