“Lindo” é a palavra que eu escolho para simplificar a primeira parte deste episódio!

Pensei que o sem-teto queria fazer algum mal ao chamar a Anzu daquele modo suspeito que nós conhecemos bem, mas fico feliz por ter recebido um belo tapa na cara e ter visto uma coisa linda, que apesar de ser um anime de comédia, consegue ter partes sentimentais e sérias e acerta quando o faz.

Todo o desenvolvimento da Anzu me fez lembrar de um senhor que ficava no supermercado que tem perto da minha casa, lembro que eu vinha embora da escola e sempre via ele lá, quando eu passava ele dava bom dia com uma simpatia tremenda. Após um tempo, eu comecei a pegar meu lanche da escola e dar para ele comer, uns dias se passaram e eu sentei um dia lá na calçada com ele e fiquei conversando um pouco, e bem, acho que este dia foi um dos que eu sempre vou lembrar, pois ele me contou muito sobre a vida ele, que ele tinha família, esposa, filhas e infelizmente ele acabou caindo naquela vida miserável por conta do vício em álcool. Quantas vezes você já passou por um sem-teto e não deu a mínima importância? Tenho certeza que grande parte da nossa sociedade os vê apenas como seres jogados nas calçadas. E na verdade eles são pessoas que têm histórias de vida.

Inicialmente a Anzu aprende o valor do trabalho e do dinheiro, logo depois aprende que o orgulho não leva a nada, e por último, ela aprende que deve sempre ser honesta e pagar suas dívidas. Depois disso, tivemos partes cômicas muito boas, que serviram para aliviar um pouco o clima mais sentimental por assim dizer, mas com certeza, a primeira parte foi a minha favorita do episódio.

Eu fico pensando que Hinamatsuri é um anime extremamente errado onde menores de idade vão a lugares exclusivos para adultos e ainda por cima, neste episódio, a Hitomi virou uma funcionária fixa de um lugar frequentado em sua maioria por homens adultos e como se já não fosse errado o suficiente, ela acaba tendo que fazer isso por ter sido chantageada. É claro que é cômico no momento, mas se você for ver o quão doentio isto é… Bem, você pode vir a se achar uma pessoa horrível por ter achado isso engraçado (apesar de realmente ser deveras engraçado).

O melhor – e certamente bem engraçado – foi o professor desconfiando que ela era aluna dele, e no fim, se contenta em achar que nenhuma aluna do ensino fundamental seria capaz de preparar bebidas assim, e aí você entende que ele bebeu demais.

E eis que chega os minutos da nossa querida Hina, minutos estes que são poucos, mas que no final, foram muito divertidos de se ver. É claro que em algumas situações nós só damos valor para algo quando não o temos, mas a Hina não precisou de fato perder, contudo, ainda precisou de uma leve ameaça para agradar o Nitta um pouco mais, e aí começa os minutos em que eu mais ri e me identifiquei! Assim como ela, eu sou um desastre limpando a casa, a única coisa que eu sei e faço direito é cozinhar, caso eu tente fazer qualquer outra coisa que não tenha ligação com cozinhar, eu acabo me atrapalhando ou não fazendo direito. Fiquei ansioso para ver a reação do Nitta ao ver o caos que a Hina fez no apartamento, pena que só veremos isso na próxima semana, mas tenho certeza que vou rir muito.

Você lembra do fim que teve isso né?

Bom, caso alguém tenha se interessado pela passagem de vida que eu contei antes, eu não sei onde o homem está. Depois de um tempinho ele desapareceu, talvez ele esteja andando por aí, talvez ele tenha voltado para a família ou, no pior dos casos, ele infelizmente não conseguiu nada disso. Tem uma frase muito bonita que eu sempre ouvia quando mais novo que era: “Uma vez fiquei triste ao ver que não tinha sapatos, então vi alguém que não tinha pés.” É uma frase bem forte e ao mesmo tempo bonita, concorda?

Obrigado por ler até aqui, e perdão se pareceu um artigo pesado para um anime de comédia. Até a próxima!

