Bom dia!

Tá mais pra “dai-me forças!”. A garota chamando o “Seiya” o episódio inteiro invariavelmente me lembrou do Cavaleiro de Pégaso. Fazer o quê? Cavaleiros do Zodíaco foi meu primeiro anime afinal de contas. E agora estou aqui escrevendo sobre Dorei-ku. Continuo fazendo más escolhas, mas naquela época eu pelo menos poderia declarar ignorância. Hoje em dia, dizer o quê? Sou sádico mesmo.

E eu sei o que eu escrevi ontem, nas primeiras impressões de Hisone to Masotan, ok? Não faça essa cara.

Desde o primeiro episódio já estava claro que esse era um anime de muito mal gosto e com uma animação bastante limitada. Que história será que o “seinen psicológico” da temporada pretende contar? Já é o segundo episódio e continuo não fazendo a menor ideia. Mas o desfile de pessoas horríveis continua!

Pensa em duas pessoas que totalmente não parecem suspeitas

Seiya é um host, um troço que eu não sei se tem tradução para português. É um serviço de acompanhante que não te acompanha em lugar nenhum, e definitivamente não é prostituição. É só uma pessoa que te recepciona, que é sua anfitriã (daí o nome “host”, ou “hostess” para mulheres) em um estabelecimento parecido com um bar. Você paga para o host (ou hostess) te acompanhar, você paga coisas para ele, enfim. Isso no mundo ideal. No mundo real pode rolar muito abuso e prostituição sim, mas não vou entrar nesse detalhe. Seiya é um host. Ayaka a gente não sabe o que é, mas parece ser uma profissional do ramo também, que se apaixonou por Seiya e se prostituiu para ganhar um extra e fazer chover dinheiro na horta do rapaz. Até aí, só negócios.

Mas ele não gostava dela. Seiya não gostava nem um pouco, na verdade ele tinha nojo de sua melhor cliente, aquela que garantia sua vida boa (que permitiu que ele viajasse para a Jamaica com sua namorada, que aparentemente também é uma hostess). Ayaka não pedia nada em troca, ela só pagava pelos serviços do Seiya. Ele não gostava dela, mas ainda queria o dinheiro dela, então não podia simplesmente passar a recusar-se a atendê-la. Solução? Escravizá-la! Pena que ela já tinha ouvido falar dos aparelhos ortodônticos especiais usados para escravizar pessoas. Pena para ele, quero dizer.

Não por muito tempo. Em Dorei-ku, no final das contas, sempre sobra para as mulheres. Senão vejamos. No primeiro episódio Rushie foi estuprada por Masakazu. Não foi nem um impulso (que não, não tem desculpa nenhuma, não torna menos pior de forma alguma, do ponto de vista moral não é nem um pouco melhor, mas pelo menos seria psicologicamente mais complexo), Masakazu tinha clorofórmio em seu carro e um plano para estuprar a garota caso o óbvio se desse e ela não quisesse transar com ele. Qual foi a “vingança” da Rushie? Tornou Masakazu seu escravo. Que tipo de escravo? Bom, quero crer que ela não tem a menor intenção de fazer sexo com ele de novo, mas sentar-se em cima dele, enquanto ele está nu, é bastante sexual. Tenho certeza que muitos homens têm esse tipo de fetiche. Talvez o próprio Masakazu tenha esse fetiche, e só não está podendo aproveitar o momento porque ainda está confuso com como seu corpo está agindo contra sua vontade.

Pelo menos esse anime tem jogos emocionantes explicados em enquadramentos arrojados

Rushie definitivamente teve uma experiência muito pior. Mais do que isso: foi Masakazu quem a agravou em primeiro lugar. Não estou dizendo que escravizar alguém seja uma punição justa, mas ainda assim permanece o fato de que é apenas a punição para um erro que ele cometeu. Nesse segundo episódio não foi diferente. Seiya tinha nojo de Ayaka mas queria o dinheiro dela, então decidiu escravizá-la para roubá-la. Ela virou o jogo, o escravizou, mas no final foram derrotados por Eia e Yuuga e se tornaram escravos dele. A primeira coisa que Seiya fez? Meteu um soco na cara da Ayaka. Mas ficou tudo bem porque ele pediu desculpa pra ela depois, suponho. Ei, isso foi ironia, não está nada bem.

