Esse episódio de Tokyo Ghoul:re adaptou a maior parte do capítulo 10 – que não havia sido adaptada no finalzinho do episódio anterior – até o 16, cortando algumas partes que poderiam ser cortadas e outras nem tanto, mas mantendo qualidade e objetividade – o necessário para um anime que deve adaptar no mínimo 6 volumes do original. Vamos nos juntar a “Sasako” na pista de dança dos ghouls!

Será que vamos ouvir o som de “nozes” quebrando semana que vem?

Antes de mais nada, se você ainda não viu o OVA Pinto de Tokyo Ghoul indico que o veja, pois é nele que a personagem Chie Hori é introduzida e assim você pode entender melhor porque uma humana tão frágil é amiga de um lunático feito o Tsukiyama, o qual continua devastado por achar que seu amore Kaneki está morto, pondo – mesmo que sem querer – nas costas de seu fiel serviçal, Kanae, o dever de tentar animá-lo. Por que esse trecho não foi cortado no episódio e por que personagens relacionados ao Tsukiyama aparecem em destaque na abertura? Se você já viu alguns animes sabe o que deve acontecer. O importante é que esse núcleo seja desenvolvido se quiserem usá-lo depois.

Acho que o Kanae do mangá tem mais classe que o Kanae do anime.

Logo em seguida conhecemos um pouquinho mais da personagem Saiko e fica ainda mais evidente como ela destona do resto dos personagens que tem o maior foco no :re – os investigadores. É até estranho como uma garota relaxada acabou fazendo parte de um experimento perigoso desses e uma explicação sobre isso foi uma das coisas cortadas nesse episódio, mas que, como pode vir a ser citada depois, não acho prudente comentar nem usando a barra de spoilers. Isso mantém a garota como uma personagem rasa? Sim, mas, por outro lado, ela estar em uma frequência diferente que a dos seus colegas é algo até preciso, pois mais do que um alivio cômico, ela pode ser um referencial de sanidade em meio a batalhas e tragédias – por incrível que pareça. Entretanto, isso depende do anime trabalhar a personagem nesse sentido. Temo que isso possa não ocorrer pela velocidade da trama. Mas, por hora não está ruim – pelo menos a Saiko se salva como um alivio cômico agradável.

Saiko é tipo eu me convencendo de que vou mudar de vida.

Por outro lado, personagens como o Urie e a Mutsuki já estão sendo bem melhor desenvolvidos que a Saiko e o Shirazu. A cada episódio ficam mais claras as intenções do Urie e o quanto ele é capaz de disfarçar suas ações em prol disso – manipular mais uma vez uma colega de Quinx é fichinha para ele. Ele é um personagem com um caráter torto e que tem grande potencial para ser desenvolvido e melhorar como ser humano – acredito que ele pintar antes de uma missão aponte sua faceta mais sensível. Já a Mutsuki tem bem menos tempo de tela que ele, mas é claro que há um problema a ser explorado no que diz respeito a sua sexualidade e ela ter que se “travestir” de mulher e se sentir mal por isso foi uma ótima maneira de reforçar essa ideia – além de ter sido útil a trama de outra forma.

Aliás, um detalhe que considerei uma mudança da adaptação no episódio passado – a autorização do Urie para a cirurgia – foi explicado nesse, mostrando que estão seguindo fielmente o mangá. O que aconteceu foi que achei que a cena deu a entender outra coisa. Isso é bom? Para os faz do mangá é, com certeza, mas para os do anime não, já que fica cada vez mais claro que estão seguindo com fidelidade o material original sem se preocupar com certos detalhes que podem vir a confundir a quem só viu o anime. Considero isso mancada da produção, mas que ainda não atrapalhou a história.

