Você já se imaginou como uma mercadoria? Já pensou no quanto pagariam por você em um leilão? Se você ainda não fez isso pode se questionar após assistir esse episódio de Tokyo Ghoul:re porque na Tokyo da obra ghouls capturam humanos e os usam de diversas formas – lembram do restaurante ghoul do primeiro anime? – a fim de satisfazer os seus desejos mais sórdidos. Contudo, a CCG existe para exterminar ghouls e depois salvar as pessoas? Nesse caso a ordem dos fatores altera o produto?

Acho que as lutas desse episódio poderiam ter sido melhores, mas não é nem que elas foram ruins exatamente, mas poderiam ter sido mais movimentadas – em todos os sentidos. Mas isso não estragou o episódio e como ele serviu mais para ir delineando os acontecimentos importantes por vir dá para entender os vários cortes de cenas de ação curtas e guardar a expectativa por lutas mais empolgantes para o próximo. Amenizaram certas cenas para evitar censura, o que acho melhor que tarja preta e outras coisas ridículas, e uma qualidade do anime se manteve, a objetividade com a qual são passadas informações sobre os personagens – como pensam e agem –, assim como com o que acontece no entorno deles. Então, vamos falar um pouco mais sobre esse grande leilão ghoul?

Quando um ghoul é mais chique e rico que 99% da humanidade…

O episódio começa acompanhando a operação Cavalo de Tróia e eu até entendo investigadores arriscarem suas vidas em uma missão, mas priorizar o extermínio de ghouls ao invés de vidas civis não é a atitude adequada para um superior, não é mesmo? Mas se ele prioriza os resultados e usa isso para crescer na organização – afinal, ele ainda pode ser promovido – o que seria o Washuu no comando da operação senão um monstro sob pele humana? Aliás, humanos e ghouls são tão diferentes assim mesmo? Será que não existem leilões em que seres humanos vendem outros seres humanos como mercadoria por aí? Enfim, me atentando aos acontecimentos do episódio, o que vemos após o ataque do Suzuya é a invasão do CCG e uma divisão de quem deve enfrentar quem, algo que não denotaria tanta discussão se não apontasse prováveis desenrolares bem interessantes.

Já que não teve uma cena assim tão boa do Suzuya, vamos de Uta levando facadas mesmo!

Não sei se vocês lembram, mas a forma da kagune da mãe da Hinami não era muito similar a quinque da Akira nesse episódio? Aliás, a cara dela não lembrou muito a do pai na imagem abaixo? Dá para achar um pouco triste uma personagem de outrora – ou o que restou dela – ser hoje uma arma, mas o que são os investigadores senão ceifadores de ghouls? E ghouls de humanos, é verdade, tanto que a luta começa nesse prumo, com muitas mortes de figurantes aleatórios e lutas em que figurantes não tão aleatórios podem morrer. Espero que isso não inclua a Akira ou a Hinami – pois gosto muito de ambas –, duas personagens tanto vítimas(?) quanto culpadas(?) nesse ciclo de ódio entre as raças.

Tal pai, tal filha?

Enfim, no leilão temos: Esquadrão Akira versus White Suits e/ou Esquadrão da Miza, Palhaços versus Esquadrão Hirako – difícil um esquadrão mais figurante ajudar ali –, Esquadrão Quinx no resgate da Mutsuki versus quem aparecer pela frente, Esquadrão de figurantes que vão morrer versus Takizawa que agora é um ghoul de um olho criado artificialmente pelo Kanou com as bênçãos da Aogiri Tree.

Estou esquecendo de algum confronto importante? Se estou é porque não é importante ou se dá entre os próprios ghouls como a luta entre o Kanae e o Torso pela Mutsuki, que dada a sua condição de Quinx não teve sorte e acabou visada pelo servo mais fanático da casa Tsukiyama. Aliás, os personagens desse núcleo têm aparecido cada vez mais, não é mesmo? Não seria estranho se o próximo arco tivesse eles em foco e para isso um confronto direto agora entre o Kanae e os Quinx seria interessante. Não dizem que é melhor conhecer a cara do seu inimigo antes de atacá-lo?