Mamãe me ensinou a nunca pegar coisa do lixo

Como eu ia dizendo, só as mulheres realmente se ferram nesse “jogo”. Seiya se tornou um escravo, claro, mas ser um escravo do Yuuga por enquanto não é problema nenhum. E, como o Masakazu, justo ou não, ele está sendo punido por um erro que ele cometeu em primeiro lugar. Mas parece que a maior “punição” dele não foi essa: foi perder a namoradinha, Julia. Que não sabia de nada e foi sumariamente expulsa aos prantos da casa que os dois dividiam. Mas ele chorou muito, coitado! No final, se reencontraram. Uma história de amor melhor do que Crepúsculo? Não tão rápido. Ele virou um escravo de Yuuga, o que não é problema nenhum como vimos, enquanto Julia virou escrava de um tal de Ryuuou. E esse cara parece ser problema.

Coitado do Seiya…

  1. Antes de começar o comentário, acho muito errado ver o nome de Cavaleiros do Zodíaco no mesmo artigo de Dorei-ku. Eu sei que o personagem com destaque neste episódio de Dorei-ku se chamava Seiya, mas esse Seiya nem aqui nem na China é tão interessante e honrado como o Seiya Cavaleiro de Pégaso.
    Continuando ainda no teu parágrafo de introdução, eu já fiz cara feia, depois do teu excelentíssimo artigo de Hisone to Masotan, ler um artigo excelente, mas de um anime bem porco é meio desconcertante. Acho que apenas tu, és capaz de escrever um artigo bom, sobre um anime mau, qualquer dia és o salvador dos animes medíocres (eu achei mais interessante este artigo do segundo episódio de Dorei-ku, do que dos 24 minutos do episódio).
    Passando mesmo ao episódio, achei os primeiros 10 minutos, uma autêntica porcaria. O meu problema nem é o facto dos dois personagens com destaque neste episódio, terem uma profissão diferente do comum mas sim as suas personalidades. A Ayaka e o Seiya eram trabalhadores da noite, nós aqui chamamos a isso acompanhantes de luxo (este termo é válido para homens e mulheres), no caso do Seiya ele só fazia companhia às clientes da casa de alterne em que trabalhava e a Ayaka (que parecia que trabalhava no mesmo ramo que o Seiya e talvez mais além) era a sua melhor cliente. Até aqui tudo bem, mas então chegou a parte do aparelho dentário controlador, estava tão na cara, que o Seiya tinha segundas intenções, ele nem poker face soube fazer. A iludida da Ayaka não foi burra nenhuma e enganou o Seiya e estragou os planos da mesmo, até aqui eu estava no lado dela. À medida que a Ayaka foi questionando o Seiya e as suas motivações, se veio a descobrir que ele era um traste nojento e manipulador e ela uma iludida (em que planeta a cabeça dela vive, para não entender que o Seiya só lhe estava a extorquir o seu dinheiro, para seu beneficio). Quando o Seiya disse, sob o controle da droga do aparelho dentário demoníaco, que via apenas a Ayaka como uma caixa de multibanco, senti muito nojo dele. Mais nojo senti, quando a Ayaka revelou que se tinha prostituído para ganhar o dinheiro, que mantinha o Seiya como o melhor host da casa de alterne e os vícios do mesmo. Nesta altura eu já estava enojado com tanta podridão, mas como é Dorei-ku, faltava a a cereja do topo do bolo e essa cena foi a parte em que a Ayka exige que o Seiya lhe faça um cunnilingus. Já no episódio passado, com o estupro da Rushie foi a porcaria que foi, agora isto, não sei se Dorei-ku quer ser um seinen sério, ou um seinen medíocre (já nem falo da parte do psicológico, este anime porco, nem deverá saber trabalhar isso). Não tive pena do Seiya em momento algum, ele colheu o que plantou, o karma nunca falha. Achei bem tosco,colocarem um mini drama que tentaram encaixar, na separação do Seiya e da sua namorada Júlia. Não falo pela Júlia, ela parecia uma boa mulher (a tua legenda na penúltima imagem, é nota 10/10), mas o Seiya nem se pode chamar de homem (e pensar que os host, no Japão fazem um sucesso tremendo e ainda pela troca de dezenas de milhares de ienes fazem o frete de terem relações sexuais com as clientes).
    Deixando a minha indignação e nojo de lado, gostei minimamente da parte em que o Oota e a Eia entraram em cena, o jogo que eles propuseram foi minimamente interessante e deu para esquecer a porcaria de começo do episódio. Para quem vê anime já a um bom tempo (como é o teu caso e o meu), dava para topar, que o Seiya ia fazer de tudo para se livrar do controlo da Ayaka. Achei bem trash o soco que o Seiya deu na Ayaka, essa cena foi tão errada, será que o Seiya não teve uma educação, onde se ensina, que nunca se deve bater numa mulher, seja qual for o motivo (e o pior ainda, a iludida da Ayaka, continuava a seguir o Seiya como se de uma cadela se tratasse). E a coisa fica pior, quando o Seiya se “arrepende” e pede desculpa pelo soco, pode ter sido impressão minha, ou o episódio quis dizer que tudo fica bem com um pedido de desculpa, até uma agressão covarde é perdoada (não entendo a lógica deste anime).
    Antes de terminar, foi extremamente satisfatório, quando o Seiya descobriu que a sua amada Júlia já foi tomada por outro homem, o carma nunca falha. Se ele tivesse sido menos traste, talvez ele não tivesse perdido a sua amada. Desconfio que esse tal Ryuuou é um Yakuza ou qualquer coisa do género (estou me baseando na imagem promocional do anime).
    Como sempre mais um excelente artigo de Dorei-ku (bem melhor que o episódio) Fábio.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Você sabe que como toda pessoa sã, eu gosto mesmo é dos animes bons. Mas estou sempre pegando um pouco do pior para comentar por aqui também porque há algo de perversamente divertido nisso!

