Hinamatsuri, o elogiado mangá de Masao Ohtake, ganha sua adaptação em anime pelos estúdios Magic Capsule e Nippon Columbia, com Kei Oikawa na direção (e que, nesta primavera de 2018, comanda também Uma Musume: Pretty Derby) e roteiro de Keiichirou Ohchi (responsável por alguns dos scripts de Aikatsu! [2012/2016]). O primeiro episódio começa movimentado com uma cena de luta em que a melhor praticante de Naika-ken nocauteia um grupo disposto a impedi-la de resgatar alguém chamada Hina. Depois, há um salto temporal, um recuo de três anos, e é apresentado o mafioso da Yakuza Nitta Yoshifumi, um homem refinado, colecionador de obras de arte, que comemora os lucros da organização. De repente, um portal dimensional é aberto na sala de seu apartamento e de uma cápsula surge Hina, uma menina telecinética. Assim, ocorre o encontro entre o mafioso e a menina misteriosa com poderes incríveis.

E essa reunião inusitada transita confortavelmente nos variados gêneros aos quais Hinamatsuri pertence. Como slice of life e comédia, é divertido ver Hina conhecer os prazeres da culinária japonesa, manifestar seus desejos de criança e querer frequentar uma escola. Nitta se vê obrigado a acompanhá-la (pela ameaça persuasiva de uma menina superpoderosa), mas acostuma-se com a presença de Hina e demonstra afeto e um senso de cuidado por ela. Já na ficção científica (e no sobrenatural), os poderes de Hina, seus efeitos e dimensão, foram parcialmente apresentados. E, caso não use a telecinese, a garota perde o controle e destrói tudo a sua volta (o que significa prejuízo para Nitta). Há muito a se descobrir, assim como sua origem.

O mafioso e o objeto não identificável.

Algo que o roteiro apresenta neste primeiro episódio e que poderá ganhar contornos para fortalecer a relação ou gerar atritos entre Nitta e Hina, é o fato dela se surpreender pelo mafioso não dar ordens a ela e nem fazer sermões em situações em que talvez devesse ser repreendida. Pelos lugares em que Hina passou, os adultos certamente a exploravam e não a retribuíam pelas suas ações. Em duas oportunidades, Hina faz uso de seus poderes. Uma a pedido de Nitta. Na floresta, arranca árvores pela raiz e efetua o trabalho que uma construtora levaria meses. Nessa ocasião, Hina percebe a ambição nos olhos de Nitta. Momento de tensão que leva a menina a confessar seu incômodo. E a segunda é quando o chefe de Nitta é baleado por rivais e o mafioso é designado para vingar o atentado. Hina espera que ele determine a ela eliminar o chefe adversário. Nitta se indigna com o comentário, o que causa estranheza na menina e a faz se sentir mais próxima do mafioso (na verdade, sente que Nitta se importa com ela). Por conta própria, Hina realiza a captura do líder rival.

O mistério Hina. Aventuras à vista.

A premissa de Hinamatsuri, uma menina telecinética adotada por um mafioso da Yazuka, abre possibilidades para o humor (como a cena final, referência ao clássico estrelado por Arnold Schwarzenegger, Terminator II [1991]), de um homem aprendendo o significado da paternidade (o anime Alice to Zouroku, de 2017, trouxe uma situação semelhante, só que quem acolhe uma criança que possui um poder especial é uma mulher), além da promessa de aventuras – como Hina se encaixará na vida de um adulto com trabalho tão questionável – e implicações éticas sobre exploração de um dom para proveito próprio (ainda mais se tratando de um membro da Yakuza).

Os ótimos diálogos, a dinâmica entre Hina e Nitta, o que há para se descobrir sobre a extensão dos poderes da menina – e sobre o seu passado – e a fotografia (apesar da parte técnica não ser tão impressionante) fazem despontar uma série que tem um excelente material a se desenvolver (de uma fonte que conquistou reconhecimento dos leitores e da crítica) e promete diversão para uma história sobre afeto e aceitação… e poder psíquico.

  1. Estou amando Hinamatsuri, a comédia seinen da temporada e a Hina-chan é muito fofinha, adorei a animação acima da média e o roteiro e trilha sonora estão exuberantes, estou rindo e me divertindo muito.

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