Se na semana passada tivemos uma boa apresentação dos personagens e da trama de Golden Kamuy, nesta tivemos o início da caça. Um ditado antigo já dizia que hora você é a caça, e na outra é o caçador, é exatamente o que acontece aqui, e de uma maneira bem interessante na história, pois é evidente que ficaria vago talvez cansativo apenas uma caça aos tatuados sem ter necessariamente um perigo verdadeiro. O perigo aqui foi o exército, e devo dizer que não há perigo maior do que homens treinados para a guerra.

O episódio foi leve e ao mesmo tempo pesado, mas como pode? É simples, na medida que tivemos lutas, mortes – ok, em flashback, mas são mortes – e ameaças de perseguição, também nos foi entregue momentos cômicos, onde o Sugimoto e o grande Mestre da Fuga tiveram que sobreviver com um engraçado trabalho em dupla; e sem contar nos leves e bons momentos informativos de caça e preparo de alimento que a Asirpa pôde passar da cultura de seu povo, os ainus.

Admito que não gosto da “narração explicativa” que o narrador se propõe a fazer, mas tenho plena consciência de que é necessário, pois alguns termos devem ser desconhecidos até mesmo para os japoneses, já que a questão aqui é sobre um povo isolado, os ainus, que assim como nós desconhecemos muitas expressões dos índios.

Não sei como é no mangá, mas achei um tanto corrido o fato de acharem dois tatuados em tão pouco tempo, e bem, o segundo deles nem vimos como foi encontrado e capturado. Tudo que sabemos sobre ele é que tem uma habilidade impressionante em fugir de algo que o pegue, e claro, temos também as informações que ele deu para o Sugimoto, que naturalmente devem ser usadas o mais breve possível.

Já vi uma capa do mangá com aquele oficial do exército que apareceu no final, e achei ligeiramente intimidador, talvez pela expressão somada com aquela cicatriz que ele tem na região dos olhos. Claramente ele deve ser alguém muito poderoso, e provavelmente um inimigo à altura do grande Sugiomoto, o Imortal.

Os cenários não têm me agradado, pois as árvores têm um claro tom destoante do resto, não exatamente que o resto seja feito com todo o cuidado e da melhor forma possível, mas as árvores de fundo se destacam quase que tanto quanto os ursos horrendos do episódio anterior, e claro, assim como aconteceu com os animais, o destaque aqui é negativo.

Outra coisa que me incomodou é que a Asirpa não compactua com a necessidade de matar os inimigos. Tem uma diferença muito clara entre necessidade e vontade, e é exatamente o que o Sugimoto quer dizer quando diz que o jeito de sobreviver na guerra é matando. É totalmente compreensível ela não querer sujar as mãos, mas o que ela deve entender é que ele está acostumado a matar por necessidade e, apesar de ela não precisar sujar as mãos, é algo que ele precisa fazer em prol do objetivo em comum que eles têm.

Quando questionado pelo seu inimigo sobre o objetivo ser dinheiro, o Sugimoto diz que é pela mulher que ele ama, o que coloca duas coisas aqui, sendo que uma é que ele pode ter dito isto apenas para não ser mais questionado e sair logo da situação em que se encontrava; e o outro que é mais possível é que naturalmente em épocas mais antigas, as mulheres viúvas eram “descartadas”, sendo assim, ele vai cumprir a promessa que fez para o seu amigo e talvez se casar com ela. Claro, também tem a probabilidade de estar tudo errado e ele simplesmente a ama mesmo e realmente está fazendo isso por vontade própria e não por promessa.

Bom, no mais, foi um bom episódio apesar das ressalvas já citadas, e eu estou bem ansioso para ver os próximos episódios para saber o que vai acontecer.

