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Eu só acompanho Ajin pelo mangá nacional (aka: a edição que a Panini lança pelas terras brasilis), não faço ideia se é assim que o mangá termina e por isso não faço ideia se há previsão para uma possível terceira temporada. Porém, ficou claro pra mim que no fim das contas, esse fim de Ajin não só não mudou quase nada do padrão de final aberto da última temporada como fez o favor de ser ainda mais ambíguo.


Anime21 Diário

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O episódio 11 é, como de praxe, a transição inicial do arco final. Não só isso como é literalmente o único episódio com desenvolvimento de personagens, já que os outros 2 são extensamente focados na batalha final. Nele nós apreciamos com mais detalhes o struggle interno que Nagai Kei adquiriu depois de ver seus companheiros serem pateticamente mortos diante de seus olhos sem que ele pudesse fazer nada (o que aparentemente é a forma como o Sato entende uma “punição”). Para todos os efeitos, Nagai regrediu a um ponto em que acha que se é pra ver todos morrerem pateticamente é melhor nem tentar lutar contra uma força absurda como a de Sato, até porque o mundo que Sato supostamente idealiza (apesar de Kei saber que é mentira) é um mundo onde os Ajin são respeitados e estão no controle.

Como de praxe, Kei estava numa situação terrivel e foi salvo pelo Kaito e seu amigo Ajin alado (que literalmente só existe para que o Kaito salve o Kei nessa cena), curando-o de sua incrível crise emocional em 5 minutos (afinal Ajin 2 é um anime que não pode gastar mais do que um episódio por arco em desenvolvimento de personagem) e abandonou ele de novo pra variar, dessa vez para que ele levasse sua irmã para a Índia (e que mesmo assim estava de volta ao hospital quando o anime acabou porque…dane-se a consistência).

Como que para provar que as palavras de Kei eram vazias e constituíam meras desculpas para seus atos, a cena seguinte é justamente o que representa o ultimato para qualquer expectativa (já francamente difícil) de que Sato tinha qualquer plano pra realizar um acordo de paz, mesmo com o Coronel das forças de autodefesa japonesa chegando ao ponto de pleitear a posse de uma ilha japonesa inteira como território independente, Sato meramente o ignorou e seguiu com seu plano provando para todos ali que a única resposta que buscava era a diversão em meio da guerra.

Essa diversão que não aceita pessoas que atrapalham seus planos sem que elas tenham de ser punidas é uma constante bem clara nas ações do Sato, que aliás, aparentemente está aqui para ficar, já que mesmo tendo sido capturado e preso da forma absoluta que foi, ele (provavelmente com seus aparentemente existentes contatos com os Estados Unidos) plantou uma bomba no avião que o carregava e conseguiu dessa forma escapar mais uma vez para a abertura de uma suposta terceira temporada no futuro.

Aliás, sejamos sinceros, o Sato é um ser extremamente aleatório que só tem na vida dele um foco: tratar a vida como um jogo e jogar esse jogo ao máximo. Isso não é uma ideia nova, desde os primeiros episódios da segunda temporada o vício dele por joguinhos e suas mecânicas de “continue” era óbvio, e depois de seu curtíssimo flashback de final de temporada (como se aquilo supostamente explicasse muito coisa além do porquê ele ser tão forte) vemos que mesmo quando humano, Sato era um soldado que, em plena guerra, sonhava em ter um corpo imortal para aproveitar o máximo das experiências que ela possuía.

O que bom…pelo menos dá uma espécie de reason d’etre pra ele. Soldados que lutaram na guerra costumam sofrer com TEPT (Transtorno de estresse pós-traumático), o que basicamente quer dizer que o ambiente da guerra e seus horrores, prendem suas mentes em um frenesi de memórias que os sequelam para sempre. Enquanto alguns soldados nunca mais conseguem voltar efetivamente para a sociedade, Sato se tornou viciado na rotina da guerra e passou sua vida e pós vida buscando aquele ardor divertido que a guerra lhe proporcionou. Ou seja, similarmente aos nazistas vampiros de Hellsing, Sato viveu para a diversão da guerra e com seu corpo imortal queria aproveitá-la infinitamente, vendo o soldado divino lutar tão bravamente contra sua equipe da SWAT  Americana (não me pergunte porque o Sato estava no exército americano, tipo sério, deve ser alguma falha estúpida de background de personagem que esse anime tanto insiste em ter).

Basicamente, muitos acham o Sato um vilão incrível, e olha, não deixa de ser… ele é um vilão simples que faz as coisas de forma incrível e portanto é bem carismático, só que ele simplesmente não serve pra o universo em que se insere, ele é extremamente simplório em um universo moralmente ambíguo que constantemente dialoga sobre o que diabos é bem ou mal e o que devemos fazer nas mais diversas situações. O Sato ser o vilão final de um anime como Ajin seria o equivalente do vilão final em Parasyte ser o A, aquele assassino feral que atacou o protagonista no início do anime, e mesmo assim não seria tão ruim porque “ser um monstro que não entende os humanos” é um ponto mais válido do que “porque é legal”.

