Tudo sobre mais três estreias da temporada: God Eater, Million Doll e Wakako-zake. Esse artigo é o nono de uma série, leia todos! Os outros oito foram:

  1. Gangsta, Game of Laplace e Okusama ga Seito Kaichou!
  2. Gate, Classroom Crisis e Symphogear GX
  3. Charlotte, Rokka no Yuusha e Shimoneta anime legal de nome grande
  4. Ushio to Tora, Jitsu wa Watashi wa e Non Non Biyori Repeat
  5. Monster Musume e Chaos Dragon
  6. Overlord, Joukamachi no Dandelion e Bikini Warriors
  7. Himouto! Umaru-chan, Akagami no Shirayuki-hime e Sore ga Seiyuu!
  8. Prison School, Gakkou Gurashi e Danchigai

Minhas companheiras de blog também escreveram suas primeiras impressões, não deixe de ler seus artigos:

Se tem tem uma coisa incomum sobre esse artigo, quando comparado aos anteriores dessa série, é que dois de seus animes são curtos: Million Doll tem episódios de quatro minutos (oito no caso do primeiro episódio) e Wakako-zake tem episódios de dois minutos (nem dá para chamar de episódios, está mais para esquetes!). Se tem outra coisa incomum, é que escrevo essas primeiras impressões baseado em dois episódios nos casos de God Eater (que um dia antes da estreia transmitiu um episódio zero de doze minutos) e Million Doll (porque o primeiro episódio demorou a sair, e quando saiu já haviam dois, então sendo uma série de episódios curtos assisti ambos).

E o que afinal eu achei de God Eater, Million Doll e Wakako-zake? Valem a pena assistir? Continue lendo para saber!

God Eater, episódios 0 e 1 – Acho que achei a animação interessante?

God Eater é feito inteiro em computação gráfica, e isso precisa ser dito desde o começo porque há quem se incomode. Aqui e agora eu digo a você: tente não se incomodar, não escolha seus animes baseado na técnica usada em suas animações. God Eater não é 3D, ele se parece mais com animação 2D para games, só que mais sofistacada de forma a permitir uma gama maior de movimentos bem como movimentos mais naturais. Você sabe como em uma animação, ao contrário de um jogo, um personagem não tem um conjunto limitado de ações, então isso é bastante importante. Mas me incomodou o outline dos personagens, as linhas brancas ficaram grossas demais e contrastaram demais, de forma que o topo da cabeça e outras partes iluminadas dos personagens chamam mais atenção que seus rostos. Foi preciso um esforço consciente para não ficar olhando o tempo todo para as bordas do cabelo dos personagens, e isso foi incômodo. Ainda assim, continuo acreditando que a computação gráfica (3D ou 2D, independente da técnica) é o futuro. Seu custo é menor – um só operador de computador renderiza uma cena inteira em menos tempo do que uma equipe de animadores levaria para desenhar. As técnicas hoje podem produzir resultados ainda menos do que satisfatórios, mas apenas a experiência pode levá-las à perfeição. E a animação de God Eater me agradou, acho que ela é um bom ponto de partida.

Mas se por um lado gostei da forma, o conteúdo ainda deixa muito a desejar. O episódio zero em seus doze minutos passa levemente por cima do que seria o começo da história: o momento em que os God Eaters que dão título ao anime (nenhum deus foi devorado durante a produção desse anime) surgem e se tornam a esperança da humanidade contra criaturas implacáveis devoradoras de gente chamadas de aragami (que pode ser traduzido como “deus feroz”, “deus bravo”, ou coisas semelhantes; ou como “ginseng vermelho” – só não sei se isso é um detalhe curioso da língua japonesa ou do Google Tradutor). Alguns flashbacks sem narração ou explicação dão a entender que os aragami são resultado de uma experiência científica que objetivava obter uma nova fonte de energia. Esse zerésimo episódio consegue ser divertido porque tem uma porção generosa de batalhas e soldados devorados por aragamis, e termina de forma inconclusiva, o que não é um problema para um episódio zero. Mas o primeiro episódio contrasta fortemente com o clima frenético do prólogo – e tem o dobro da duração. Anos no futuro em relação ao zero, god eaters já são tão comuns que o que está surgindo agora é o Novo Tipo, coisa que não é explicada no anime mas a sinopse já havia revelado que se trata de um god eater que pode usar tanto lâminas quanto armas de disparo – god eaters normais usam um ou o outro. Fora isso, quase nada é explicado. O protagonista é um novo tipo recém alistado, que ainda está em treinamento e nunca participou de batalhas. Ele não faz nada relevante durante quase o episódio inteiro porque sua comandante não permite, mesmo depois dos aragami estouraram as defesas externas da cidade e começarem a fazer o que fazem melhor – comer gente. Eu não sei quem ele é, eu não sei quem a comandante é, eu nem sei ainda que ele é um novo tipo, só vi ele treinar e fracassar em uma câmara holográfica duas vezes. E foram lutas holográficas deprimentes de se assistir. Aparentemente ele sempre é derrotado por ser uma pessoa de coração bom demais que para tudo o que está fazendo (incluindo lutar pela própria vida) para ir salvar outras pessoas em perigo quando ele vê alguma. Um herói com um coração tão grande que ele é sua maior qualidade mas ao mesmo tempo seu maior defeito, que criativo! Que revolucionário! Que inovador! Que tédio!

