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Fuga lá embaixo, fuga lá em cima. O episódio construiu rapidamente as circunstâncias para as fugas de Kaisar e Azazel, presos em Anatae, e Mugaro, preso no Céu, e seguido por Nina, Baco e Hamsa (esses dois tecnicamente estavam presos também). Alternando entre um cenário e outro, teve bastante ação e no final eles estão todos bem – por enquanto.

Aproveitando esse episódio movimentado mas de pouco conteúdo, e depois de comentar sobre os alinhamentos de poder no artigo sobre o episódio anterior, te convido agora a acompanhar uma análise das motivações subjetivas dos personagens principais, como elas se cruzam, se afetam e, no final das contas, dão forma à história.

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Todo mundo é egoísta. Mesmo as pessoas mais bondosas, no fundo, tem os seus próprios motivos para fazer as coisas, as suas razões e os seus objetivos. E isso não tem problema nenhum, é normal, é não só da natureza humana, como da própria natureza da vida que cada ser busque aquilo que o interessa. Mas é claro que é essa também a origem de todos os males: conflitos de interesse jogam uns contra outros, e a forma como resolvem o impasse nem sempre é inofensiva e indolor para todos os envolvidos. Rage of Bahamut: Virgin Soul possui uma extensa teia de interesses, proporcional a quantidade de personagens que possui, e toda a história começou porque, lá no Gênesis, Azazel e outros demônios acharam por bem libertar o Bahamut. Esse era o objetivo deles, independente do mal que causariam a outrem (ou pior: exatamente para causar o mal), e passaram por cima de tantos quanto precisaram, se chocaram com todos que lhes opuseram. Mas passou.

A segunda temporada toda começou por causa do desejo de uma só pessoa: Charioce. O que exatamente ele quer ou quais as suas motivações ainda não estão claros, mas quaisquer que sejam suas razões, ele vêm passando por cima de humanos, deuses e demônios desde antes do primeiro episódio. O que terá feito alguém tão jovem se tornar tão extremista e belicista? Ele pouco conheceu da vida, tendo admitido para Nina que nunca havia dançado como dançou com ela, e acredito que provavelmente nunca se apaixonou por alguém antes também. Dado que se passaram dez anos desde a queda do antigo rei e que sabidamente ele teve que passar por cima de inúmeros candidatos ao cargo melhor posicionados na linha de sucessão do que ele, deve ter passado por muita coisa que crianças e adolescentes jamais deveriam passar, ao mesmo tempo em que não fez nada ou quase nada que alguém nessa fase da vida deva fazer. Sua cara de constante tédio deve ter uma explicação.

É lógico que não importa qual seja a explicação, nada justifica seus atos. Demônios morrem, deuses morrem, humanos, que ele deveria defender em primeiro lugar, também morrem, tudo pelo bem de seus objetivos misteriosos. Ele não é exatamente alguém que sofreu lavagem cerebral, eis que por algumas vezes já se comportou de forma contraditória. Nada fez quando Kaisar se opôs a ele em primeiro lugar. Depois deveria ter condenado Kaisar e Nina à morte desde que os prendeu pela primeira vez (a acusação era envolvimento na rebelião demoníaca que atentou contra sua própria vida, afinal), mas não o fez. Depois, durante a batalha contra os deuses, reencontrou Nina e a deixou agir livremente e partir – ele até a ajudou nisso, embora não soubesse que abraçá-la a transformaria em um dragão (o que ele parece ter gostado de ver e de descobrir, de todo modo). Por fim, quando nesse episódio o Kaisar fugiu, ele exibiu uma rara mudança de expressão – parecia estar sorrindo? É quase como se ele não tivesse certeza do que faz, mas tivesse certeza de que deve fazer, e só para a hipótese dele estar errado ele permite que alguns que se levantam contra ele mas em quem ele confia partam livres para tentar impedi-lo.