Seria grox reich o novo très bien?

Não posso esquecer também do Ayato e do Suzuya, mas para onde eles vão e o que vão fazer ainda não ficou claro e o sucesso no extermínio da Big Madam depende do que esses dois personagens fizerem, já que um é o guarda-costas designado pela Aogiri, o outro o filho pródigo(?) que não vai voltar para casa, mas pode “enterrar” a própria “mãe”. Seria esse um belo final para essa “família”?

De um lado há a Aogiri que ficou responsável pela segurança do local, mas será que a organização ghoul mais poderosa de Tokyo tem apenas esse interesse em um evento para ghouls abastados? Duvido muito, e mesmo se quisessem “testar” o Takizawa, eles não precisariam servir de babá de ghoul rico para isso. Do outro lado temos os Palhaços que sabiam dos planos do CCG, mas ainda assim continuaram com a brincadeira e agora devem se exercitar um pouco também. O que eles querem? É uma incógnita, mas eles aparecem na abertura e tem uma clara influência no mundo ghoul então é certo que essa não será a primeira nem a última vez que vamos rir das suas piadas.

Não dizem que quem tem boca vai a Roma? Então…

E contra todos os ghouls há a CCG que quer prioritariamente exterminar um ghoul influente, mas adoraria matar o máximo possível – ghouls fortes de preferência. Para isso quaisquer peças serão usadas e os Quinx são um elemento chave dessa operação porque se um humano tiver um buraco aberto na barriga por uma kagune as chances dele morrer são enormes, já os Quinx podem se recuperar e lutar de novo. Quer ferramenta melhor para ser testada em lutas com ghouls, lutas essas que podem ajudar a pavimentar o caminho para o sucesso dessa operação? A Quebra-nozes está a solta e a prévia do próximo episódio anuncia uma luta entre Kaneki e Takizawa, a qual se não for muito boa – é entre o protagonista e um personagem que parece muito forte – será decepcionante. Será aí que os Quinx terão sucesso e começarão a se firmar? Vamos esperar para ver no que vai dar!

Ademais, só há mais duas coisas realmente interessantes a se comentar sobre o episódio. Primeiro, os Quinx simbolizam a renovação da CCG enquanto organização, então não seria estranho jovens investigadores questionarem o papel de seus veteranos e de seus velhos métodos, assim como um veterano lembrar do referencial na CCG – o ceifador Arima – daquilo que engloba tudo o que um investigador deve ser e pode conquistar na carreira. O problema é que a realidade é dura e Deus não é um ser que pode ser igualado por meros mortais, não é mesmo? Isso se liga diretamente a segunda coisa ainda digna de nota desse episódio: o destruidor de sonhos e apreciador de abacaxis, Takizawa.

Se o Takizawa voltou o próximo é o Amon? O quanto aquela abertura fanservice para os leitores do mangá já estregou do que poderia ser surpresa para quem só vê o anime? Só espero que isso não mine o potencial do que ainda pode sair de bom dessa adaptação. Agora, sobre o Takizawa em si talvez não há tanto a se falar ainda, mas se a transição do Kaneki de humano para meio-ghoul já foi difícil, imagina para quem era investigador de ghouls e agora faz parte da Aogiri? Insanidade é o que podemos esperar do personagem, além da já bastante interessante exploração de dois modos de viver e pensar diferentes que já acompanhamos através do Kaneki desde o princípio. Eu não disse que Tokyo Ghoul é melhor quando tem muito sangue, lutas, loucura e sofrimento? Se eu não disse estou dizendo agora e digo também que podemos esperar algo de muito bom para semana que vem – se vai ser bom ou não são outros 500, vamos torcer e aguardar o desenrolar do famigerado leilão.

“Sou Takizawa, mas pode me chamar de ghoul de um olho. Gosto de abacaxi, prazer.”

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