No final ele parte sozinho para a batalha e logo – você jamais adivinharia essa – se encontra à beira da morte tentando salvar outra pessoa. Então a ajuda chega dos céus: os três mosqueteiros do episódio zero! Digo, os três god eaters. Agora mais velhos, eles aparentemente são uma espécie de lenda e fonte de inspiração entre os jovens god eaters de hoje em dia. Eles balançam suas armas e aragamis explodem como balões cheios de tang. É quase literalmente isso, assista e veja. Não vou dizer que God Eaters vai ser ruim só porque esse episódio um foi ruim. Quero dizer, o episódio zero foi bom, não foi? Quando quer, a ufotable anima batalhas como ninguém. O problema é quando ela perde tempo tentando mostrar a imensa profundidade de seus personagens rasos como uma poça dágua. Quem assiste uma série como God Eater não quer saber sobre o trauma de infância que fez o protagonista nunca mais comer couve, quer ver sangue de pessoas e tang de aragamis sendo derramado.

Million Doll, episódios 1 e 2 – Fã hipster versus fã blogueira

Eu me identifiquei com a personagem “fã blogueira”. Quero dizer, um dos meus objetivos ao escrever essas matérias é tornar animes mais populares, assim como ela torna idols mais populares através de seu blog. Que pena que enquanto a blogueira de Million Doll consegue alçar uma idol ao estrelato no Japão eu ainda estou competindo em audiência online com a sessão obituário da Gazeta de Santo Antônio do Gato Mia. E eles não tem site. Mas ei, o que vale é a intenção!

Eu ainda não sei bem qual é a intenção de Million Doll, mas parece ser algo sobre o que é um “fã de verdade”, já que nesses dois episódios (que juntos tiveram a duração do episódio zero de God Eater e menos quadros que o encerramento de Cavaleiros do Zodíaco) fui apresentado a dois fãs de idols bastante diferentes: ela é praticamente uma reclusa, não vai a shows porque assiste de casa, compra pouco material porque não se encontra muita coisa online de idols desconhecidos, mas gasta todo seu tempo mantendo um blog famoso sobre o tema, capaz de, não era piada do parágrafo anterior, lançar uma idol pouco conhecida ao estrelato. Já ele era um programador cansado da vida que leva (opa, me identifiquei com ele também!) e que um dia por acaso encontra consolo em uma idol. Pelo que entendi ele nem sabia que um show estava acontecendo, ele apenas vagou como um zumbi pela cidade a noite (também me identifico com isso) até que acabou entrando em uma casa de shows e selou seu destino. Hoje … bom, ele continua sendo um programador cansado da vida que leva, mas agora ele é um programador cansado da vida que leva que vai a shows e é capaz de se devotar assustadoramente pelas idols que gosta, a ponto de comprar quantidades absurdas de mercadorias (repetidas, inclusive) e ser reconhecido por elas.

Ela não gosta de fãs como ele, que vão a shows de todo tipo de idol e se divertem freneticamente, e ele não gosta de fãs como ela, que não saem de casa, não compram mercadorias, e ainda levam os louros por terem promovido a idol quando na verdade, ele acredita, quem apoiou de verdade e é o responsável pelo sucesso da idol é gente como ele. Eles não se encontraram fisicamente na história, apenas reconhecem um ao outro como seu contrário e desafeto. Em jogo parece estar os destinos de uma idol que ele idolatra e um trio de idols que ela está se esforçando para promover. Em Million Doll eu não sei quem vai levar a melhor, mas no mundo real declaro aqui e agora: te cuida, obituário!

Wakako-zake, episódio 1 – Vou levar muito mais tempo escrevendo isso do que levei assistindo o episódio

Wakazo-zake é uma série curta do tipo “muito curta”. Dois minutos apenas por episódio. Mas eu gostei, e não é como se tivesse perdido tempo algum com esse anime. Bom, a não ser que eu conte o tempo que estou gastando escrevendo sobre ela, aí sim estou perdendo bastante tempo. Não porque seja ruim, longe disso, eu gostei! Wakako-zake é a história de uma mulher que depois do trabalho vai comer e beber saquê em … restaurantes baratos que vendem comida barata com saquê, suponho. E rola meio que uma comédia de situação ali enquanto ela come e bebe. No final, ela só quer beber saquê em paz. É uma série alegórica que usa elementos lúdicos para revelar essa profunda verdade universal: as vezes tudo o que precisamos é encher a cara.

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