E eis que conhecemos Amadeus, uma IA criada a partir das memórias de um humano. No seminário, a face que aparece é a da Maho porque não seria de bom tom usar o rosto da Kurisu para expor o sistema ao mundo, afinal, o fato dela estar morta traria críticas negativas ao projeto. O encontro do Okabe com a AI era só questão de tempo e a forma como ele se tornou possível foi coerente, além de terem explorado o drama e a comédia de forma equilibrada. Vamos conhecer melhor o Amadeus?

O Okabe levantar a voz no seminário para defender o trabalho da Kurisu e dos colegas dela foi algo animador, porque esse é o Okabe que o público conhece, um cientista que não pré-julga nada como impossível, mantendo a mente aberta as possibilidades da ciência. Nessa hora ele tanto defendeu o trabalho da cientista que admirava e amava, como as suas próprias crenças enquanto mad scientist.

Até me assustei quando vi que era ela e não a Kurisu, mas gostei, afinal, teve um motivo.

A aproximação dele com a Maho era necessária para que ele acabasse tendo acesso ao Amadeus que usa os dados da Kurisu e é bem a cara dele pedir desculpas depois de um mal-entendido e daí imprimir uma conversa agradável com outra pessoa – principalmente agora que ele está um pouco mais “normal” se comparado ao passado. Falar sobre a Kurisu seria inevitável, assim como cada um se interessar por saber mais sobre como ela era, já que cada um só conhecia uma faceta da garota. A cientista genial e kouhai confiável para a Maho; a mulher de fibra, gentil e corajosa para o Okabe. Talvez a primeira impressão do Okabe ao conhecer o Amadeus seja um meio termo entre os dois.

O cientista loiro americano e chefe do projeto deixou claro que só ele e a Maho é que tinham acesso ao Amadeus, e como já não estavam progredindo ao se comunicar com o sistema usar um elemento externo não seria estranho. Na verdade, é muito provável que os cientistas ao redor deles dois não saibam do uso dos dados da Kurisu e para evitar críticas e/ou vazamento de informações pedir a ajuda do Okabe – que conheceu o trabalho da Kurisu e a pessoa dela em si – foi uma decisão pratica.

“Muito prazer, eu sou uma IA criada a partir das memórias da sua amada.”

Confesso que esperava uma sala grande cheia de cientistas e um monitor enorme no qual apareceria o rosto da Kurisu falando com o Okabe, mas não, eles entraram em um espaço pequeno, apenas com um computador e duas cadeiras e começaram a falar com ela. Isso reforça a minha impressão de que expor uma IA que usa os dados de uma pessoa já morta não é algo que eles fariam sem mostrar que é possível tirar algum proveito dela do ponto de vista científico – o Okabe se manter falando com ela a fim de reunirem dados sobre algum possível “avanço” foi isso. Enfim, finalmente é hora de falar mais desse encontro tão peculiar quanto emotivo e o que ele deve propiciar de interessante a trama.

Esses são os personagens – + Amadeus/Kurisu – que vão agitar a trama!

Deve ser chocante ouvir a voz em tempo real de uma pessoa que já morreu, não é mesmo? Não um áudio gravado ou um programa que imita a voz de uma pessoa, mas sim uma IA moldada com base nas memórias dessa pessoa e que a partir do momento em que interage com outras pessoas – demonstrando ser capaz de ações e reações próprias – acaba por criar novas memórias que jamais farão parte da fonte original. O Amadeus é um sistema que, ao meu ver, tentou – e conseguiu – replicar com o máximo de fidelidade a personalidade da Kurisu, mas o que há ali é uma IA capaz de ir além e se tornar uma outra “coisa” que pode vir sim a diferir bastante da “original” com o tempo, basta que seja estimulada para tanto. Como ela também pode cada vez mais se aproximar da Kurisu que o Okabe conheceu justamente por causa do contato que ela passará a ter com ele. Ainda é incerto o que sairá disso, por hora só dá para falar sobre como o Okabe reagiu a toda essa situação.

Quando você fala uma língua que só você e aquela pessoa especial entendem.

Ficou estampado no rosto do Okabe o quão doloroso foi para ele ver ela “de novo”, como também ficou clara a sua curiosidade em conhecer mais o sistema, saber quem era a Makise Kurisu antes de conhecê-lo e ver o que pode sair desse seu contato com o Amadeus. Afinal, o Okabe é um cientista que não se contém na frente de um experimento interessante e por mais que ele tenha o peso do passado em suas costas e tenha mudado um pouco por isso, ele ainda continua sendo um cara ávido por novas descobertas e infindáveis possibilidades. Ele também continua sendo o mesmo Okabe que chama a Kurisu de Christina – ou a imagem dela, mesmo que seja uma outra existência – e entra de cabeça em uma empreitada imprevisível, chegando a baixar um app(?) do Amadeus no celular para poder ligar para o Amadeus e receber ligações dele. Aliás, ainda não sei como devo chamar essa IA.

Não consegui conter o sorriso de felicidade com esse jeito todo Christina de ser….

Falar mais uma vez com a “Kurisu”, e agora de uma forma mais desenvolta já que ela começou a se “soltar” com ele, é algo que poderia levar qualquer um que estivesse na mesma situação as lágrimas e com o Okabe não foi diferente, preocupando a Mayuri mesmo que ela não soubesse exatamente do que se tratava, pois quando é com o seu melhor amigo ela sente, o sofrimento dele se reflete nela e é por isso que a Mayuri é uma personagem tão importante para essa história mesmo não sabendo nada de máquinas do tempo ou de outros tópicos de ciências, é porque ela representa o emocional humano capaz de extrair desses personagens e dessas situações algo muito além do que um olhar científico frio com uma utilidade prática poderia. Mesmo que o objetivo final da obra seja mais uma vez evitar uma Guerra Mundial, o seu futuro ainda é incerto e isso se deve as novas possibilidades que foram abertas e que podem dar bons frutos de acordo com a execução da trama. Nos próximos episódios a relação do Amadeus – o alter ego de Christina – com o Okabe deve ir se aprofundado e espero que vocês continuem acompanhando as minhas análises de Steins;Gate 0 aqui no Anime21.

Sempre me corta o coração ver a Mayuri com esse tipo de expressão no rosto.

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