Charioce sorriu com a fuga de Kaisar, tenho certeza que isso é um sorriso

Posso estar viajando sobre isso, é claro. Talvez Charioce não tenha dúvida nenhuma e seja apenas arrogante, duvidando que qualquer um possa impedir seus planos de prosperaram. Para alguém que derrubou vários pretendentes ao trono tão jovem, isso não seria inesperado. Juventude nos deixa cheios de convicções e com quase nenhuma capacidade de moderação e ponderação mesmo – que o diga El, o filho de Joana D’Arc. Gabriel pediu ajuda a ele apenas para salvar a própria mãe (claro que ela tinha segundas intenções, mas foi isso o que ela disse), e ele já se considera capaz de salvar o mundo. Mais do que isso: ele se considera o único capaz de salvar o mundo e acredita do fundo do coração, a ponto de deixar para trás a própria mãe que tanto queria rever, que é seu dever salvar o mundo. Por enquanto, ele já deixou o Céu em polvorosa por causa disso, e Baco e Hamsa estão em péssimos lençóis, pois por óbvio ficou parecendo que eles ajudaram El a fugir. Nina entrou nessa confusão de graça também. Pior ainda, ao deixar sua mãe para trás ele nem percebe que ela pode estar agora em perigo. Vocâ não acha que se Gabriel achar necessário não iria ameaçar Joana para retomar o controle sobre El, como aliás Charioce pretendia em primeiro lugar?

A confusa mente juvenil escolhe suas próprias certezas e foca nelas com toda sua energia

Ao contrário de Charioce, sempre tão convicto, e o super-convicto assim que teve a oportunidade El, eu critico Kaisar desde o início do anime por falta de convicção. Ele tem noção do que é certo e errado, mas vinha falhando em agir de acordo até há pouco tempo. Reencontrar Joana D’Arc parece ter sido o impulso final que ele precisava e, com a ajuda fundamental de Favaro (até que enfim!) e Rita, conseguiu escapar e agora é que vai-se descobrir do que um Kaisar motivado é capaz. Curioso notar como Favaro e Rita, tão importantes na primeira temporada, se tornaram apenas personagens auxiliares nessa segunda. Não estão indo mal não, é apenas uma curiosidade mesmo.

Junto com Kaisar, convenientemente, Azazel também escapou. O que ele pretende fazer agora, ou melhor, o que pretendia? Provavelmente iria apenas vagar pela capital de novo, libertando demônios aqui e ali enquanto assassina escravistas. Seu último grande plano para libertar todos os demônios foi um fracasso retumbante e muitos tombaram, mesmo que ainda hajam sobreviventes, ninguém irá segui-lo durante um bom tempo. A opção para ele seria apelar a outros demônios ainda não envolvidos, como Cérbero (o que ela poderia fazer?) ou, o mais óbvio – e talvez os heróis escolham essa rota, aliás -, seu irmão Lúcifer e as tribos que seguem fiéis ao Rei dos Demônios. Escondidos em lugar inóspito, provavelmente Charioce não os encontrou ainda, e a chance é boa de que Azazel saiba onde estão. E a chance é não nula de que, caso ele decida pedir ajuda dos seus pares no exílio, ele seja seguido por tropas de Charioce e uma grande guerra entre humanos e demônios recomece.

Kaisar convence Azazel: Pelo bem dos demônios!

Por fim, o grande coringa de Rage of Bahamut: Virgin Soul – Nina. Ela é uma heroína e naturalmente quer que todo mundo seja feliz e viva em paz, mas não basta querer para conseguir isso, não é? A vantagem dela são as conexões pessoais, emocionais mesmo, que possui com todos. Se alguém pode evitar que El cometa insanidades, nesse momento, é ela. Se a voz de alguém pode alcançar Charioce, é a dela. As decisões que ela tomar tem uma potência muito maior do que as decisões de qualquer outro personagem. Apenas por exercício de pensamento, imagine que ao invés da Nina, fosse o Azazel que tivesse fugido da prisão quando o Dromo foi ativado (ele nem estava lá, eu sei, por isso eu pedi para imaginar) e tivesse sido arremessado em cima do rei. O teria matado ali naquele lugar – ou teria morrido tentando. Fim da história. Da mesma forma, é possível que Nina venha a ter oportunidades para parar Charioce à custa da vida dele ou coisa parecida e se recuse a fazê-lo. Como os demais reagiriam a isso? Dá para ter como aliada uma garota apaixonada pelo inimigo?

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