Em Tokyo Ghoul ficar repetindo palavras assim não é bom sinal não…

Antes de falar mais sobre a party hard, é importante comentar o que o Donato disse ao Haise e como isso se ligou bem ao inusitado momento seguinte. Quem é Haise Sasaki senão uma pessoa que tem dois anos de vida – dois anos de memórias e identidade – enquanto tem um corpo com 22 anos? Se ele lembrar do seu passado o seu “eu” de agora continuará a existir ou será sobreposto por uma personalidade que é extremamente diferente, mesmo que não completamente oposta? Ele deixa claro que não quer perder o que tem hoje, mas lá no fundo ele sabe que enquanto viver cercado por ghouls alguma hora o seu passado nebuloso virá à tona e só o que ele pode fazer é seguir em frente para proteger os cidadãos de Tokyo como um honrado investigador – tenho certeza de que é um pouco isso sim –, mas principalmente para proteger aqueles que ele considera família e teme perder – o que o deixaria . Isso é o mesmo que ele tentou fazer com a Anteiku e deixa claro que mesmo sendo outra personalidade, certas formas de agir e de pensar se mantém profundamente enraizadas no cerne do ser que ele ainda é hoje – a cena dele falando com a Akira é uma prova irrefutável disso.

“Se você não quer que nada seja tomado de você, é você quem tem que tomar (dos outros).”

O quão inusitado foi metade do esquadrão Quinx na ativa se travestir para investigar a Quebra-nozes? Tudo bem que o Sasaki ficou muito bem de mulher, mas o Shirazu ficou hilário, me arrancando umas belas risadas e dando mais leveza a um momento que faz sentido ser descontraído devido a tensão da primeira grande missão deles. De interessante nesse trecho houve não só a cena da Mutsuki, como também o aparecimento da Roma e do Nico. Ele apareceu no primeiro episódio do √A em uma situação bastante misteriosa com um personagem também bastante misterioso e sobre isso só posso dizer uma coisa: Palhaços. Ele e a Roma, a santa do pau oco que chegou a trabalhar na Anteiku, são integrantes desse grupo misterioso que pouco ou praticamente nada foi abordado nos dois primeiros animes, mas a prévia do próximo episódio já deixou claro que eles darão as caras. Se somarmos isso a presença da Quebra-nozes no recinto e a ela ter recrutado a Mutsuki – aqueles que parecem mais frágeis são sempre as melhores iscas, né –, o que deveria ser uma missão de infiltração tem tudo para já ter sido descoberta e fazer parte dos planos ao menos dos palhaços – já que nada indicou que a Aogiri, que também integrará o cast do aguardado leilão, tem ideia dessa “armadilha”.

“Se eu pisco pra sua quinque você fica sem ela, querida.”

Se as coisas não saírem como o planejado pelos pombos – não vão sair, nunca saem em mangás ou animes – a gente já sabe o porquê disso. Então, agora o que podemos esperar dessa operação no leilão? Eu espero muitas cenas boas de ação, desenvolvimento de personagens e uma “abertura” da trama – que até agora ainda está dentro de um espectro reduzido, algo aceitável para seus primeiros episódios. Espero que compensem um pouco uma ou outra parte cortada nesse episódio com flashbacks ou algo do tipo, porque senão podem ficar pontas soltas no que se refere a essa operação.

Um detalhe ínfimo – e que nem acho que pode ser considerado spoiler – é que a pessoa que veio da Alemanha e seria recebida pelos dois investigadores aparentemente aleatórios do primeiro episódio era justamente o Washuu que está no comando dessa operação – mais um personagem novo e que já está mostrando as suas asinhas –, a qual será mesmo um sucesso para o CCG? Isso só vendo para saber, mas é certo que os Quinx devem desempenhar um papel importante nela caso queiram elevar sua moral na corporação e ter uma frágil Mutsuki em perigo, um Urie motivado até demais a ganhar méritos, um Shirazu querendo grana, uma Saiko de metida e um Haise questionando seu passado em vias de provavelmente dar de cara com ghouls que fizeram parte dele; deve ser importante para isso.

Sorriam e se divirtam enquanto podem meus adorados Quinx…

P.S.: Sim, a Big Madam é o mesmo ghoul que criou o Juuzou – cujo design ainda não me desceu –, o personagem chave que o Donato cita é aquele que aparece na abertura após a Akira, é sério que o Ayato ainda não sabe quem é a verdadeira Eto – belo capacho ele, hein –, aquela personagem que não deveria ter aparecido na abertura apareceu por um segundo – o que a cara é tipo um emoji desenhado num saco – e o Kaneki brilha mais nos momentos de desespero. Teremos momentos de dor e sofrimento dele nos próximos episódios? Se tudo correr bem, vocês não perdem por esperar!

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