  1. Este segundo episódio de Golden Kamui foi muito bom. Concordo com as tuas ressalvas, eu próprio achei o mesmo, mas as referências históricas ao Shinsengumi, ao sétimo regimento de Hokkaido e aos conhecimentos de sobrevivência do povo ainu compensaram em muito essas ressalvas.
    Passando mesmo ao episódio, eu gosto cada vez mais da Asirpa, ela faz um excelente contraste com o Sugimoto. Tenho que concordar contigo, que ás vezes incomoda o facto da Asirpa não querer sujar as mãos, mas tem que se compreender que matar pessoas vai contra as crenças ainu. Já o Sugimoto é o oposto, ele não se considera um assassino, mas matará, quando a sua vida estiver em risco, tal como ele disse à Asirpa, só existe uma maneira de não morrer morrer na guerra, é não deixar ser morto (esta frase e a expressão que ele fez quando a falou, diz muito sobre o carácter do Sugimoto o imortal).
    Antes de passar mais adiante, a parte do ôfuro, eu achei muito engraçada, o velho que estava ao pé do Sugimoto era gente boa, e ainda ficou impressionado com as marcas de guerra do Sugimoto (nessa cena, deu para ver que o Sugimoto comeu o pão que o Diabo amassou na guerra, ele tem o corpo quase em ponto de ruptura).
    A parte de culinária do episódio, eu achei muito interessante, desde da forma de como a Asirpa montava as armadilhas, como na preparação da carne e pele de esquilo, tudo isto enriquece a cultura do anime. Os conhecimentos da Asirpa, são a prova que o povo ainu já está curtido ao clima e geografia de Hokkaido. Ainda na cena da montagem das armadilhas, a parte da bainha da faca, serviu para ver-mos o nível do artesanato do povo ainu e o simbolismo do mesmo na cultura ainu, Foi triste saber que essa mesma bainha tinha sido um presente do pai da Asirpa, a Asirpa fica sempre ligeiramente sentimental, quando fala com orgulho do seu pai.
    Falando um pouco do combate entre o Sugimoto e o soldado do temido sétimo regimento de Hokkaido, a frase que o Sugimoto disse, pode ter parecido fora do contexto, mas ela tem uma razão. Sem dar muitos spoilers (pelo menos graves), a esposa do melhor amigo do Sugimoto, foi o primeiro amor do Sugimoto, dai ele estar mais do que decidido em encontrar o ouro, para poder pagar os tratamentos da mesma (e também para cumprir a promessa com o seu melhor amigo).
    Continuando nessa cena do combate entre dois veteranos de guerra, o Ogata pertencia a um regimento de elite, regimento composto apenas pelos homens mais capazes e fortes, o sétimo regimento de Hokkaido, foi dos que mais perdeu homens na conquista das ilhas Sacalina e mesmo na batalha de Port Arthur, mas lutou sempre com uma bravura indescritível em todas as batalhas que entrou. A luta entre o Sugimoto e o Ogata, chegou perto de ser um combate entre dois titãs. ambos eram máquinas de matar forjadas na guerra, tanto que o combate acabou em empate.
    A parte do rio entre o Sugimoto e o Shiraishi foi muito engraçada. O balanço entre a comédia e o tosco foi muito bem balanceada. Mesmo o Sugimoto o imortal, não pode escapar das baixas temperaturas, o desespero dele, para encontrar as balas do rifle, para retirar a pólvora das mesmas para fazer fogo, foi muito engraçado (o Shiraishi mesmo afectado com o frio, conseguiu um belo acordo com o Sugimoto).
    A revelação de quem era o malfeitor que roubou o ouro dos ainu, deixou-me surpreso, afinal Hijikata Toshizou foi alguém importante na história do Japão. Fez sentido o autor ter escolhido o Hijikata, afinal pelo que se sabe, ele foi morto em 20 de Junho de 1869 enquanto fazia uma carga a cavalo por um tiro de rifle, mas nunca se soube o que aconteceu com o corpo dele. Até aqui tudo ok, mas de tudo o que sei do Shinsegumi, o vice-comandante Hijikata Toshizou foi aquele que escreveu as cinco regras de um samurai e numa dessas, os integrantes das fileiras do Shinsengumi, sendo samurai ou não, devia abrir mão da procura de riqueza pessoal, é daqui que eu acho meio contraditório o Hijikta Toshizou ser um dos vilões de Golden Kamui.
    Como sempre, mais um excelente artigo de Golden Kamui Carlos Sousa

    • Quando eu acho que não ficarei mais surpreso com seus comentários, eis que leio um ainda mais interessante!
      Faz sentido e é um ótimo motivo para o Sugimoto dizer que é a mulher que ele ama. Sem contar que de fato esse amor de longa data é algo que não passou pela minha cabeço no momento.
      Essas coisas me fazem querer ir atrás do mangá que deve ser sensacional. Certamente vou ler ele em algum ponto!
      Muito obrigado pelo belo comentário! Até a próxima.

      • Eu li um pouco do mangá, e o anime está a fazer uma adaptação mediana/boa. O mangá de Golden Kamui chega perto de ser um bem essencial de um apreciador da história do Japão (a arte do mangá é superior, mas a arte do anime está ok e as referências à cultura ainu a mesma coisa).
        Até ao próximo artigo.

  2. Gostei muito do episódio 2 de golden Kamui, eu amo a Asirpa-chan ela é muito fofinha e eu gosto muito da animação fluída do anime dos ursos as árvores está acima da média, muito bom! estou adorando o anime e a abertura e encerramento são sensacionais, as músicas e as referências estão muito interessantes, episódio 5 estrelas com destaque para a animação e a comida gostosa que a esposa Asirpa-chan fez para o Sugimoto o imortal.

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