No fim das contas, quando você tem por objetivo mostrar uma história onde até o protagonista tem uma moralidade ambígua que não hesita em fazer todo o tipo de imoralidade para que seus planos deem certo e 90% dos vilões são seres que estão simplesmente defendendo seus direitos e buscando por um objetivo até que bem razoável (uma ilha para viverem em paz sem serem incomodados e direitos humanos como os de qualquer um), botar como vilão principal um ser que quer causar destruição e terror na humanidade porque literalmente sim, enquanto pinta esse mesmo ser como um Deus na Terra que esbanja inteligência e poder, seja mental (preciso lembrar o quão sem sentido é alguém claramente doente da cabeça ter tanto controle sobre seu fantasma ?) ou físico (eu estou perdendo algo ou nem mesmo os fucking Americanos mostraram saber que o Sato foi um membro da famosa equipe de assalto que capturou o primeiro dos ajins ?) é extremamente inconsistente.

Nota por estrelas: 3.5

Nota média do anime: 6.7

  1. Sendo sincero, concordo com suas críticas, mas achei o anime razoável.
    No episódio onze, gostei da tensão existente entre o Satou e os demais Ajins, que enfim notaram seus reais planejamentos, apesar de Tanaka permanecer como aliado dele. O desenvolvimento do personagens principais, mesmo que somente durante um único episódio, foi interessante. A aparição de Kai e Takeshi foi exagerada, mas, caso eles apareçam mais frequentemente, não serão “jogados” toda vez que o Kei precisar de ajuda, pelo menos.

    No episódio doze, apesar do combate ser extremamente semelhante ao anterior (Nagai demonstra superioridade sobre Satou, pensam que ganharam, mas, com um trunfo, Satou retorna – embora ter uma bomba instalada exatamente no local destinado ser um exagero – e outro combate se inicia), consegui sentir vontade de assistir o próximo episódio. E no último episódio, mesmo que previsível, foi interessante ver o Satou ser derrotado pelos diversos IBM’s. E, sim, o Satou era do exército americano, tanto que eles descobriram sobre ele no episódio dez, mostrando que seu nome era Samuel T. O’brien.

    Fora isto, ótimo post. Até!

    • Iwan

      ola, obrigado pelo post
      Eu realmente não lembrava de quando mostravam no anime então é bom saber que pelo menos isso avisaram.
      E bom, eu achei o Tanaka ter ficado do lado do Sato interessante, apesar de extremamente forçado do ponto de vista do anime, que não pôs nenhum sinal forte do Tanaka estar junto com o Sato por qualquer razão fora admiração e vontade de se vingar da indústria musashi (o que ele já fez) e recuperar os direitos que tinha perdido.(o que o Sato estava atrapalhando a obtenção)

      • Primeiramente, ter sua cabeça decapitada não é uma forma perfeita de matar ajins. O conceito é o seguinte: Se você perde sua cabeça, ao outra ser criada novamente, todos os seus pensamentos e memórias serão criados de uma forma diferenciada à original, e então o ajin “morreria”. Para você, você estaria morto. Mas, e para todos os outros? Você é exatamente o mesmo. Nada realmente muda a um estranho, e alguns (como o Satou) simplesmente não se preocupam com esta questão… Isso foi o que entendi.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Historicamente grupos marginalizados recorreram à violência e terrorismo para conquistar direitos mínimos, de fato (a inversa não é verdade: nem sempre violência e terrorismo estão associados à luta por direitos por grupos marginalizados). Isso independente da avaliação moral que se faça da opção pela violência.

      Mas como expectadores de uma obra de ficção temos uma vantagem, não temos? Ao analisar personalidades históricas reais, só podemos nos guiar pelo que elas falam, e mais restritivo ainda, pelo que ficamos sabendo do que elas falam. No caso de Ajin tivemos o privilégio de conhecermos intimamente o Sato, e uma coisa é certa: ele é sádico, gosta de violência apenas pela violência, gosta de matar, gosta de causar dor. É um psicopata e um sociopata. Nesse caso acho que não nos resta opção senão sim, julgarmos sua moral. E eu não consigo senão reprová-lo.

  2. O anime modificou MUITA coisa.
    No caso da empresa farmacêutica,onde o Satou destruiu com um prédio,no mangá ele sequestra um avião e “joga” ele em cima do prédio,matando mais ou menos umas 700 pessoas.
    Satou é um puta vilão,o anime não fez jus ao quão cruel ele realmente é muito menos mostraram o quão lixo é a personalidade do Nagai.
    Recomendo a quem assistiu e gostou que vá ler o mangá desde o inicio,é outra coisa,vai por mim.

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