  1. Este episódio foi muito bom. A primeira parte do mesmo, me emocionou um pouco, quando a Anzu foi ajudada pelos sem abrigo, o meu coração só pensava, estúdio Feel, não brinca com os meus sentimentos.
    Eu também pensei, que os sem abrigo fossem fazer mal à Anzu, mas aquele senhor de óculos (Yassan) era boa pessoa. Os outros sem abrigo, também não eram más pessoas, apenas amargurados com a sua situação, mas quando ouviram a Anzu a cantar com a sua expressão honesta, eles finalmente a aceitaram (os outros sem abrigo, eram gente boa).
    A mensagem que a primeira parte do episódio foi muito bonita e meio que uma lição de vida, quando a Anzu começou a recolher latas de refrigerante para as vender no ponto de reciclagem, ela teve a noção da importância do trabalho e do dinheiro. Ela nessa parte é que teve a plena noção, que roubar era errado, o esforço que ela tinha que fazer a recolher as latas de refrigerante e os quilómetros que tinha que andar a pé para as vender, lhe fez fez pensar, que aquilo que ela roubava vinha do trabalho e esforço de outras pessoas.
    A parte da Anzu e do Niita, foi tocante, ela aceitou os quarenta mil ienes, em prol dos senhores do acampamento de sem abrigo, em vez de ficar com ele para si mesma (se havia dúvidas que a Anzu era a best girl do anime, depois dessa cena, as dúvidas desapareceram). Ainda nessa cena, a Utako e os outros donos de loja de conveniência, não foram capazes de perdoar a dívida da Anzu e ficaram-lhe com 39340 ienes daquilo que ela tinha recebido do Niita. O Yassan deve ter ficado feliz da sua discípula ter pago as suas dívidas e ainda se preocupar com as pessoas do acampamento.
    Agora a parte da Hitomi, eu ri muito da chantagem que a Utako fez com ela, para obrigar a Hitomi a trabalhar no bar, mas quando penso de forma mais séria, este anime está cheio de coisas muito erradas. No episódio passado foi o Niita a levar duas crianças para um cabaré, a Hitomi a servir num bar por engano e agora chantagem, Hinamatsuri está cheio de personagens podres. A parte do vice-director da escola da Hitomi e da Hina, mais o professor da Hitomi, foi muito engraçada. O professor já estava a ficar se saco cheio do vice-director bêbado, mas quando o mesmo disse que ia ajudar o professor a subir de posto, a atitude do professor mudou da água para o vinho (assim se vê, que o ser humano é nada interesseiro).
    A parte do bar, rendeu muitas expressões engraçadas da Hitomi, o professor de certeza que sabia que a bartender que o estava a servir as bebidas era a sua melhor aluna, mas à medida que ele ia se surpreendendo com a qualidade do sabor e preparação dos drinks (e a ficar sob a influência da bebida), no final fechou os olhos e foi-se embora.
    A parte da Hina, eu me revi tanto, eu sou péssimo a fazer limpezas, tal como tu, apenas sei cozinhar e mesmo ai, faço uma sujeira dos infernos. Ver a cara de descaso, da Hina a fazer as limpezas e a partir e a sujar tudo, foi muito engraçado. O que será que o Niita irá sentir ou gritar, quando ver a sua casa virada do avesso (foi sacanagem o episódio ter terminado quando o Niita ia abrir a porta, agora só no próximo episódio para vermos o choque do Niita).
    Antes de terminar, o teu testemunho de vida sobre o senhor que ficava sentado perto do supermercado foi muito boa . Eu quando era mais novo (com uns 9 anos), também via sempre um senhor sentado em frente ao supermercado onde os meus pais iam fazer as compras do mês e ele era muito simpático. Com o passar do tempo, esse senhor passou a ser amigo dos meus pais e quando ele sentiu mais confortável para se abrir com outras pessoas, ele explicou aos meus pais (eu estava presente) que não tinha se tornado sem abrigo por querer, ele ficou daquela maneira, porque se viciou em medicamentos para as dores. Ele era um ex-combatente da guerra colonial portuguesa, ele perdeu um dos seus braços na guerra e ficou com uma bala e vários estilhaços alojados na anca, ele quando regressou da guerra, não suportava as dores recorrentes dos seus ferimentos e não conseguia manter um emprego fixo. Quando a hora negra chegou, a família desse senhor o abandonou à sua sorte, não só por causa do vicio de medicamentos, como porque ele não teve direito a uma reforma por invalidez do exército.
    Até hoje esse senhor, continua amigo de mim e dos meus pais, ele conseguiu a sorte de encontrar pessoas que o ajudaram em tudo o que puderam, hoje em dia, esse senhor, já nem parece o homem amargurado da vida, que eu conheci à 14 anos atrás.
    São estas pequenas coisas, que nos fazem aprender lições para uma vida toda. Os meus pais, sempre me educaram a nunca olhar de lado, ou fazer pouco dos sem abrigo, quando posso tento ajudar com algum dinheiro um sem abrigo que precise, mas muitos dos sem abrigo que ajudei, muito raramente queriam dinheiro, queriam apenas uma refeição e isto mexe com uma pessoa.
    Respondendo à frase da parte final do artigo, é impossível não concordar. É uma frase que nos faz reflectir e é bonita ao mesmo tempo.
    Como de costume, mais um excelente artigo de Hinamatsuri Carlos Sousa.

    • Eu ainda estou tentando provar para o Fábio “Mexicano” que a Anzu é a melhor garota de Hinamatsuri, até agora sem sucesso, mas até o fim do anime ele vai mudar de opinião!
      Bom, brincadeiras à parte, fico feliz em saber que o senhor que você conheceu conseguiu ajuda de pessoas boas e claro, principalmente conseguir tirar a amargura. Não sei o que aconteceu, mas espero que o homem que eu conheci tenha tido o mesmo destino.
      Acho muito bom que um anime de comédia consiga mesclar momentos cômicos e sérios (sérios com propósito, claro).
      Muito obrigado pelo belo comentário! Até mais.

      • A luz da razão iluminará a mente do Fábio e o fará perceber que a Anzu é a best girl de Hinamatsuri (mas compreendo a indecisão dele, afinal tem a Hina no meio, ai fica difícil escolher a best girl).
        Até ao próximo artigo de Hinamatsuri.

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