Tem dois anos que li o mangá desta obra. Posso dizer que peguei para ler em um momento de “Já me falaram bem desse mangá, mas mesmo sabendo do que se trata, estou meio aflita… Mas quer saber, vou ler mesmo assim!”, e posso dizer que nunca senti tanto ódio por metro quadrado. Não tem um personagem pelo qual não fosse a Shouko ou a irmã dela que eu tenha gostado, apesar do esforço de Shouya em reparar o seu erro.

Esse artigo é parte do Cineclube Anime21. Toda semana a nossa equipe irá assistir um filme anime e comentá-lo, e a melhor parte é que você está convidado! Entre em nosso chat no Discord, que é onde iremos discutir, assista filmes anime e converse sobre eles conosco antes das resenhas saírem aqui no blog.

Porém é uma obra que trata com delicadeza do que se propôs a falar. O bullying é algo que, infelizmente, beira ao normal quando ainda estamos na escola. Atualmente vimos isso em Sangatsu no Lion, com tudo o que a Chiho sofreu em seu último período de estudos antes mesmo de sua formatura, e depois a vítima foi a Hinata. No filme chegou a acontecer a mesma coisa, assim como em diversas outras obras que eu poderia escrever um texto enorme citando muitas que conheço, porém fica para outra oportunidade.

O nível de bullying causado no filme foi tão catastrófico que até mesmo o protagonista teve que experimentar e comer o pão que o diabo amassou. Crianças praticando algo do tipo é normal, principalmente por causa de um simples motivo: a diferença. Shouko é uma menina surda que passou a estudar em uma escola com pessoas sem problema algum. Digamos que essas pessoas são privilegiadas por terem amigos e conseguirem estender seu nível de entendimento a ponto de zombar de quem não escuta. O que o Shouya começou por ser uma criança ele quis terminar quando adolescente, simplesmente pelo fato que, após a mudança de Shouko para outra escola, as outras crianças fizeram um bullying igual ao que ele fez com ela, e pôde sentir na pele todo aquele sentimento.

O reencontro depois de muito tempo com a Shouko o fez mudar para sempre. Shouya querer aprender a linguagem de sinal(LIBRAS) trouxe a si mesmo a questão da reparação de seus erros. Eles passaram a se ver mais vezes, e até mesmo a irmã da Shouko e a mãe que tanto o odiava entenderam que não era simplesmente uma questão de tirar vantagem, e sim de querer que as coisas mudem, que ambos não sofram mais com as coisas do passado, que não fossem inimigos e que se dessem bem à medida do possível.

O reencontro com os “amigos” do ensino fundamental também se tornou algo importante. A forma com que muitas pessoas pensam ainda continua a mesma com relação à Shouko, por conta do ciúmes e da inveja causados, e outras mudaram sua forma de pensar(ou quase, ainda não confio naquela menina de óculos). As mudanças causadas em cada um mostra o quanto evoluíram, e a aceitação de cada um também ajudou muito com o desenvolvimento de cada personagem, embora alguns ainda precisassem trabalhar muito nisso.

O fato aqui é que a obra não trata de uma coisa que vemos apenas na ficção, como também na vida real. Vários casos de bullying acontecem ao ano, e muitos levam ao suicídio, como mostrado no início e ao fim do filme, ou em algumas vezes na realidade, dependendo do nível de maltrato sofrido. A saída mais rápida para acabar com o seu sofrimento ou até mesmo com o do próximo é desistindo de sua vida, o que é bem triste. Mas no filme, tivemos um final feliz, o que, infelizmente, não costumamos ter muitas vezes quando sofremos esse tipo de coisa.

Discussão