      Eu não consegui sentir sequer nojo naquele começo. Já vi coisa pior em animes, a animação ruim não ajudou, e para arrematar aquela cena havia aparecido nos trailers – eu já sabia o que estava por vir. A gente não sabe porque, mas os dois acabaram presos nas franjas da sociedade, com certeza estão acostumados com coisa até pior. O que de forma alguma quer dizer que “mereçam” isso ou aquilo, mas enfim, o anime não está tentando passar nenhuma mensagem mesmo, está só explorando situações de abuso.

      E todo o episódio se explica segundo essa lógica da exploração do abuso, culminando com o soco do Seiya na Ayaka – e ele teria continuado batendo nela se o Yuuga não o tivesse impedido, aparentemente. Sobre o Yuuga e a Eia, aliás, não acho que eles estejam fora desse ciclo perverso. Pelo contrário, estão o usando a seu favor, e apenas pela emoção do momento. Salvaram o Seiya, mas tudo considerado, eu teria preferido que ele continuasse sendo o escravo sexual da Ayaka – acho que ela nem abusaria tanto assim dele, sabe? Ela se sentiu culpada por ter mandado ele jogar todas as coisas da ex-namorada fora. Ela é frágil, mole, de vontade fraca. A típica personagem que acabaria “cedendo por amor”.

      O Seiya não, ele é só um babaca que meteu a Ayaka nisso e a ex-namorada Julia em coisa ainda pior. Eu queria dizer que sinto pena da Julia, e no momento sinto mesmo, ela foi retratada como uma santa, afinal, mas sei que eventualmente nesse anime todo mundo se revela um traste humano. Estou só esperando para ver o que vai ser da Julia. Talvez no próximo episódio?

      Obrigado pela visita e pelo comentário =)

      • Acredito que no próximo episódio mostrará o que vai ser da Júlia, como a introdução do mestre da mesma. A Júlia não deve ser nenhuma santa (ninguém é), mas tinha um coração bom, ela não merecia um traste como o Seiya. Tenho que concordar contigo, o Seiya teria ficado melhor com a Ayaka, ela não é nenhum monstro sem escrúpulos e muito menos abusar demasiado dele (como bem referiste, ela sentiu remorso, por o ter obrigado a jogar fora as coisas da namorada).
        No caso da Eia e do Oota, como bem disseste eles estão a explorar e a usar a seu favor a perversidade do jogo. Vamos ver até que ponto essa exploração dará certo. Imagino que tal perversão, só irá piorar com a introdução de novas personagens.

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        Um detalhe é que o mangá original tem 23 personagens, o anime tem bem menos. Não sei se vão cortar a história antes do fim ou se vão modificá-la pra ter menos personagens. Em qualquer caso, pode piorar algo que já não é muito bom.

      • Não daria para colocar as 23 personagens do mangá em 12 episódios. O anime já faz porcaria com 4 (em breve 6) personagens, com 23 personagens seria o caos total. Daqui para a frente, posso estar enganado, mas a tendência será pior uma história que já não é grande coisa.

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        Pelo material de divulgação (o pôster), acho que vão concentrar só em 6: os dois protagonistas, Seiya/Ayaka, a Júlia, e um outro cara que pode ou não ser o Ryuuou.

      • Só espero que o Ryuuou seja o cara que aparece no poster com um fato (terno) e luvas de cabedal, talvez ele ensine às outras duas duplas a jogar como deve ser (mas aquela tatuagem que ele fez na Júlia é sinal de mau agoiro, só pode).

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        Eu acho que é ele sim, mas no MAL e na ANN ele aparece com outro nome. “Dragão” pode ser só o nome de yakuza dele, enfim.

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